O Hoje, O Melhor Conteúdo Online e Impresso, Notícias, Goiânia, Goiás Brasil e do Mundo - Skip to main content

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026
Publicidade
crise pode afetar Goiás

Petróleo, inflação e investimentos: como a crise na Venezuela pode afetar Goiás

Captura de Nicolás Maduro pressiona mercado do petróleo e pode elevar custos de combustíveis, logística e produção agropecuária no estado

Renata Ferrazpor Renata Ferraz em 5 de janeiro de 2026
Petroléo
Foto: Paolo Stefano/Agência Senado

A confirmação da captura do líder venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, na madrugada deste sábado (3), desencadeou fortes repercussões políticas e econômicas em toda a América do Sul, principalmente referente ao petroléo. A ofensiva militar em Caracas, que deixou ao menos 40 mortos, dividiu o Congresso Nacional e elevou o nível de tensão geopolítica na região. No campo econômico, os reflexos já começam a ser monitorados com atenção e Goiás está entre os estados mais sensíveis a esse novo cenário.

Enquanto parlamentares da direita brasileira celebram a ação norte-americana, setores da esquerda classificam o episódio como uma violação grave da soberania venezuelana. Paralelamente ao embate político, o mercado internacional reage com cautela diante da instabilidade em um país que ocupa posição central no tabuleiro energético global.

Petróleo no centro da instabilidade

A Venezuela concentra a maior reserva comprovada de petróleo do planeta, estimada em 303 bilhões de barris, o equivalente a cerca de 17% das reservas globais, segundo a Administração de Informação Energética dos Estados Unidos (EIA). Em meio ao conflito, cresce o temor de sanções econômicas mais severas, restrições às exportações e redução da oferta global da commodity.

Mesmo sob sanções anteriores, investigações apontavam que o país ainda conseguia escoar parte de sua produção por canais paralelos. Com o agravamento da crise, essa oferta tende a diminuir, pressionando os preços internacionais do petróleo e, consequentemente, dos combustíveis.

O economista Luiz Carlos Ongaratto avalia que ainda é cedo para uma leitura definitiva, mas destaca fatores-chave que precisam ser acompanhados.
“A economia de Goiás é fortemente baseada na exportação de commodities. Se houver uma escalada global do conflito, pode ocorrer fuga de capitais para mercados considerados mais seguros, como os Estados Unidos, afetando diretamente o câmbio e os custos internos”, explica.

Diesel mais caro e impacto direto em Goiás

Para Goiás, o principal risco imediato está na elevação do preço do diesel. O economista Leonardo Ferraz chama atenção para a dependência logística do estado. “Goiás depende fortemente do transporte rodoviário. Os custos logísticos já são elevados e qualquer alta no diesel reflete rapidamente nos preços finais para consumidores e produtores rurais”, afirma.

Segundo ele, um conflito prolongado pode gerar sanções econômicas e reduzir a oferta global de petróleo, elevando o preço internacional. “Esse aumento define o custo de referência do diesel, especialmente para importações. A Petrobras reajusta seus preços considerando o mercado internacional, o câmbio e a concorrência com o diesel importado. Em sequência, distribuidoras e postos repassam esse custo ao consumidor”, explica.

Leonardo ressalta que o diesel é um insumo estratégico para o agronegócio. “Tratores e colheitadeiras funcionam a diesel. Com o combustível mais caro, o custo por hectare aumenta, os fretes encarecem e a rentabilidade do produtor diminui. Isso reduz a competitividade de Goiás em relação a regiões com logística mais eficiente”, pontua.

Inflação, juros e investimentos sob pressão

A economista Greice Guerra reforça que o primeiro reflexo tende a ser inflacionário. “O aumento do preço do barril de petróleo pressiona os combustíveis, eleva a inflação e dificulta a redução da taxa Selic pelo Banco Central”, avalia. Segundo ela, o Comitê de Política Monetária (Copom) pode adotar postura ainda mais conservadora nas próximas reuniões, especialmente se as tensões persistirem até março.

Greice também alerta para o impacto sobre os investimentos. “O investidor internacional nem sempre diferencia risco Venezuela de risco América do Sul. Essa escalada aumenta a incerteza e afugenta capital estrangeiro, e o Brasil já carrega um histórico de insegurança econômica e jurídica”, afirma.

Reflexos sociais e diplomáticos

Além dos efeitos econômicos, a crise pode ampliar o fluxo migratório de venezuelanos para o Brasil. Goiás, que já recebe parte dessa população, pode enfrentar maior pressão sobre serviços públicos como saúde, educação e segurança.

No campo diplomático, a economista aponta um cenário delicado. A relação histórica entre o presidente Lula e Nicolás Maduro pode tensionar o diálogo com o governo de Donald Trump, abrindo espaço para retaliações comerciais e novas taxações sobre produtos brasileiros.

Nas primeiras 24 horas após a captura de Maduro, o mercado financeiro já observa atentamente o comportamento do dólar, do petróleo e das bolsas internacionais. Para os economistas, o momento exige cautela e monitoramento constante. Em Goiás, os impactos tendem a aparecer principalmente no custo dos combustíveis, na inflação e na perda de competitividade econômica, caso a crise se prolongue.

Leia mais: Safra 2024/25 bate recordes em Goiás e fortalece o agronegócio

Siga o Canal do Jornal O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do Jornal O Hoje.
Tags:
Veja também