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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
Custo de vida 

Renda do trabalhador avança, mas segue distante do custo básico no Brasil

Mesmo com alta real em 2025, renda do trabalhador cobre menos de um quarto do valor estimado como mínimo para sustentar uma família

Luana Avelarpor Luana Avelar em 30 de janeiro de 2026
Renda do trabalhador
Foto: iStock

A renda do trabalhador brasileiro atingiu R$ 3.613 no trimestre encerrado em dezembro de 2025, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE), marcando o maior valor da série recente. O avanço, no entanto, contrasta com o custo mínimo necessário para a manutenção de uma família no país, estimado em R$ 7.106,83 pelo Dieese, evidenciando um descompasso persistente entre rendimento e custo de vida.

Na prática, a renda do trabalhador cobre pouco mais de 23% do valor considerado essencial para despesas básicas, como alimentação, moradia, transporte, saúde e educação. O dado relativiza a leitura otimista sobre a recuperação do mercado de trabalho e expõe limites estruturais da melhora observada nos indicadores oficiais.

Renda do trabalhador cresce, impulsionada por emprego e formalização

Em relação ao mesmo trimestre de 2024, a renda média real avançou 5%. No acumulado de 2025, o crescimento foi de 12%, partindo de R$ 3.440. Segundo o IBGE, o desempenho reflete a expansão da população ocupada, o aumento da formalização e reajustes salariais acima da inflação em parte do ano.

O cenário de emprego reforça essa trajetória. A taxa de desocupação ficou em 5,1% no trimestre encerrado em dezembro, o menor nível desde o início da série histórica, em 2012. Na média anual, o desemprego recuou de 6,6% em 2024 para 5,6% em 2025. A massa de rendimentos reais pagos aos trabalhadores chegou a R$ 367,6 bilhões, com alta de 6,4% em um ano.

Apesar disso, o avanço da renda do trabalhador não tem sido suficiente para compensar a pressão exercida por despesas fixas, especialmente entre famílias de menor renda.

Custo de vida

O cálculo do salário mínimo necessário, feito pelo Dieese, considera o preço da cesta básica mais cara do país e projeta os gastos de uma família composta por dois adultos e duas crianças, conforme parâmetros constitucionais. O valor inclui despesas com alimentação, habitação, transporte, vestuário, saúde, educação, higiene, lazer e previdência.

Para 2026, o salário mínimo oficial previsto é de R$ 1.621 — menos de um quarto do valor estimado como necessário. A diferença entre os dois patamares supera R$ 5.400, o que ajuda a explicar por que mesmo trabalhadores formalizados seguem enfrentando dificuldades para equilibrar o orçamento doméstico.

Economistas apontam que itens como aluguel, alimentação e transporte continuam comprometendo parcela elevada da renda do trabalhador, limitando ganhos reais de bem-estar. Assim, embora o mercado de trabalho apresente sinais consistentes de recuperação, a renda ainda não acompanha o patamar mínimo exigido para a reprodução das condições de vida da maioria das famílias brasileiras.

Leia também: https://ohoje.com/2026/01/28/pessoas-trans-no-brasil/

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