Exposição reúne mais de 100 obras de Antônio Poteiro em Goiânia
Mostra no Museu de Arte Contemporânea apresenta diferentes fases da carreira do artista e terá atividades educativas e interativas
Mais de 100 pinturas e esculturas de Antônio Poteiro estarão reunidas no Museu de Arte Contemporânea (MAC), em Goiânia, a partir de 13 de novembro. A exposição “Antonio Poteiro – A Invenção do Mundo” percorre diferentes momentos da produção do artista, que começou fazendo utensílios de barro e se tornou um dos nomes mais conhecidos das artes visuais em Goiás. A visitação gratuita segue até 10 de janeiro de 2027.
Com curadoria de Marcus de Lontra Costa, a mostra chega à capital depois de passar por outras cidades brasileiras. Organizada pelo Instituto Antonio Poteiro, reúne trabalhos que ajudam a compreender como o artista transitou da cerâmica à pintura sem abandonar as referências populares, religiosas e cotidianas que marcaram suas criações. O projeto coincide com os 101 anos de nascimento de Poteiro, completados em outubro.
Nascido Antônio Batista de Souza, em 1925, na região do Minho, em Portugal, ele chegou ao Brasil com um ano de idade. Viveu em São Paulo e Minas Gerais até se mudar para Goiás, em 1955, quando passou a morar em Nerópolis. O apelido Poteiro veio dos recipientes de barro que produzia. Em 1967, estabeleceu-se em Goiânia e começou a assinar peças autorais em cerâmica.
A mudança de linguagem ocorreu em 1972. Incentivado por Siron Franco e Cléber Gouvea, passou a pintar aos 47 anos. Nas telas, multiplicou figuras humanas, animais, episódios bíblicos e cenas da cultura popular. As cores fortes e a grande quantidade de elementos se tornaram características reconhecíveis de uma obra que escapava a classificações simples.
“A obra de Poteiro permite vários níveis de leitura; ela encanta pela capacidade de manipular diversas referências na construção de objetos de grande potência estética e apelo filosófico”, afirma Marcus de Lontra Costa.
A carreira ganhou projeção também fora do estado. Em 1978, Poteiro ensinou cerâmica no Sesc, no Rio de Janeiro, e, dois anos depois, participou como professor de feiras internacionais na Alemanha. Em 1985, recebeu o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte na categoria escultura. Em 1987, foi condecorado pelo governo português. Sua produção também foi tema de documentários, entre eles “Antônio Poteiro: o Profeta do Barro e das Cores”, lançado em 1983.
Poteiro morreu em 2010, em Goiânia. Desde então, parte do trabalho de preservação de sua obra é conduzida pelo Instituto Antonio Poteiro, criado por seu filho, o artista plástico Américo de Souza Netto. A exposição no MAC é uma das iniciativas para apresentar esse acervo a públicos que não acompanharam sua carreira.
Atividades para o público
Além das obras, a programação terá atividades educativas e recursos de acessibilidade. O Pomar das Cores, jogo interativo desenvolvido pela Brasbravel e pelo Ritus Studio em parceria com o instituto, utiliza elementos do repertório visual de Poteiro. A trilha sonora foi gravada pela Orquestra Filarmônica de Goiás.
Estão previstas oficinas, rodas de conversa e distribuição de histórias em quadrinhos, com atenção especial à participação de estudantes. As principais obras terão audiodescrição, destinada a visitantes com deficiência visual. A organização também promoverá uma campanha de arrecadação de alimentos não perecíveis para instituições sociais.
A mostra permite acompanhar, em um mesmo espaço, a passagem do artesão que produzia peças utilitárias ao pintor que criou uma linguagem própria. É também uma oportunidade de conhecer parte da história das artes visuais em Goiás por meio de um artista que fez do estado sua principal referência
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