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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
Financeiro

Copom inicia o ano sob expectativa de manutenção da Selic em 15%

Mesmo com inflação em desaceleração e dólar em queda, Banco Central adota postura cautelosa diante da pressão dos preços de serviços

Renata Ferrazpor Renata Ferraz em 29 de janeiro de 2026
Selic
Mesmo com inflação em desaceleração e dólar em queda, Banco Central adota postura cautelosa diante da pressão - Foto:Marcello Casal Jr/Abr

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (28) para a primeira decisão de juros de 2026, em um cenário marcado pela desaceleração da inflação, mas ainda com focos de pressão relevantes. 

Apesar da recente queda do dólar e de sinais de arrefecimento da atividade econômica, a expectativa predominante do mercado é de que a taxa Selic seja mantida em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas.

Atualmente, a taxa básica está no nível mais elevado desde julho de 2006, quando alcançou 15,25% ao ano. Entre setembro de 2024 e junho de 2025, o Copom promoveu sete altas consecutivas, interrompendo o ciclo nas quatro últimas reuniões. 

Na ata divulgada em dezembro, o colegiado indicou que os juros devem permanecer elevados por um período prolongado, como forma de garantir a convergência da inflação à meta.

A decisão será anunciada no início da noite desta quarta-feira e ocorre em um contexto institucional atípico. O Copom está desfalcado após o término dos mandatos dos diretores Renato Gomes e Paulo Pichetti, cujas substituições só devem ser indicadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a retomada dos trabalhos do Congresso, em fevereiro.

Selic em foco: Copom sinaliza cautela

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Embora o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) tenha registrado alta de apenas 0,2% em outubro, acumulando 4,5% em 12 meses, o Banco Central avalia que o comportamento da inflação ainda exige prudência. Preços de serviços seguem pressionados, reflexo de um mercado de trabalho resistente, mesmo com sinais de desaceleração econômica.

Segundo o boletim Focus mais recente, a projeção de inflação para 2025 caiu para 4,4%, ligeiramente abaixo do teto da meta contínua, que é de 4,5%. Ainda assim, analistas acreditam que o Copom deve aguardar maior consolidação desse movimento antes de iniciar um ciclo de cortes. 

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Juros elevados encarecem o crédito e desestimulam o consumo, ajudando a conter preços, mas também limitam o crescimento econômico.

Leia mais: Agro impulsiona economia em 2025, mas entra em 2026 sob pressão fiscal e externa

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