Irã marca primeira execução de manifestante ligado a protestos contra o regime
Condenação à morte de manifestante ocorre em cenário de repressão e alerta da ONU
O Irã deverá executar nesta quarta-feira (14) o manifestante Erfan Soltani, detido por participação em atos contra o regime dos aiatolás na cidade de Karaj. A informação foi divulgada na terça-feira (13) pela organização humanitária curdo-iraniana Hengaw e reforça as denúncias de uso da pena de morte como instrumento de repressão às mobilizações no país.
De acordo com a entidade, as autoridades iranianas informaram à família de Soltani que a sentença de morte é definitiva. “O tratamento apressado e pouco transparente deste caso aumentou as preocupações sobre o uso da pena de morte como instrumento para reprimir protestos públicos”, afirmou a Hengaw.
A possível execução ocorre em um cenário de endurecimento da resposta do Estado iraniano às manifestações. O chefe do Judiciário, subordinado aos aiatolás e ao líder supremo Ali Khamenei, já havia anunciado a criação de tribunais especializados para julgar os manifestantes.

ONU afirma preocupação com manifestantes
Também nesta terça-feira, o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, afirmou estar “horrorizado” com a repressão das forças de segurança iranianas a manifestações pacíficas. Em comunicado, ele classificou como “extremamente preocupantes” as declarações de autoridades judiciais do país que mencionam a possibilidade de aplicação da pena de morte contra manifestantes por meio de processos acelerados.
Türk relatou ainda que hospitais no Irã estariam “sobrecarregados” devido ao número de feridos, incluindo crianças, em meio às mobilizações. “O assassinato de manifestantes pacíficos deve parar, e rotular manifestantes como ‘terroristas’ para justificar a violência contra eles é inaceitável”, afirmou.
Ao comparar a situação atual com os protestos de 2022, Türk disse que a resposta das autoridades tem sido marcada pelo uso de “força brutal” para conter reivindicações por mudanças.