Vacina contra HPV reduz consultas por lesões em adolescentes
Estudo aponta queda de 77,4% nos atendimentos de jovens pelo SUS
Uma vacina recebida ainda na adolescência pode ajudar a evitar problemas de saúde que levariam anos para se manifestar. No Brasil, os primeiros sinais desse benefício aparecem nos registros do Sistema Único de Saúde (SUS). Entre 2015 e 2023, as primeiras consultas por lesões graves no colo do útero entre jovens de 15 a 19 anos caíram 77,4%. O resultado reforça a importância da imunização contra o papilomavírus humano (HPV), vírus associado ao desenvolvimento de diferentes tipos de câncer.
A redução foi identificada em um estudo publicado em junho de 2026 na revista científica Human Vaccines & Immunotherapeutics. A pesquisa analisou dados ambulatoriais do SUS e constatou que o número de primeiras consultas por lesões cervicais de alto grau passou de 603, em 2015, para 136, em 2023. Considerando a população adolescente, a taxa recuou de 7,1 para 1,8 atendimento por 100 mil jovens.
O resultado chama a atenção porque a queda não se repetiu na mesma proporção entre mulheres mais velhas, que tiveram menos oportunidades de vacinação durante a adolescência. Outro aspecto observado foi o aumento das consultas por outras infecções sexualmente transmissíveis no mesmo período, o que enfraquece a possibilidade de que a redução esteja relacionada apenas à menor procura por atendimento.
Embora os números sejam expressivos, é importante distinguir o que foi medido. O levantamento, conduzido por pesquisadores vinculados à farmacêutica MSD, analisou registros de consultas, e não todos os casos de infecção ou câncer. Assim, os resultados indicam uma associação com a vacinação, mas não permitem atribuir exclusivamente a ela a diminuição observada.
Uma proteção que começa cedo
O HPV é uma infecção comum e, na maioria das vezes, desaparece espontaneamente pela ação do sistema imunológico. Estima-se que cerca de 80% das pessoas tenham contato com o vírus em algum momento da vida. O problema ocorre quando determinados tipos permanecem no organismo e provocam alterações celulares que podem evoluir para câncer.
No Brasil, o câncer do colo do útero é o terceiro mais frequente entre as mulheres, com aproximadamente 19 mil novos casos estimados por ano. A infecção persistente por tipos oncogênicos de HPV está relacionada a praticamente todos os diagnósticos. O vírus também pode causar tumores no ânus, pênis, vagina, vulva e orofaringe.
É por isso que a prevenção não deve começar apenas na vida adulta. A vacinação é recomendada preferencialmente antes da exposição ao vírus, oferecendo proteção em uma fase na qual muitas famílias ainda não associam a imunização à prevenção do câncer.
Pelo calendário do SUS, meninas e meninos de 9 a 14 anos recebem uma dose. Quem tem entre 15 e 19 anos e não foi vacinado pode participar da estratégia de resgate, prevista até 31 de dezembro de 2026.
A rede pública também contempla grupos específicos, como pessoas imunocomprometidas, usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) e pacientes com papilomatose respiratória recorrente, conforme esquemas próprios.
Em setembro deste ano, o Ministério da Saúde ampliou a indicação da vacina para crianças vítimas de violência sexual a partir dos 2 anos. A medida considera a vulnerabilidade desse público e a necessidade de reduzir os riscos associados à exposição ao HPV.
A imunização, entretanto, não substitui os exames preventivos recomendados. Como a vacina não protege contra todos os tipos do vírus, o rastreamento continua essencial para identificar alterações que precisam de acompanhamento.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a vacinação, associada ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado, uma das principais estratégias para eliminar o câncer do colo do útero como problema de saúde pública.
Para pais e responsáveis, os dados trazem uma orientação prática: conferir a situação vacinal de crianças e adolescentes. As doses estão disponíveis gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde, e o histórico pode ser consultado pelo aplicativo Meu SUS Digital. A prevenção de uma doença que preocupa tantas mulheres pode começar muito antes da idade adulta.
