Relógio do Juízo Final registra 85 segundos para meia-noite e alerta para maior risco global da história
“Bulletin of the Atomic Scientists” avança ponteiros pelo quarto ano seguido, citando tensões nucleares, mudanças climáticas e avanço descontrolado da inteligência artificial como principais ameaças
Nesta terça-feira (27), o Relógio do Juízo Final foi ajustado para 85 segundos antes da meia-noite, o menor tempo registrado desde a criação da ferramenta em 1947 pelo Bulletin of the Atomic Scientists (Boletim dos Cientistas Atômicos).
O relógio — também conhecido como Doomsday Clock — é um indicador simbólico que mostra o quão perto a humanidade está de uma catástrofe global causada por ameaças humanas.
Os cientistas Daniel Holtz, Steve Fetter, Inez Fung, Asha M. George, John B. Wolfstal, Alexandra Bell e Maria Ressa, decidiram a respeito do horário deste ano.
Para estabelecer o tempo deste ano, alguns fatores foram analisados, como os conflitos envolvendo os Estados Unidos,durante o governo de Donald Trump, como o bombardeio no Irã e a prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa durante uma operação. Além da inquietação em meio à obsessão de Trump pelo controle da Groenlândia, entre os EUA e os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

O grupo também faz referência ao comportamento agressivo de potências nucleares como a Rússia e a China, que aumenta ameaças de possível desgaste global, e dos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio.
Entre os conflitos, existe a preocupação sobre o avanço da inteligência artificial e as possíveis consequências para a sociedade. A presidente do Bulletin of the Atomic Scientists, Alexandra Bell, afirma que a análise dos cientistas é preocupante.
“Cada segundo conta e estamos ficando sem tempo. É uma verdade difícil, mas essa é a nossa realidade. Este é o ponto mais próximo da meia-noite que o nosso mundo já esteve.” declarou.
Relógio do Juízo Final
O Relógio do Juízo Final ou Relógio do Apocalipse é uma metáfora do quão próxima está a humanidade da autodestruição. Pela proximidade dos ponteiros à meia-noite, o fim do mundo estaria mais próximo.
A cada ano, a Junta de Ciência e Segurança do Boletim dos Cientistas Atômicos, em conjunto com seus patrocinadores, entre eles 11 laureados com o Prêmio Nobel, decide se os ponteiros do simbólico Relógio do Juízo Final devem ser reposicionados. A avaliação considera o nível de ameaça global enfrentado pela humanidade.
Criado em 1947, logo após a Segunda Guerra Mundial, o relógio marcou inicialmente sete minutos para a meia-noite. Em 1991, após o fim da Guerra Fria, atingiu sua marca mais distante do chamado “apocalipse”, ao registrar 17 minutos para a meia-noite.
Todos os anos, o anúncio chama atenção para a complexa rede de riscos globais, que inclui armas de destruição em massa, crises ambientais e o avanço de tecnologias consideradas potencialmente perigosas para o futuro da humanidade.
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