Goiás passa a oferecer Emicizumabe pelo SUS para crianças com hemofilia
Medicamento de alto custo reduz sangramentos em mais de 90 por cento e pode gerar economia anual de até R$ 427 mil por família
A Rede Estadual de Serviços Hemoterápicos (Rede Hemo) passa a disponibilizar o medicamento Emicizumabe para crianças de zero a seis anos diagnosticadas com hemofilia em Goiás. A primeira remessa do fármaco foi entregue pelo Ministério da Saúde no dia 27 de janeiro. De alto custo, o medicamento pode chegar a R$ 35 mil por dose, o que representa uma economia anual estimada em até R$ 427 mil por família, considerando a aplicação mensal.
Indicado para o tratamento da hemofilia A, uma doença genética que provoca distúrbios na coagulação do sangue e causa sangramentos frequentes, o Emicizumabe já era ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças com hemofilia A congênita com inibidor. Com a ampliação, o medicamento passa a atender todas as crianças de até seis anos por meio da Rede Hemo. A medida foi aprovada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) em dezembro de 2025.

Sobre o medicamento Emicizumabe
Em Goiás, nove pacientes estão aptos a receber o tratamento, sendo que seis já foram cadastrados. De acordo com a médica hematologista pediatra da Rede Hemo, Alexandra Vilela, o Emicizumabe é administrado por via subcutânea, diferentemente da terapia convencional com fator VIII, que exige infusões venosas frequentes. O medicamento reduz em mais de 90% os episódios de sangramento, diminui internações, previne sequelas articulares e promove melhora significativa na qualidade de vida das crianças e de suas famílias.
Segundo a especialista, o tratamento tradicional requer múltiplas aplicações semanais devido à curta meia-vida do fator VIII. Já o Emicizumabe, por ser um anticorpo monoclonal que mimetiza a ação do fator VIII natural, permanece por mais tempo na corrente sanguínea, permitindo aplicações semanais ou até mensais, conforme o esquema terapêutico. As crianças elegíveis serão convocadas para consulta médica e acompanhamento multiprofissional, com treinamento dos pais ou responsáveis para a administração correta do medicamento, que será fornecido pelo Ministério da Saúde.
“Haverá acompanhamento da equipe de enfermagem e da farmácia, além do treinamento dos pais ou responsáveis para a administração correta da medicação, que será fornecida pelo Ministério da Saúde”, conclui.
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