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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
envelhecimento feminino

Viver mais não garante qualidade de vida para mulheres no Brasil

Diferença na expectativa de vida expõe desafios da qualidade de vida feminina

Luana Avelarpor Luana Avelar em 28 de janeiro de 2026
qualidade de vida
Foto: iStock

As mulheres vivem mais do que os homens em praticamente todos os países, mas esse dado, frequentemente associado a progresso social, revela um paradoxo crescente quando analisado sob a ótica da qualidade de vida. No Brasil, informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a expectativa de vida feminina é cerca de sete anos superior à masculina. A longevidade, porém, vem acompanhada de maior tempo de convivência com doenças crônicas e limitações funcionais.

A vantagem feminina em termos de anos vividos começa ainda na infância. Estudos em saúde mostram que meninos apresentam maiores taxas de prematuridade e mortalidade precoce. Ao longo da vida, fatores biológicos também contribuem para a maior sobrevivência das mulheres, como a presença de dois cromossomos X, que oferece proteção genética adicional, e a ação do estrogênio, hormônio que ajuda a preservar o sistema cardiovascular, os ossos e a massa muscular, além de atuar no controle do colesterol.

O comportamento em saúde também influencia esse cenário. Mulheres tendem a procurar serviços médicos com maior regularidade, realizam exames preventivos com mais frequência e aderem de forma mais consistente aos tratamentos. Entre os homens, por outro lado, a exposição a acidentes, violência e ao consumo excessivo de álcool e tabaco segue como fator relevante de mortalidade precoce, sobretudo na juventude e na vida adulta.

Qualidade de vida e o envelhecimento feminino

Com o avanço da idade, entretanto, a qualidade de vida das mulheres passa a ser mais afetada. Doenças como osteoporose, artrose, dores crônicas, transtornos de ansiedade, depressão e diferentes formas de demência atingem o público feminino com maior incidência. Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que as mulheres passam mais anos da vida convivendo com algum grau de incapacidade funcional em comparação aos homens.

No Brasil, esse quadro é atravessado por desigualdades sociais persistentes. Mulheres negras e de baixa renda enfrentam obstáculos adicionais no acesso a acompanhamento especializado, reabilitação e cuidados contínuos na velhice, o que amplia disparidades e compromete ainda mais a qualidade de vida ao longo do envelhecimento.

Especialistas em saúde pública destacam que transformar o aumento da longevidade em bem-estar exige políticas estruturadas de prevenção, incentivo à atividade física, atenção à saúde mental e acompanhamento médico contínuo desde a vida adulta. Viver mais é uma conquista, mas garantir qualidade de vida na velhice permanece como um dos principais desafios do envelhecimento feminino no país.

Leia também: https://ohoje.com/2026/01/27/consumo-de-medicamentos-psiquiatricos/

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