Caiado candidato em 2030 pode ser “banho de água fria” em interessados da base, diz especialista
Possível candidatura do ex-governador ao Palácio das Esmeraldas daqui quatro anos voltou a ser especulada; cientista avalia que demais possíveis postulantes podem ser “fragilizados”
A reeleição do governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), no primeiro turno das eleições deste ano abriu caminho para a continuidade do grupo político que comanda o Estado e antecipou as articulações em torno da sucessão do Palácio das Esmeraldas em 2030. A possibilidade de o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) voltar a disputar o cargo, após afirmar que não pretende se aposentar da vida pública, altera as perspectivas de aliados que buscavam construir espaço nos próximos quatro anos.
As conversas sobre a sucessão já circulavam nos bastidores desde a formação da chapa encabeçada por Daniel. A escolha de Luiz do Carmo (PSD), eleito vice-governador, foi resultado de uma disputa que se estendeu por meses e envolveu também o presidente da Faeg, José Mário Schreiner (PSD), o ex-secretário-geral de Governo Adriano da Rocha Lima (PSD) e o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (PRD), que disputou o Senado. Naquele momento, a composição também era observada sob a perspectiva dos possíveis movimentos para a eleição seguinte.
O cenário ganhou novos contornos após Caiado afirmar que continuará ativo na política e não descartar uma candidatura ao governo estadual em 2030. Em entrevista ao jornal O Popular, o ex-governador disse que seu foco será Goiás e sinalizou que pretende manter influência sobre os rumos políticos do Estado mesmo sem um mandato eletivo.
A declaração interfere nas projeções de outros nomes que orbitam a base governista. Mendanha era um dos interessados na vice-governadoria e já aparecia entre os possíveis candidatos à sucessão. A lista inclui ainda o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), e o prefeito de Hidrolândia e presidente da Associação Goiana de Municípios (AGM), Zé Délio (União Brasil).
Procurado pelo O HOJE, Mendanha afirmou que “não viu” a declaração de Caiado e que não teria “nada a declarar”. Já Luiz do Carmo ressaltou que irá apoiar uma eventual candidatura do ex-governador. “[Vi a declaração] Na maior naturalidade possível. Terá meu apoio integral”, afirmou o vice-governador eleito ao O HOJE.
Passa por Luiz do Carmo
Uma eventual candidatura de Caiado para um terceiro mandato à frente do Palácio das Esmeraldas passa por Luiz do Carmo. Isso porque a expectativa é que o vice de Daniel assuma o cargo em abril de 2030, já que uma descompatibilização do emedebista para provavelmente disputar o Senado não seria surpresa.
O professor da PUC-GO e cientista político, Pedro Pietrafesa, disse que, apesar da tratativa ainda ser de um cenário distante, a declaração de Caiado “pode ser um banho de água fria nos outros políticos que tentariam a sucessão do Daniel Vilela”. “Precisamos esperar um pouco os ânimos baixarem, mas isso faz com que políticos que imaginavam que poderiam ter o maior destaque nesses quatro anos para que eles concorressem em 2030 sejam fragilizados”, disse ao O HOJE.
Pietrafesa avalia que Caiado ainda reúne capital político suficiente para se manter competitivo, mesmo depois de deixar o governo e passar quatro anos sem ocupar um cargo eletivo. Nesse intervalo, o ex-governador poderá trabalhar para preservar a imagem construída durante seus dois mandatos e associá-la a uma eventual candidatura.
“Capital político o Caiado ainda tem, mesmo ficando quatro anos sem o holofote de algum cargo eletivo. Mas ali [em uma eventual campanha] seria a ideia de tentar reviver, até porque 4 anos não é tanto tempo, a ideia de que quando ele saiu tinha de aprovação e reviver o passado para tentar projetar o futuro”, avaliou.
A permanência de Caiado no centro das articulações também poderá ser favorecida pelo comando do PSD em Goiás. De acordo com Pietrafesa, o comando do partido oferece instrumentos para que o ex-governador continue participando das discussões sobre o governo estadual e mantenha visibilidade política. Além disso, a atuação será reforçada a partir de 2027, quando a ex-primeira-dama Gracinha Caiado (União Brasil), mulher do ex-governador, assumirá uma cadeira no Senado.
Desempenho da gestão
Porém, para o cientista político, a viabilidade de uma candidatura também dependerá do desempenho da gestão de Daniel. A avaliação do governo deve influenciar na força dos demais nomes interessados na sucessão.
Outro elemento será a posição do PL no Estado. O partido, que elegeu quatro deputados federais e cinco estaduais e tem lideranças com pretensões eleitorais, poderá buscar protagonismo na escolha do próximo governador caso se aproxime do governo Daniel. “Se o PL entrar para o governo, o PL vai querer fazer a sucessão. E esses políticos do PL, como eles vão trabalhar o nome deles no próximo pleito?”, questionou.
Sobre a oposição, Pietrafesa diz que apesar do campo possuir representação parlamentar limitada comparada ao grupo governista, terá de ser avaliado se os oposicionistas conseguirão fazer frente na próxima disputa pelo Governo do Estado.
“Da mesma forma, a situação da oposição, que tem poucos deputados estaduais, elegeu dois deputados federais e ficará circunscrito na Assembleia Legislativa ao PT e ao PSDB, caso o PL de fato entre no governo. Irá depender se essa oposição consegue lançar um nome mais competitivo do que foi o Marconi Perillo e Luis Cesar Bueno em 2030. Será preciso avaliar esses elementos”, frisou.
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