Israel conclui auditoria eleitoral e não encontra provas de fraude
Auditoria descarta fraude em eleições de Israel em meio à disputa por governo
A Comissão Eleitoral Central de Israel concluiu a auditoria das eleições e informou que não encontrou provas de fraude capazes de comprometer a validade dos resultados. O órgão revisou 9.069 seções eleitorais e anunciou a conclusão do procedimento nesta quarta-feira (4), em meio a questionamentos de integrantes da extrema-direita e às negociações para formar o próximo governo.
A aprovação dos números finais recebeu 15 votos favoráveis e dois contrários. Outros 14 integrantes da comissão se abstiveram. Apesar da validação, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, rejeitou os resultados e pediu a prisão de líderes de partidos árabes-israelenses.
A contestação ocorre em um cenário de divisão política. Nenhum bloco conquistou maioria suficiente para governar sozinho no Parlamento, que possui 120 cadeiras. Nesse contexto, a participação dos partidos árabes nas negociações pode influenciar a formação da próxima coalizão.
Auditoria valida votação, mas Ben-Gvir contesta resultado
Mesmo após a conclusão da auditoria, Ben-Gvir afirmou que não reconhece os números divulgados pela comissão eleitoral. O ministro também questionou a participação das legendas árabes no processo e pediu a prisão de seus líderes.
Os partidos árabes-israelenses conquistaram uma presença recorde no Parlamento. Por isso, podem assumir papel relevante nas negociações para a composição do próximo governo.
A posição de Ben-Gvir contrasta com a decisão do órgão responsável pela fiscalização eleitoral. Após examinar milhares de seções, a comissão afirmou não ter identificado evidências de fraude que justificassem questionar a integridade da votação.

Oposição acusa Netanyahu de ameaçar instituições democráticas
A disputa eleitoral também provocou manifestações da oposição. Gadi Eisenkot, líder oposicionista e ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, acusou o primeiro-ministro Benyamin Netanyahu de tentar enfraquecer as instituições democráticas e estimular hostilidade contra representantes eleitos.
Eisenkot fez as declarações durante um evento em memória do ex-premiê Yitzhak Rabin, assassinado em 1995. Na ocasião, afirmou que não permitirá que Israel seja conduzido a uma ruptura democrática.
O oposicionista também alertou Netanyahu sobre a possibilidade de iniciar uma nova guerra contra o Irã em parceria com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Netanyahu ocupa o cargo de primeiro-ministro há diferentes períodos ao longo de quase duas décadas. Ele é o chefe de governo que permaneceu por mais tempo no comando de Israel.
Presidente inicia consultas para formar novo governo
Diante da ausência de uma maioria definida no Parlamento, o presidente israelense, Isaac Herzog, iniciou nesta quarta-feira uma rodada de consultas com representantes dos partidos. O objetivo é discutir quem terá a oportunidade de formar a próxima coalizão.
Herzog terá dois dias de reuniões iniciais. Em seguida, deverá indicar um parlamentar para tentar formar o governo em até 28 dias. O prazo poderá ser ampliado por mais 14 dias.
Netanyahu e Eisenkot aparecem como os principais nomes na disputa pela indicação. No entanto, o presidente também pode escolher outro parlamentar para conduzir a primeira tentativa de composição do governo.
Durante um pronunciamento, Herzog pediu disposição para negociar e defendeu que os partidos aceitem fazer concessões para superar o impasse. Além disso, solicitou que as lideranças trabalhem para evitar a convocação de uma nova eleição.
Assim, embora a comissão eleitoral tenha validado os resultados após a auditoria, a disputa política continua. As próximas negociações deverão definir quem terá a responsabilidade de buscar apoio suficiente para governar Israel.
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