Padrasto é preso após morte de menina de 2 anos em Novo Gama
Padrasto alegou que a criança sofreu uma queda no banheiro, mas a versão levantou suspeitas da equipe médica
Um homem de 23 anos foi preso em flagrante após a morte de Ísis Gabrielly Lemos Nascimento, de 2 anos, em Novo Gama, no Entorno do Distrito Federal. O suspeito é padrasto da criança e foi identificado como Felipe de Souza Neckel da Silva. Segundo informações da Polícia Militar de Goiás (PMGO), a menina deu entrada em uma unidade de saúde em parada cardiorrespiratória, com diversas lesões e hematomas pelo corpo.
A ocorrência foi registrada às 7h34 de quarta-feira (4), no Jardim Lago Azul. Segundo a Polícia Civil de Goiás (PCGO), o caso foi inicialmente atendido como possível estupro de vulnerável. Conforme o relato apresentado pelo padrasto, a criança teria sofrido uma queda no banheiro e, em seguida, entrado em parada cardiorrespiratória.
No entanto, durante o atendimento, a equipe médica identificou diversas escoriações e hematomas pelo corpo da menina. De acordo com a Polícia Civil, as lesões não seriam compatíveis, a princípio, com a versão apresentada pelo homem, o que levantou suspeitas de violência.
A mãe informou à polícia que havia deixado a filha sob os cuidados do companheiro enquanto trabalhava e que desconhecia a origem dos ferimentos. Diante da situação, o padrasto foi conduzido à Central de Flagrantes de Luziânia para os procedimentos policiais.
Histórico criminal
Segundo a PMGO, Felipe possui passagens anteriores pela polícia por crimes como tráfico de drogas, receptação e furto qualificado. A corporação também informou que ele teria um registro recente por estupro de vulnerável no Mato Grosso e seria integrante do Comando Vermelho (CV).
O tenente-coronel Ricardo Edson, comandante do 14º Batalhão da PMGO em Novo Gama, afirmou que a criança foi socorrida por pedestres que passavam em frente à residência e foram chamados pelo padrasto.
“Em depoimento, o padrasto disse que estava dando banho na criança e ela caiu. Porém, essa versão não condiz com o que foi observado pela equipe médica”, afirmou o policial.
Ainda conforme o comandante, a mãe relatou que a menina já apresentava hematomas dias antes da morte. Na ocasião, o padrasto teria atribuído as marcas a uma possível alergia.
Avô relata suspeitas anteriores
O avô da criança, Klinger de Oliveira, de 43 anos, afirmou que a mãe de Ísis e o padrasto estavam juntos havia aproximadamente três meses. Segundo ele, o casal costumava deixar a menina em casa durante os finais de semana.
Klinger relatou que percebeu hematomas no corpo da neta e chegou a questionar a filha sobre a situação. Segundo o avô, ela negou que a criança estivesse sendo agredida e rejeitou as suspeitas levantadas pela família.
Ele também afirmou que ele e a esposa já tinham desconfianças sobre a situação e que os sinais começaram a aparecer cerca de 15 dias antes da morte.
“A gente alertou muito, mas ela [mãe da criança] sempre ficou jogando aos meus pés e se desfazendo de mim o tempo todo. Os sintomas começaram a aparecer uns 15 dias atrás. A partir daí ficamos com uma pulga atrás da orelha e alertando. Só que sempre levamos patada dela. Já dele [padrasto] não, porque em nenhum momento ele pegou o telefone para se desculpar ou se questionar de momento nenhum”, relatou.
Polícia Civil investiga o caso
De acordo com a PCGO, o procedimento está em análise para apurar a possível ocorrência de violência sexual contra a criança ou de outro crime. A investigação deverá esclarecer as circunstâncias da morte e a origem das lesões encontradas no corpo da menina.
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