sexta-feira, 6 de novembro de 2026
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Gabriel Gava prepara nova fase e questiona pressão por hits; veja o que o cantor planeja para o próximo álbum

Em entrevista ao podcast Manda Vê, cantor fala sobre mudanças na carreira, novas composições e a busca por maior liberdade artística

Luana Avelarpor em
Gabriel Gava prepara nova fase e questiona pressão por hits; veja o que o cantor planeja para o próximo álbum

A música “Fiorino”, lançada em 2012, levou Gabriel Gava ao reconhecimento nacional. Hoje o cantor ainda é associado ao sucesso que o projetou no sertanejo. Ele não pretende deixar a canção para trás, mas quer que os próximos trabalhos mostrem outras características de sua música. O tema surgiu na entrevista ao podcast Manda Vê.

Na conversa com Juan Allaesse e Isadora Carvalho, Gava falou sobre a carreira em Goiânia, as exigências do mercado e o desejo de maior liberdade. Nascido em Boa Esperança, no Espírito Santo, ele gravou seu primeiro DVD na capital goiana, também em 2012, e depois gravou com outros artistas do gênero.

 

 

Ao chegar a Goiânia, contou, precisou se adaptar ao mercado musical. Considera que a visibilidade conquistada naquele período lhe permite hoje tomar decisões diferentes. Durante a entrevista, afirmou que não quer mais orientar suas composições apenas pelas expectativas comerciais nem produzir canções que não correspondam ao que deseja expressar.

Essa disposição aparece no novo projeto que está preparando. Gava passou dois dias em uma fazenda com os compositores Edu, Elias e Jonas. O encontro rendeu quatro músicas. Segundo ele, o plano é que os mesmos quatro profissionais escrevam todas as faixas do próximo disco. Ainda não foi informada uma data de lançamento.

A mudança começa pelas letras. Gava disse que pretende abordar os relacionamentos de maneira mais madura, sem recorrer a mensagens que depreciem mulheres. Mencionou separações, reaproximações e amizades. O repertório, explicou, deve acompanhar suas experiências atuais, em vez de reproduzir situações que não fazem parte de sua vida.

A questão vai além das letras. Ao discutir a construção de álbuns, o artista criticou a estratégia de misturar músicas de propostas diferentes e escolher algumas pelo potencial de sucesso comercial, na expectativa de que elas levem o público a ouvir as demais. Para ele, o disco precisa ter uma direção definida e não deve depender de uma faixa isolada para fazer sentido.

Gava também questionou a pressão por resultados imediatos. Na avaliação do cantor, nem todo trabalho precisa atingir o maior público possível. Há canções destinadas a ouvintes com interesses específicos, e isso não as torna menos importantes. Ele citou a maneira como a internet acelerou o consumo de música e as cobranças por números de visualizações logo após os lançamentos.

Para explicar o tipo de trabalho que deseja desenvolver, relembrou o canal “Gava Eu”. Nele, publicava composições próprias em vídeos de voz e violão, com produção simples. Segundo o cantor, as gravações começaram a repercutir entre os ouvintes. Mais tarde, ele cedeu o canal a artistas ligados a um escritório, e o conteúdo original deixou de estar disponível naquele endereço.

A ideia de um repertório mais pessoal também influencia a forma como Gava gostaria de apresentá-lo. Ao imaginar o show ideal para as novas músicas, descreveu uma apresentação para cerca de 500 pessoas, com público sentado e acompanhamento de violão, baixo, guitarra e bateria. Seria um formato diferente dos espetáculos festivos em que as canções mais conhecidas fazem parte do repertório.

Ele afirmou que gosta de apresentações menores e citou eventos privados nos quais canta ao violão, recebe pedidos e escolhe músicas na hora. Em uma dessas ocasiões, relatou ter se apresentado para um grupo de aproximadamente 20 pessoas. A proximidade com quem escuta, segundo Gava, é uma das experiências de que mais gosta na carreira.

A entrevista também abordou a divulgação dos artistas nas redes sociais. Gava reconheceu que já criou provocações para chamar a atenção do público. Um exemplo foi um vídeo em que fez críticas encenadas a Leandro Voz, após combinar a ação com o cantor. A publicação provocou reações negativas, e parte das pessoas continuou acreditando que havia uma desavença mesmo depois de ele esclarecer a situação.

Ao mesmo tempo que conhece essas estratégias, Gava demonstrou incômodo com a necessidade de produzir conteúdo constantemente. Contou que intensificou a rotina de gravações quando decidiu alcançar um milhão de seguidores e que atingiu a marca em poucas semanas. Depois, diminuiu o ritmo, por considerar desgastante a obrigação de alimentar as redes o dia inteiro.

Em outro momento da entrevista, Gabriel Gava falou sobre os cuidados com a voz e os desafios de manter o desempenho vocal ao longo da carreira. O cantor reconheceu que a rotina de apresentações exige preparação e acompanhamento constantes, especialmente diante das mudanças que percebeu na própria capacidade de cantar. Para ele, preservar a voz passou a exigir mais atenção e disciplina no dia a dia.

Ao falar do futuro, Gava não anunciou o abandono dos sucessos antigos nem uma mudança definitiva de gênero musical. O que apresentou foi a intenção de construir um disco com temas e escolhas próprias, sem repetir automaticamente as fórmulas que ajudaram a projetar “Fiorino”. A canção permanece em sua história; agora, ele quer ampliar o que o público conhece de seu repertório.

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