Três possíveis caminhos para o PL de Wilder após reunião com Bolsonaro
Presidente estadual da sigla defende candidatura própria ao governo, mas reunião com ex-presidente pode definir outro caminho, inclusive o de declarar apoio a Daniel
Viralizou o discurso do senador e pré-candidato ao Governo de Goiás, Wilder Morais (PL), durante encontro promovido pelo Rota 22, projeto nacional do partido construído com o intuito de aproximar a população dos projetos da organização e que, por sinal, é um espaço que possibilita diversas movimentações políticas. O senador, que é presidente do diretório estadual do PL, utilizou o encontro no último sábado (7), em Buriti Alegre, para reafirmar a pré-candidatura própria da legenda para disputar o Palácio das Esmeraldas.
A decisão de Wilder de insistir em não abrir mão de campanha própria para o Governo do Estado e de não optar por fazer aliança com outros partidos pode estar estar sob risco. A reunião do senador com o ex-presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), que cumpre pena no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, por tentativa de golpe de Estado, pode definir os rumos eleitorais do PL em Goiás.

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Reunião decisória
A visita está prevista para ocorrer no próximo sábado (14), apenas dois dias após a possível reunião do senador, pré-candidato ao Palácio do Planalto e primogênito do ex-presidente, Flávio Bolsonaro (PL), com o pai.
A conversa entre pai e filho deve girar em torno das disputas regionais que envolvem o PL em Estados como Goiás, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A previsão é que Flávio sinalize a partidos do Centrão o interesse de montar chapas a fim de disputar cadeiras no Senado, uma das prioridades do partido e estratégia defendida por Bolsonaro.
Assim, cabe destacar que é um desafio para Wilder tentar interferir na possibilidade de formação de chapa para o Senado composta pela primeira-dama de Goiás, Gracinha Caiado (UB), juntamente com o deputado federal bolsonarista Gustavo Gayer (PL).

De acordo com informações de bastidores, existe a possibilidade de aliança do PL com determinados partidos que compõem o Centrão, como o MDB, o UB e o PSD. A expectativa é que Flávio e Bolsonaro estejam à favor da desistência de Wilder em disputar o Governo de Goiás e orientem o diretório estadual do partido a apoiar a campanha do vice-governador Daniel Vilela (MDB) na disputa pelo Palácio das Esmeraldas.
Alternativas para o PL de Wilder
São três os cenários que estão postos a se formar como resultado da conversa entre Wilder e Bolsonaro no próximo sábado (14). O primeiro é a desistência de Wilder da disputa pelo Governo Estadual, seguido do apoio de seu partido à pré-candidatura do vice de Caiado e a indicação ao Senado, ao lado de Gracinha, do nome de Gayer.
A segunda alternativa é o lançamento do deputado federal para disputar o Executivo estadual. Já a terceira seria a manutenção da pré-candidatura própria do PL ao Palácio das Esmeraldas, com Wilder ao governo e Gayer a senador pelo partido.
Situação semelhante ocorre em Minas Gerais, onde uma ala do PL deseja que o deputado federal bolsonarista Nikolas Ferreira (PL) seja candidato a senador, mas o parlamentar prefere disputar a reeleição à Câmara dos Deputados.

Também há membros do partido que cogitam o nome de Nikolas para o Governo de Minas. Porém, mesmo diante dessa possibilidade, o deputado, que completa 30 anos em 2026, reafirma seu interesse na reeleição à Casa Baixa do Congresso.
Partido dividido
Analistas políticos avaliam que, atualmente, o PL goiano se encontra dividido entre um grupo liderado por Gayer, que apoia a pré-candidatura de Daniel, e outra ala, que vê como mais importante a montagem de chapa própria no Estado para apoiar a disputa de Flávio Bolsonaro ao Planalto.
Ao considerar esses pontos, o cientista político Lehninger Mota analisa, em entrevista ao O HOJE, a posição de Caiado frente à atual conjuntura do PL em Goiás. “No meio disso tudo, tem o Ronaldo Caiado (PSD), que articula o apoio do PL a Daniel Vilela, porque seria, em tese, uma eleição bem mais fácil e com a probabilidade do vice-governador ganhar no primeiro turno.”

Já o sociólogo Jones Matos fala sobre a busca de pré-candidatos do PL pelas opiniões de Bolsonaro sobre as disputas eleitorais. “Na medida em que a Papudinha virou uma espécie de comitê e escritório político de Bolsonaro, todas as forças políticas da extrema direita brasileira vão visitá-lo e ouví-lo para que o mesmo possa dar as cartas do partido e fazer indicações tanto na chapa majoritária para a presidência, quanto nos Estados”, observa o sociólogo. (Especial para O HOJE)