Base de Daniel pode recalcular rota modificada por Wilder e Bolsonaro
Daniel possui apoio de parte do PL, mas o ex-presidente destaca a necessidade de palanque forte para Flávio, ainda mais em Goiás
O caminho a ser percorrido pelo vice-governador Daniel Vilela (MDB) como pré-candidato ao Governo de Goiás começa a ser redesenhado após o aval do ex-presidente Bolsonaro (PL) à pré-candidatura ao Palácio das Esmeraldas do senador e presidente estadual do Partido Liberal (PL) em Goiás, Wilder Morais (PL).
O ex-mandatário da República ainda é tido como o maior líder da direita no Brasil e tem interferido significativamente nas movimentações políticas em torno das decisões de líderes do PL e da direita no geral no que diz respeito à escolha dos nomes mais cotados para a Presidência da República, Executivos estaduais e alternativas para o Senado.

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E por falar em casa Alta do Congresso, sabe-se que o deputado federal e bolsonarista Gustavo Gayer (PL) se encontra em uma situação embaraçosa devido ao seu interesse de apoiar Daniel Vilela para ter mais chance de êxito na disputa por uma cadeira no Senado em uma chapa formada juntamente com a primeira-dama Gracinha Caiado (UB), companheira do governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD).
Com o apoio de Bolsonaro à decisão de uma candidatura própria do partido para o Governo do Estado, Gayer terá dificuldades para manter o seu objetivo de concorrer ao Senado junto com Gracinha, pois isso vai contra os princípios do PL no Estado que é o de não direcionar apoio à base do Governo em Goiás.

Aliados de Daniel confirmaram ao O HOJE que o cenário em que o emedebista está inserido está dependente de determinadas variáveis e uma delas é a tentativa de ganho de apoio do PL com foco na ampliação da popularidade do vice de Caiado que detém boa parte dos prefeitos do Estado à seu favor, inclusive de gestores aliados do PL, como é o caso de Márcio Corrêa (PL), prefeito de Anápolis, e de Carlinhos do Mangão (PL), prefeito de Novo Gama, município que compõe o Entorno do Distrito Federal, região estratégica eleitoralmente.
Aliança inviável
Fontes próximas a Daniel avaliam que em uma eventual aliança entre base do Governo com o PL, Caiado deve ter um olhar mais atento às chapas proporcionais para que não haja nenhum prejuízo quanto a isso.
Em contrapartida, aliados do Governo afirmam que o PSD deve se fortalecer na medida em que Caiado conseguir ascensão dentro da sigla como líder partidário e como um nome presidenciável.

A avaliação é que após o dia 15 de abril, com a definição da situação do governador no PSD, deve haver a consolidação do pré-candidato à Presidência no partido de Kassab como o nome escolhido para concorrer ao Planalto por conta de sua experiência e pelo nível de aprovação que o mesmo alcançou durante a gestão como chefe do Executivo goiano.
Olhar atento
Aliados de Daniel dizem que o vice-governador está ciente de todas as movimentações que compõem o atual cenário político que sua pré-candidatura está inserida e também tem noção dos nomes que necessitam de avaliação para compor nominata tanto para deputado estadual quanto federal, além da definição de opções que possuem potencial para disputarem cargos eleitorais no Congresso.

Analistas políticos acreditam que o encontro entre Wilder e Bolsonaro é decisivo para o senador e também para Daniel, assim como para os respectivos partidos aliados às siglas dos pré-candidatos ao Palácio das Esmeraldas, pois com o resultado dessa conversa é possível traçar as possíveis rotas a serem percorridas pelos dois concorrentes ao Governo.
Ausência de aliança
A análise é que o incentivo do ex-presidente para que Wilder mantenha a pré-candidatura ao Executivo estadual marca o desfecho de uma ala do PL, liderada por Gayer, que aposta na coligação da sigla comandada por Wilder com partidos da base.

Isso mexe as peças do tabuleiro político e modifica o trajeto de Daniel que, inclusive, deve redobrar os cuidados com o PL no Estado sob o risco de, em um eventual segundo turno com o ex-governador e adversário Marconi Perillo (PSDB), Wilder decidir apoiar o tucano e tornar viável um cenário negativo para o emedebista.