Groenlândia “escolhe a Dinamarca” e volta a rejeitar os EUA
Premiê groenlandês reafirma rejeição as declarações do líder norte-americano de anexar a ilha aos EUA
A Groenlândia reafirmou publicamente, na quarta-feira (13), que “escolhe a Dinamarca” e rejeitou qualquer possibilidade de integração aos Estados Unidos, em meio à escalada de declarações do presidente norte-americano Donald Trump sobre a ilha. Em coletiva de imprensa realizada em Copenhague, o primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, afirmou que a posição do governo é clara diante das ameaças feitas por Washington.
“Há uma coisa que precisa ficar clara para todos: a Groenlândia não quer pertencer aos Estados Unidos. A Groenlândia não quer ser governada pelos Estados Unidos. A Groenlândia não quer fazer parte dos Estados Unidos”, declarou Nielsen, ao comentar as falas recentes do republicano. O premiê classificou como “completamente inaceitável” a pressão exercida por Trump, mas ressaltou que o governo pretende manter e fortalecer a cooperação em segurança no Ártico com os EUA, a Otan e a Europa.
Segundo Nielsen, o cenário tende a se tornar mais complexo nos próximos meses. Para ele, “há muitos indícios de que a parte mais difícil ainda está por vir”. As declarações foram feitas ao lado da primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen.

Trump diz que China e Rússia tem interesse na Groenlândia
O presidente dos EUA justifica a necessidade de integração da ilha afirmando que, caso Washington não intervenha, Rússia ou China poderiam ocupar a região. “Não podemos permitir que a Rússia ou a China ocupem a Groenlândia. É isso que elas farão se não agirmos. Portanto, tomaremos alguma providência em relação à Groenlândia, seja da maneira suave ou da maneira dura”, disse Trump na sexta-feira (8).
Diante desse cenário, o governo groenlandês declarou que não aceitará “sob nenhuma circunstância” a posse da ilha pelos EUA e anunciou que intensificará esforços para garantir sua defesa no âmbito da Otan. Em comunicado, o Executivo local afirmou que seis países da aliança demonstraram apoio à Groenlândia e reforçou que a ilha pretende “permanecer sempre como parte da aliança de defesa ocidental”.