Enem: erros de estratégia podem custar pontos na prova
Má administração do tempo, leitura apressada das questões e falhas na redação podem prejudicar até candidatos bem preparados
O candidato pode conhecer a matéria e, mesmo assim, perder pontos por administrar mal o tempo. No primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), neste domingo (8), a redação, as 90 questões e o cartão-resposta disputam as mesmas cinco horas e meia. Uma decisão sob pressão pode comprometer o resultado.
Não existe uma ordem ideal para todos. Alguns estudantes preferem começar pela redação; outros resolvem parte das questões antes de escrever. O problema aparece quando essa escolha é deixada para a hora da prova. Reservar tempo para planejar o texto, desenvolver os argumentos e revisá-lo evita que a produção escrita fique espremida nos minutos finais.
“O aluno não deveria descobrir durante a prova como vai administrar o tempo. Se a estratégia for fazer a redação depois de parte das questões, por exemplo, é preciso saber de antemão em que momento vai parar. O risco de não estabelecer esse limite é chegar ao final com pouco tempo para planejar, escrever e revisar”, explica Rafael Galvão, diretor pedagógico do ensino médio da Rede Alfacem Global Academy.
Uma referência é separar cerca de uma hora e meia para a redação e reservar tempo para preencher o gabarito. O cálculo depende do ritmo de cada um: quem demora para escrever não deve adotar uma divisão que nunca testou.
Na parte objetiva, a pressa pode provocar um erro menos evidente. Reconhecer uma informação em uma alternativa não significa que ela responda ao enunciado. Uma pergunta pode pedir a consequência de um fenômeno, por exemplo, enquanto uma resposta aparentemente correta apresenta apenas sua definição.
“A alternativa pode trazer uma informação correta e, mesmo assim, não responder à questão. O aluno precisa voltar ao comando e conferir o que está sendo solicitado. É uma diferença simples, mas que pode fazer com que ele escolha uma resposta apenas porque reconheceu o assunto”, afirma Galvão.
Outra armadilha é insistir demais em uma questão difícil. Se a solução não aparece, sinalizar o item e seguir adiante pode preservar minutos preciosos para perguntas mais acessíveis. Voltar depois é diferente de desistir: trata-se de evitar que uma dúvida isolada prejudique o restante da prova.
Na redação, o desafio vai além de conhecer o assunto. É preciso responder ao recorte exato do tema, sustentar uma linha de raciocínio e apresentar uma proposta de intervenção com os elementos exigidos. Copiar textos motivadores ou escrever apenas sobre o tema geral pode comprometer a avaliação.
Também não adianta acertar no caderno e errar ao transferir a resposta. Deixar o cartão para o último instante aumenta o risco de marcar outra letra, pular uma linha ou não terminar. Por isso, a transcrição deve ter um espaço próprio no planejamento, e não depender do tempo que sobrar.
Depois da entrega, a tentação é conferir cada questão e fazer contas. Mas a nota das provas objetivas utiliza a Teoria de Resposta ao Item (TRI), que não considera apenas a quantidade de acertos. Comparações precipitadas podem alimentar a ansiedade antes da segunda etapa, no dia 15.
“A prova acabou quando o cartão foi entregue. Ficar revivendo cada questão não ajuda a recuperar nenhum ponto e pode tirar energia do segundo dia. O mais importante é descansar e retomar a preparação na segunda-feira”, orienta Galvão.
Ao final, estratégia não substitui estudo nem garante nota alta. Sua função é permitir que o candidato use o tempo bem e consiga demonstrar o que aprendeu, sem entregar pontos à pressa ou ao improviso.
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