LEIA MAIS:
Uma vacina recebida ainda na adolescência pode ajudar a evitar problemas de saúde que levariam anos para se manifestar. No Brasil, os primeiros sinais desse benefício aparecem nos registros do Sistema Único de Saúde (SUS). Entre 2015 e 2023, as primeiras consultas por lesões graves no colo do útero entre jovens de 15 a 19 anos caíram 77,4%. O resultado reforça a importância da imunização contra o papilomavírus humano (HPV), vírus associado ao desenvolvimento de diferentes tipos de câncer.
A redução foi identificada em um estudo publicado em junho de 2026 na revista científica Human Vaccines & Immunotherapeutics. A pesquisa analisou dados ambulatoriais do SUS e constatou que o número de primeiras consultas por lesões cervicais de alto grau passou de 603, em 2015, para 136, em 2023. Considerando a população adolescente, a taxa recuou de 7,1 para 1,8 atendimento por 100 mil jovens.
O resultado chama a atenção porque a queda não se repetiu na mesma proporção entre mulheres mais velhas, que tiveram menos oportunidades de vacinação durante a adolescência. Outro aspecto observado foi o aumento das consultas por outras infecções sexualmente transmissíveis no mesmo período, o que enfraquece a possibilidade de que a redução esteja relacionada apenas à menor procura por atendimento.
Embora os números sejam expressivos, é importante distinguir o que foi medido. O levantamento, conduzido por pesquisadores vinculados à farmacêutica MSD, analisou registros de consultas, e não todos os casos de infecção ou câncer. Assim, os resultados indicam uma associação com a vacinação, mas não permitem atribuir exclusivamente a ela a diminuição observada.
Uma proteção que começa cedo
O HPV é uma infecção comum e, na maioria das vezes, desaparece espontaneamente pela ação do sistema imunológico. Estima-se que cerca de 80% das pessoas tenham contato com o vírus em algum momento da vida. O problema ocorre quando determinados tipos permanecem no organismo e provocam alterações celulares que podem evoluir para câncer.
No Brasil, o câncer do colo do útero é o terceiro mais frequente entre as mulheres, com aproximadamente 19 mil novos casos estimados por ano. A infecção persistente por tipos oncogênicos de HPV está relacionada a praticamente todos os diagnósticos. O vírus também pode causar tumores no ânus, pênis, vagina, vulva e orofaringe.
É por isso que a prevenção não deve começar apenas na vida adulta. A vacinação é recomendada preferencialmente antes da exposição ao vírus, oferecendo proteção em uma fase na qual muitas famílias ainda não associam a imunização à prevenção do câncer.
Pelo calendário do SUS, meninas e meninos de 9 a 14 anos recebem uma dose. Quem tem entre 15 e 19 anos e não foi vacinado pode participar da estratégia de resgate, prevista até 31 de dezembro de 2026.
A rede pública também contempla grupos específicos, como pessoas imunocomprometidas, usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) e pacientes com papilomatose respiratória recorrente, conforme esquemas próprios.
Em setembro deste ano, o Ministério da Saúde ampliou a indicação da vacina para crianças vítimas de violência sexual a partir dos 2 anos. A medida considera a vulnerabilidade desse público e a necessidade de reduzir os riscos associados à exposição ao HPV.
A imunização, entretanto, não substitui os exames preventivos recomendados. Como a vacina não protege contra todos os tipos do vírus, o rastreamento continua essencial para identificar alterações que precisam de acompanhamento.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a vacinação, associada ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado, uma das principais estratégias para eliminar o câncer do colo do útero como problema de saúde pública.
Para pais e responsáveis, os dados trazem uma orientação prática: conferir a situação vacinal de crianças e adolescentes. As doses estão disponíveis gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde, e o histórico pode ser consultado pelo aplicativo Meu SUS Digital. A prevenção de uma doença que preocupa tantas mulheres pode começar muito antes da idade adulta.
LEIA MAIS:
Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.