Ativista e sociólogo Ian Caetano de Oliveira morre aos 32 anos em Goiânia
Graduado pela UFG e mestre em Sociologia pela UERJ, goiano teve atuação no movimento estudantil e na produção acadêmica
O ativista e sociólogo goiano Ian Caetano de Oliveira morreu aos 32 anos, em Goiânia. O pesquisador estava internado havia alguns dias em um hospital e faleceu na madrugada de sexta-feira (30), conforme relato do amigo Heitor Vilela. Ian era graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e mestre em Sociologia pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
A morte foi lamentada pela Faculdade de Ciências Sociais da UFG, onde o pesquisador construiu parte de sua trajetória acadêmica. Em nota, a instituição destacou a dedicação de Ian aos estudos e sua participação em causas sociais.
“Ian foi um aluno bastante dedicado ao seu Curso e à vida acadêmica, sendo autor de diversas produções desde a graduação. Sua dedicação ao campo das ciências sociais também se manifestou no ativismo e engajamento em causas sociais”, afirmou a faculdade.
Nas redes sociais, amigos e colegas também prestaram homenagens ao sociólogo. As publicações destacaram sua produção intelectual, o envolvimento com a pesquisa e os planos de dar continuidade à carreira acadêmica fora do Brasil.
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Trajetória acadêmica e atuação política
Durante a juventude, Ian ganhou notoriedade em Goiás após ser preso na Operação R$ 2,80, em março de 2014. A investigação tinha como alvo integrantes do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR), suspeitos de envolvimento em atos de depredação do patrimônio público e incitação à violência durante manifestações em Goiânia.
Os protestos foram motivados pelo aumento da tarifa do transporte coletivo, que passou de R$ 2,70 para R$ 2,80. Ian foi preso no dia 23 de março, junto com outros estudantes, e deixou a Casa de Prisão Provisória (CPP) de Aparecida de Goiânia no dia 30 do mesmo mês, após a concessão de um habeas corpus.
Na ocasião, a decisão judicial apontou que não havia evidências concretas da participação efetiva dos estudantes nos atos de vandalismo registrados na capital, mas apenas indicadores de envolvimento.
Segundo Heitor Vilela, a prisão teve consequências na trajetória profissional do amigo. “Desde essa situação da prisão, ele ficou muito mal. Atrapalhou a carreira de pesquisador e docente. Ficamos quase três anos com medidas cautelares”, relatou.
O professor Francisco Tavares, da Faculdade de Ciências Sociais da UFG e orientador de Ian, também comentou sobre a personalidade do pesquisador e sua relação com questões sociais.
“Isso o tocava de maneira muito emotiva, ele ficava muito comovido diante da dor, do sofrimento de pessoas menos favorecidas da nossa sociedade”, afirmou.
Produção intelectual e homenagens
Além da formação acadêmica, Ian também atuou como articulista em um jornal por mais de dez anos. Conforme o amigo, o sociólogo era consultado pontualmente por veículos de comunicação, como o jornal O Popular e a Rádio CBN Goiânia.
A música também fazia parte de sua trajetória. Ian tocava violão, guitarra, baixo e teclado. Heitor ainda destacou o cuidado do amigo com a aparência e o estilo pessoal.
Nas homenagens publicadas nas redes sociais, amigos lembraram os projetos acadêmicos que Ian pretendia desenvolver. Um deles mencionou os planos do pesquisador de continuar os estudos fora do Brasil.
Heitor também publicou uma mensagem sobre a morte do amigo e destacou sua atuação política e intelectual. “Um lutador. Um camarada. Partiu muito breve, mas fez muito”, escreveu.
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