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sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
Análise

Direita busca discurso econômico e unidade mínima para enfrentar Lula em 2026

Pré-candidatos da direita apostam em estratégias distintas, do confronto econômico à moderação política, enquanto tentam resolver a fragmentação interna e a herança do bolsonarismo

Bruno Goulartpor Bruno Goulart em 2 de janeiro de 2026
Direita busca discurso econômico e unidade mínima para enfrentar Lula em 2026
Consolidação de Lula como favorito impõe um dilema estratégico aos principais nomes da direita. Foto: Clauber Cleber Caetano, Edilson Rodrigues/Agência Senado, Rovena Rosa/ABr e Lula Marques/ABr

Bruno Goulart

A consolidação de Lula da Silva (PT) como favorito à reeleição, apontada por pesquisas e por análises internacionais, impõe um dilema estratégico aos principais nomes da direita brasileira que miram o Palácio do Planalto em 2026. De um lado, dados econômicos relativamente favoráveis em 2025 — como a menor taxa de desemprego desde 2012 — fortalecem o discurso governista. De outro, a fragmentação do campo conservador e a indefinição sobre uma candidatura única dificultam a construção de uma narrativa competitiva contra o presidente.

Nesse contexto, governadores como Ronaldo Caiado (União Brasil), Ratinho Junior (PSD-PR), Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se movimentam de forma cautelosa, cada em busca de um caminho próprio para contrapor o desempenho do governo Lula e ocupar o espaço do eleitorado de direita e centro-direita.

A avaliação internacional reforça a ambiguidade do cenário. Enquanto a revista The Economist defendeu, em editorial, que Lula não deveria disputar a reeleição devido à idade, o Financial Times foi na direção oposta ao classificá-lo como favorito para vencer a eleição de outubro de 2026 caso não haja um problema de saúde. Para o jornal britânico, Lula se beneficia de uma economia robusta e de ter resistido a pressões externas, que incluem embates com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao longo de 2025.

Leia mais: Esquerda se movimenta em Goiás e avalia caminhos oferecer palanque forte a Lula em 2026

Ao mesmo tempo, pesquisas como a Genial/Quaest indicam que Lula venceria, se a eleição fosse hoje, Flávio Bolsonaro, Ratinho Júnior e Tarcísio de Freitas no segundo turno. Esses números funcionam como um balde de água fria para a direita e ajudam a explicar a estratégia inicial de seus pré-candidatos: evitar confronto direto prematuro e apostar na erosão gradual do capital político do presidente.

Discurso econômico seletivo

Em primeiro lugar, a principal linha de ataque da direita tende a se concentrar na economia, mas de forma seletiva. Embora o desemprego tenha caído para 5,2% no trimestre encerrado em novembro de 2025, o pior resultado do Caged na geração de empregos para o mês de novembro desde 2020 — com queda de 19% na abertura de vagas formais — abre espaço para críticas. Governadores como Caiado e Ratinho Júnior devem enfatizar temas como juros elevados, desaceleração do emprego formal e dificuldades fiscais futuras para tentar contrapor a narrativa positiva do Planalto.

Além disso, há a aposta de que o eleitor médio responde mais à percepções do cotidiano do que a indicadores macroeconômicos. Nesse sentido, a direita deve insistir em pautas como custo de vida, crédito caro e sensação de estagnação da renda, mesmo diante de números oficiais favoráveis.

Perfis distintos, estratégias distintas

Ronaldo Caiado busca se apresentar como um nome de perfil conservador tradicional, com forte discurso de segurança pública e gestão estadual, ao tentar dialogar tanto com o bolsonarismo quanto com setores mais moderados. Ratinho Júnior, por sua vez, aposta em um discurso tecnocrático, de eficiência administrativa e boa relação com o mercado, ao mirar o eleitor de centro-direita que rejeita a polarização extrema.

Já Tarcísio de Freitas ocupa uma posição estratégica: é visto como herdeiro potencial do bolsonarismo moderado, mas mantém pontes com o Centrão e o empresariado. Caso decida disputar a Presidência da República, sua estratégia tende a ser a de contraste suave com Lula — menos ideológica, mais gerencial —,  ao evitar ataques diretos que possam afastar eleitores de centro.

Flávio Bolsonaro, indicado pelo pai após o ex-presidente Jair Bolsonaro ficar inelegível e ser preso, enfrenta o maior desafio. Sua estratégia passa por herdar o capital político do bolsonarismo raiz, mas isso esbarra na resistência do Centrão e na dificuldade de ampliar sua base para além do eleitorado mais fiel ao ex-presidente. (Especial para O HOJE)

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