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quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
MORTES EM HOSPITAL

Polícia Civil apura se técnico de enfermagem preso também tem relação com mortes em UTI pediátrica, no DF

Investigação já identificou três mortes no Hospital Anchieta; autoridades apuram atuação do suspeito e possíveis novas vítimas

Bia Salespor Bia Sales em 21 de janeiro de 2026
técnico de enfermagem
Marcela, Marcos e Amanda estão presos por suspeita de envolvimento nas mortes. (Imagem: Reprodução)

A Polícia Civil do Distrito Federal intensificou as investigações sobre as mortes de pacientes na UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF), e agora apura se o técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, também pode ter ligação com mortes em uma UTI pediátrica de um outro hospital particular da cidade.

Segundo a PC, Marcos Vinícius chegou a trabalhar nesta UTI infantil após ser demitido do Hospital Anchieta. A direção do centro médico suspeitou das circunstâncias das três mortes, entre 17 de novembro e 1º de dezembro. O caso chegou à Polícia Civil e, no último dia 11, Marcos Vinícius e outras duas técnicas de enfermagem que teriam auxiliado nos crimes foram presos.

De acordo com o delegado Wisllei Salomão, coordenador da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP), o técnico de enfermagem chegou a negar o crime em um interrogatório, mas confessou após ser confrontado com vídeos do circuito interno de segurança do hospital que mostram a ação.

Na delegacia, Marcela também negou o crime inicialmente, porém reconheceu ao ver as imagens e disse que se arrependia de não ter impedido o colega.

Mortes no Anchieta

As mortes, de acordo com a Polícia Civil, teriam sido causadas por injeções deliberadas de medicamentos em doses letais — e, em um dos casos, até de desinfetante — administradas na veia das vítimas.

Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo atuava como técnico de enfermagem há cerca de cinco anos. As investigações apontam que ele teria usado acessos médicos no sistema para prescrever substâncias e aplicar as doses diretamente nos leitos, em procedimentos que teriam causado paradas cardíacas nos pacientes.

As outras duas profissionais investigadas são Amanda Rodrigues de Sousa, de 22 anos, e Marcela Camilly Alves da Silva, de 28 anos. Ambas teriam auxiliado o técnico de enfermagem nas ações dos crimes, por exemplo, monitorando a porta para impedir a entrada de outros funcionários enquanto a aplicação das substâncias era feita.

Quem eram as vítimas

técnico de enfermagem
As vítimas são João Clemente Pereira, de 63 anos, Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos e Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos. (Imagem: Reprodução)

As três vítimas confirmadas pelas investigações do caso no Hospital Anchieta tinham perfis diferentes:

  • Miranilde Pereira da Silva, 75 anos, professora da rede pública do Distrito Federal;
  • João Clemente Pereira, 63 anos, servidor público e supervisor de manutenção da Caesb;
  • Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33 anos, carteiro e funcionário dos Correios.

As famílias foram notificadas sobre as circunstâncias das mortes, que começaram a ser investigadas após a percepção de piora súbita repetida no quadro clínico dos pacientes, situação que motivou a análise de câmeras de segurança e prontuários médicos, conforme resposta oficial da Polícia Civil e da própria instituição de saúde.

Novas frentes de investigação

Além de apurar a responsabilidade pelos três óbitos inicialmente identificados, a Polícia Civil trabalha para verificar a possível participação do técnico de enfermagem Marcos Vinícius, principal suspeito, ou de outros envolvidos em mortes de crianças, bem como eventuais atos semelhantes em outras unidades de saúde onde o trio tenha atuado anteriormente.

Posicionamentos

O Coren-DF (Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal) informou que acompanha o caso e adotará as providências disciplinares cabíveis, ressaltando o compromisso com a ética profissional e a segurança do paciente.

O Hospital Anchieta disse que “ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos na Unidade de Terapia Intensiva”, instaurou um comitê interno para investigar os casos e, a partir dos resultados, pediu a abertura de um inquérito policial. Confira a nota na íntegra:

“O Hospital Anchieta S.A., referência em cuidados de saúde em Brasília/DF há 30 anos, vem a público esclarecer as providências adotadas diante de fatos graves envolvendo ex-funcionários da instituição.

Ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua Unidade de Terapia Intensiva, o Hospital instaurou, por iniciativa própria, em cumprimento ao seu dever civil, ético e ao seu compromisso com a transparência, comitê interno de análise e conduziu investigação célere e rigorosa, que em menos de vinte dias resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes.

Com base nessas evidências, fruto da investigação interna realizada pela instituição, o próprio Hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos os quais já haviam sido desligados da Instituição, prisões as quais foram cumpridas pelas autoridades nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026.

Pautado pela transparência de seus processos e pela confiança nos protocolos internos que norteiam sua atuação, o Hospital entrou em contato com as famílias envolvidas, prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora. Reitera, ainda, que o caso tramita em segredo de justiça, o que impossibilita a divulgação de informações adicionais bem como a identificação das partes envolvidas.

O hospital entende que o segredo de justiça é imprescindível à preservação da apuração, à proteção das partes envolvidas e ao regular exercício das atribuições das autoridades competentes, o qual deve ser estritamente observado de acordo com os limites impostos pela decisão judicial.

O Hospital, enquanto também vítima da ação destes ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a justiça.”

Nós não conseguimos localizar a defesa dos três presos.

Leia mais: Polícia investiga ex-técnicos de enfermagem suspeitos de matar pacientes em hospital do DF

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