Bancada goiana terá maioria de oposição e de independentes ao governo Lula
Petistas devem ser os únicos aliados declarados do presidente entre os 17 deputados federais eleitos por Goiás, enquanto parlamentares de outras siglas sinalizam oposição ou independência
Os deputados federais eleitos e reeleitos por Goiás nas eleições deste ano se dividem em relação à postura que irão adotar diante de mais quatro anos de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na bancada goiana, o quarto mandato do petista deve encontrar mais opositores do que apoiadores na Câmara dos Deputados. Apesar da predominância da oposição, há também quem sinalize uma atuação independente, com disposição para apoiar propostas do Executivo consideradas positivas.
A base de Lula entre os representantes goianos deve se restringir aos dois deputados do PT, Adriana Accorsi e Rubens Otoni, ambos reeleitos. Já os demais integrantes da bancada do Estado se dividem entre oposição declarada, independência e posições ainda não esclarecidas.
O principal núcleo de oposição será formado pelos quatro deputados eleitos pelo PL, legenda que terá a maior bancada individual de Goiás na Câmara, com Major Vitor Hugo, Fred Rodrigues, Fábio Sousa e Magda Mofatto.
Porém, a postura contrária ao Planalto não ficará restrita aos liberais. O deputado federal eleito Lucas Calil (PRD) confirmou ao O HOJE que fará oposição, assim como Daniel Agrobom (PSD), que frisou que manterá a mesma postura adotada durante seu primeiro mandato na Câmara. Apesar disso, o parlamentar ressalta que não fará objeção a todas as propostas do Executivo de maneira automática.
“A minha posição é a mesma: oposição. Quando eu fui para o PSD esse compromisso ficou claro e o partido me deu essa liberdade. Claro, aqueles projetos que são bons para o povo brasileiro, a gente analisa e, se for o caso, vota favorável. Eu não sou extremista. Mas a posição é a mesma, continuo na oposição”, disse Agrobom ao O HOJE.
A postura de oposição mais contida também aparece na manifestação de outros parlamentares que não apoiaram a reeleição de Lula. Lucas do Vale (PSD) disse que pretende exercer um “mandato independente” e comprometido “com os interesses da população”. O deputado estadual exercerá seu primeiro mandato na Câmara a partir de fevereiro do ano que vem.
“Minha atuação na Câmara será pautada pela responsabilidade e pelo compromisso com a população. Não estive ao lado do projeto político que venceu as eleições, mas isso não significa que farei oposição a tudo. Aquilo que for positivo para o Brasil e trouxer benefícios para a população terá meu apoio. Da mesma forma, tudo aquilo que considerar prejudicial aos brasileiros terá minha posição contrária”, declarou à reportagem do O HOJE.
Matérias que considerar importantes
Outro em uma posição intermediária é José Nelto (União Brasil). O deputado reeleito garantiu que não pretende participar do governo e que votará favoravelmente às matérias que considerar importantes para o País.
“O União Brasil não faz parte da base do atual presidente reeleito da República. Estamos aguardando uma reunião até o final do ano, se o partido irá participar da base, indicando ministérios ou não, mas a minha posição é bem clara. Eu não quero cargo do governo, não participo do governo. Eu estarei votando todas as matérias de interesse do Brasil”, afirmou.
Aliás, a relação do governo federal com os partidos do Centrão ainda poderá passar por mudanças. O União Brasil, que elegeu três deputados em Goiás, não definiu se participará formalmente da gestão petista.
Além de Nelto, a legenda terá o presidente da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), Bruno Peixoto, e Silvye Alves, que foi reeleita, na Câmara. Peixoto, que foi o deputado federal mais votado do Estado, apoiou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno das eleições presidenciais e ainda não sinalizou diretamente sobre como pretende atuar na Casa Baixa.
Flávia Morais (MDB), Célio Silveira (MDB), Adriano do Baldy (PP), Glaustin da Fokus (Podemos) e Marussa Boldrin (Republicanos) foram questionados pela reportagem do O HOJE sobre suas respectivas posições, mas não responderam até o fechamento desta edição. A tendência é que os parlamentares mantenham para os próximos anos as posições adotadas na atual legislatura.
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