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sábado, 3 de janeiro de 2026
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OPINIÃO

Caiado tem 3 rotas: presidente, vice de Flávio/Tarcísio ou senador

Governador de Goiás está sendo traído pelos adesistas, mas continua tendo a liderança do agro e o discurso da segurança, ideais para quem deseja competir com a esquerda 

Nilson Gomespor Nilson Gomes em 3 de janeiro de 2026
Caiado
Caiado está com as três rotas, para presidente da República, vice de Flávio ou Tarcísio e senador. Pode escolher   Foto: André Saddi

No saidão de Natal, 1.868 criminosos do Rio de Janeiro saíram das penitenciárias direto para as ruas. O único compromisso: voltar até terça-feira, 30/12/2025. Até a tarde desta sexta-feira (2), 259 continuavam soltos, a maioria de facções: 23 dos Amigos dos Amigos, 39 do Terceiro Comando Puro e 150 do Comando Vermelho.

Você leu corretamente: 212 bandidos condenados integrantes das mais monstruosas facções saíram pela porta da frente das cadeias e estão por aí — só no RJ! Para quem podemos reclamar? Por isso é que o discurso da segurança pública domina o debate na sociedade. E o pré-candidato que encarna essa discussão começou o ano limpando as gavetas da memória, dispensando o que (e quem) não presta, refazendo os cálculos para seguir em frente, seja concorrendo ao Palácio do Planalto (sede do Poder Executivo federal), ao Palácio do Jaburu (onde fica o vice-presidente da República) ou ao Senado. Leia até o fim para entender a ligação.

O perigo mora ao lado… não apenas no futebol

O concorrente que significa o oposto dos saidões é o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que “sobreviveu a 2025 apunhalado pelos adesistas que desejam agradar a Deus e ao diabo na terra do Sol”, como definiu a O HOJE um de seus auxiliares fiéis. Os maiores adversários de Caiado sempre foram os que ele mantém a seu redor.

Por isso, mais uma vez, saem de sua proximidade os elementos que o distanciam de ser presidente da República. Seu partido, um saco de gatos chamado União Brasil, consegue torcer ao mesmo tempo para o atacante do Flamengo e o goleiro do Fluminense, para Palmeiras e Corinthians, Vila e Goiás, Vitória e Bahia, Inter e Grêmio, Remo e Paysandu, Galo e Cruzeiro, Lula e Bolsonaro. 

Onde entra o neto de ACM

Olhe o exemplo do futebol aplicado na politicagem. Caiado e ACM Neto eram unha e cutícula na Câmara dos Deputados. Em 2003, quando Neto chegou a Brasília eleito pela Bahia, seu tio Luís Eduardo Magalhães havia morrido e o avô, de quem herdou o nome, estava voltando para o Senado. A empatia foi imediata.

A dupla se tornou inseparável, apesar da diferença de idade (30 anos) e altura (36cm). Metade das brigas e inimizades que Caiado arrumou no Congresso se deve a Neto. Por isso, foi uma surpresa quando se soube da luta para fazer o ex-prefeito de Salvador ir ao lançamento da pré-candidatura do amigo à Presidência da República, em sua cidade, há nove meses. Ingratidão é inerente ao ser humano, mas não pode chegar a nível tão rasteiro.

Difícil se eleger governador da Bahia

Agora, soube-se que Neto, em vez de combater a libertação de criminosos condenados, está querendo ganhar na marra o Governo da Bahia. Será difícil, pois duas das maiores lideranças da esquerda, o senador Jaques Wagner e o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, vão reforçar a chapa do governador Jerônimo Rodrigues. O trio de petistas contrapôs o favoritismo de Neto em 2022 e o derrotou. Agora, além de pisoteado pelas urnas, corre o risco de sair como algoz da direita.

O grupo de Caiado internamente no União Brasil é o mesmo de Neto, mas não bastariam os dois no enfrentamento ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O partido deveria se juntar no País inteiro, registrar logo no Tribunal Superior Eleitoral a federação com o PP e obrar o milagre de reunir toda a direita, ao menos no 2° turno. É o que Caiado deseja, não o que se desenha. O próprio presidente da federação e do PP, o senador Ciro Nogueira (PI), é contra a pré-candidatura de Caiado. As siglas alinhadas ideologicamente com UB e PP formam algo superior a tudo, o Centrão, que está em todos os lugares e todos os governos. 

Centrão não é de direita nem de esquerda, é de cargos e emendas

O Centrão está fora da briga, seja por eleição, seja para trancafiar os faccionados na cadeia. Sua luta é por cargos e emendas ao Orçamento. Então, Caiado não pode contar com seu partido, nem com a federação de que seu partido faz parte, nem com o agrupamento que se poderia chamar de direita, mas em verdade é o Centrão.

Chegou a hora de falar o que não se quer ouvir 

ACM, o original, repetia que só é forte na corte (a política nacional) quem é forte na província (as urnas regionais). ACM, o herdeiro, é fraco em ambas, inclusive a municipal, pois se tivesse concorrido com seu apadrinhado Bruno Reis teria perdido para prefeito de Salvador em 2024. Caiado tem na faixa de 90% de aprovação e, ao contrário de Neto, ganhou duas de governador no 1° turno e é favorito a senador.

Caiado
Caiado é um político prático. Sabe que o cargo nº 1 é mais unção que esforço, é mais destino que articulação
Foto:Divulgação/União Brasil

Os partidários de Ronaldo Caiado se recusam a tratar com ele qualquer proposta eleitoral que não seja a Presidência da República, pois tem sido peremptório, só aceita mudar do Palácio das Esmeraldas para o Palácio da Alvorada, a moradia oficial do chefe do Executivo brasileiro. Só que Caiado é um político prático. Sabe que o cargo nº 1 é mais unção que esforço, é mais destino que articulação. Portanto, não depende apenas dele, mas de uma conjuntura nem sempre favorável. Há duas semanas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) esteve em Goiânia e muito se murmurou sobre alianças para a eleição estadual. Errado. A intenção de Flávio era sair de Goiás com o apoio de Caiado, de preferência confirmando-o como vice em sua chapa. O governador reafirmou-se concorrente à cabeça do cachorro, nem quis discutir o rabo da onça.

Porém, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também gostaria de ter Caiado como vice. Ciro Nogueira sonha dia e noite com essa oportunidade, que Caiado teria quando quisesse — ou terá quando e se quiser.

Os governadores de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), também permanecem no páreo e conhecem o potencial de Caiado como representante do agro e das soluções em segurança pública.

O último período em que Caiado ficou sem mandato foi entre 1995 e 1998, após perder a eleição para governador. Recusou cargos na administração de Fernando Henrique Cardoso, de quem seria aliado na volta à Câmara dos Deputados. Caiado está com as três rotas, para presidente da República, vice de Flávio ou Tarcísio e senador. Pode escolher. Só seria surpresa se preferisse continuar no cargo de governador até 31 de dezembro, única forma de amanhecer 2027 sem mandato.

 

 

 

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