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terça-feira, 27 de janeiro de 2026
AGRONEGÓCIO

Agro impulsiona economia em 2025, mas entra em 2026 sob pressão fiscal e externa

Balanço da CNA aponta crescimento expressivo neste ano e alerta para juros altos, endividamento no campo e riscos no comércio global

Thais Munizpor Thais Muniz em 27 de janeiro de 2026
agro
Foto: Wenderson Araujo/CNA

O agronegócio teve participação decisiva na melhora dos principais indicadores econômicos do Brasil em 2025, segundo balanço divulgado nesta terça-feira pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Para 2026, no entanto, a entidade trabalha com um cenário mais cauteloso, marcado por incertezas internas, juros elevados, maior endividamento no campo e pressões externas que podem limitar o ritmo do setor.

De acordo com a CNA, a inflação deve fechar 2025 em 4,4%, influenciada principalmente pela redução dos preços dos alimentos ao longo do ano. O desempenho do agro aparece como um dos fatores centrais desse movimento. O Produto Interno Bruto (PIB) do setor deve registrar crescimento de 9,6% em 2025, com valor estimado em R$ 3,13 trilhões. Para 2026, a projeção indica desaceleração, com alta de apenas 1%.

No cenário macroeconômico, a entidade aponta a situação fiscal como um dos principais desafios. Com a taxa Selic em 15% e risco de descumprimento das metas estabelecidas, a avaliação é de que o governo pode buscar o equilíbrio das contas por meio do aumento da arrecadação, seja com maior fiscalização da Receita Federal ou com a criação de novas bases tributárias. Segundo a CNA, esse contexto tende a manter a atividade econômica em nível mais restrito no próximo ano.

Endividamento rural atinge maior nível em mais de uma década

O crédito rural aparece entre os pontos de maior preocupação. Em outubro, a inadimplência das operações com taxas de mercado chegou a 11,4%, o maior percentual desde 2011. Em 2023, o índice era de 0,59%, subindo para 3,54% em 2024. Para a CNA, o avanço está relacionado a fatores combinados, como problemas climáticos recorrentes, custos elevados de produção, queda nos preços das commodities, juros altos, retração do sistema bancário e ausência de instrumentos eficientes de gestão de risco.

A entidade também destaca o desempenho do seguro rural. Em 2025, a limitação de recursos resultou no pior resultado do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) desde 2007, com cobertura inferior a 5% da área agricultável do país.

Ao comentar o cenário projetado para 2026, o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues afirmou, para o podcast Agro em Debate, que o contexto de custos altos e preços mais baixos exige foco direto em produtividade. “O custo subiu muito e, do outro lado, o preço está baixo. Não existe solução mágica. A alternativa é produtividade”, disse. Segundo ele, produtores com desempenho acima da média tendem a manter resultados positivos, enquanto aqueles com produtividade menor enfrentam maior dificuldade. “É o mercado. O caminho envolve seguro rural, acordos comerciais, redução de custos, tecnologia e organização”, afirmou.

Safra cresce, mas pecuária entra em ciclo de ajuste

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que a safra 2025/26 deve alcançar 354,8 milhões de toneladas, crescimento de 0,8%. A produção de soja está estimada em 177,6 milhões de toneladas, alta de 3,6%. Já o milho da segunda safra deve registrar queda de 2,5%, enquanto o arroz tem previsão de recuo de 11,5%, com produção de 11,3 milhões de toneladas.

No Valor Bruto da Produção (VBP), a projeção para 2026 é de R$ 1,57 trilhão, avanço de 5,1% em relação a 2025. O segmento agrícola concentra a maior parte desse crescimento, com estimativa de alta de 6,6%.

Na pecuária, a CNA projeta retração. A produção de carne bovina deve cair 4,5% em 2026, após um ano marcado por forte abate de fêmeas. Em 2025, elas representaram 49,9% do total abatido, movimento que reduz a oferta de animais no ciclo seguinte e altera a dinâmica do mercado.

 

 

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