Goiás lidera ranking de hospitais públicos e realiza primeira cirurgia robótica do SUS no Centro-Oeste
Estado alcança, na área de hospital de excelência, a maior proporção por habitante no País e registra procedimento inédito em Rio Verde
O Estado de Goiás atingiu, neste ano, um marco na área da saúde pública brasileira. Em um curto período, a rede estadual passou a liderar o ranking nacional de melhores hospitais públicos por proporção populacional e registrou a primeira cirurgia robótica integralmente custeada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na região Centro-Oeste, procedimento realizado em um hospital do município de Rio Verde.
Os dois resultados evidenciam mudanças recentes na estrutura da assistência hospitalar oferecida no Estado, com a incorporação de tecnologias avançadas e a ampliação da capacidade de atendimento em serviços especializados. A realização de um procedimento de alta complexidade com financiamento público é apontada como um indicativo da expansão do escopo de atuação do Sistema Único de Saúde (SUS) em Goiás.
De acordo com a política adotada pelo governo estadual, os avanços estão associados a um processo de modernização e descentralização da rede pública de saúde. A estratégia tem como foco a interiorização de serviços especializados e a ampliação do acesso da população a tratamentos que, até então, estavam majoritariamente concentrados na rede privada e em grandes centros urbanos.
No dia 22 de janeiro, o Hospital Municipal Universitário (HMU) de Rio Verde realizou um feito inédito para o SUS no Centro-Oeste ao executar duas prostatectomias radicais com auxílio do robô cirúrgico Da Vinci. Os pacientes, diagnosticados com câncer de próstata, foram beneficiados por uma tecnologia que oferece maior precisão e segurança, além de proporcionar uma recuperação pós-operatória significativamente mais rápida.
A incorporação do sistema Da Vinci ao serviço público municipal posiciona Rio Verde como um novo polo de excelência em saúde. Segundo a administração local, o sucesso das cirurgias representa uma “nova era” para o sistema público, com potencial para reduzir complicações e o tempo de internação. O prefeito de Rio Verde, Wellington Carrijo, destacou que o avanço é fruto de planejamento e responsabilidade, reforçando que a população usuária do SUS merece acesso ao que há de melhor em tecnologia médica.
O marco registrado em Rio Verde ocorre simultaneamente à divulgação dos dados do Prêmio Melhores Hospitais Públicos do Brasil 2026, organizado pelo Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (Ibross), em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS). No levantamento, Goiás se destacou ao emplacar 10 unidades entre as 100 melhores do País, ocupando a segunda posição em números absolutos, atrás apenas de São Paulo.
Quando considerada a proporção populacional, entretanto, o Estado assume a liderança isolada no Brasil. Com cerca de 7,2 milhões de habitantes, Goiás possui um hospital de excelência para cada 720 mil cidadãos. Em São Paulo, considerando apenas a rede estadual como parâmetro de comparação direta, o índice é de uma unidade de excelência para cada 2,58 milhões de habitantes.
Entre as unidades goianas reconhecidas estão o Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi (HGG), o Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol) e o Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad), todos em Goiânia; o Hospital Estadual do Centro-Norte Goiano (HCN), em Uruaçu; o Hospital Estadual de Santa Helena de Goiás (Herso), além de unidades localizadas em Aparecida de Goiânia, Luziânia e Trindade.
A relação entre o desempenho no ranking nacional e a realização da cirurgia robótica em Rio Verde está fundamentada em uma política pública de interiorização e modernização da saúde, e não apenas na força econômica da região sudoeste. Embora o sudoeste goiano seja reconhecido por sua pujança econômica impulsionada pelo agronegócio, os dados oficiais indicam que o principal motor desses avanços é o investimento estatal estruturado.
O governador Ronaldo Caiado e o secretário estadual de Saúde, Rasivel Santos, atribuem os resultados à eficiência da política de regionalização e ao aumento real dos investimentos públicos. Entre 2019 e 2025, os recursos anuais aplicados na saúde saltaram de R$ 2,6 bilhões para cerca de R$ 5,7 bilhões, totalizando R$ 29,9 bilhões no período. Em 2025, o Estado destinou 15,08% de sua receita para a área, percentual superior ao mínimo constitucional de 12%.
Essa capacidade financeira viabilizou a descentralização das UTIs, que antes se concentravam em Goiânia, Anápolis e Aparecida de Goiânia e passaram a estar presentes em 24 cidades, representando crescimento de 700% na cobertura geográfica.
Também permitiu a expansão da rede hospitalar estadual, que passou de 17 para 25 unidades, com aumento expressivo no número de leitos de UTI, de 267 para 848. Paralelamente, foram incorporadas inovações tecnológicas como prontuário eletrônico, telemedicina por meio do programa HGG Digital e equipamentos de última geração.
O anúncio de Daniel Vilela e o papel da modernização do Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi HGG
A cirurgia robótica em Rio Verde está alinhada à estratégia de modernização anunciada pelo vice-governador Daniel Vilela. No dia 15 de janeiro, ele inaugurou a reforma de 145 leitos no Hospital Estadual Alberto Rassi (HGG) e anunciou que a unidade será a primeira da rede pública estadual a oferecer cirurgia robótica em todas as suas especialidades.
O HGG recebeu investimentos de quase R$ 70 milhões para sua reestruturação e modernização. Além da previsão de aquisição de um robô cirúrgico, o hospital já incorporou tecnologias inéditas no SUS, como técnicas minimamente invasivas em coloproctologia com uso de lasers e sensores de monitoramento contínuo de glicose para pacientes diabéticos.
Para Vilela, a expertise acumulada por hospitais como o HGG permite a realização de cirurgias complexas que exigem equipes altamente especializadas, fator que tem contribuído diretamente para o posicionamento de Goiás nos rankings nacionais de qualidade assistencial e eficiência operacional.
Um dos pontos centrais que conectam o ranking de excelência ao marco histórico de Rio Verde é o compromisso com o caráter público do atendimento. As fontes reforçam que o procedimento realizado no município foi integralmente gratuito pelo SUS, rompendo com a lógica que restringia o acesso à cirurgia robótica apenas a pacientes com recursos para pagar pela rede privada.
O Ministério da Saúde também anunciou planos para a criação de uma Rede de Hospitais Inteligentes a partir de 2026, com investimentos previstos de R$ 1,7 bilhão via Banco dos BRICS, voltados à integração de inteligência artificial e cirurgias robóticas em larga escala no sistema público. Nesse contexto, Goiás, com uma rede regionalizada e bem avaliada, passa a ocupar posição de destaque na vanguarda da transformação digital e assistencial da saúde pública brasileira.