Com direita dividida, PT busca união na escolha do candidato ao governo
“Nós também vamos apresentar o nosso nome à frente progressista e receber os que estão sendo sugeridos para compor a chapa”, diz Adriana Accorsi
Estima-se que a passagem do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL), por Goiânia na semana passada provoque influência na conjuntura que o PT e a esquerda goiana se encontram no Estado. A sigla ainda não se manifestou de forma definitiva sobre qual nome vai escolher como pré-candidato a governador.
A legenda presidida em Goiás pela deputada federal Adriana Accorsi está entre quatro pré-candidatos ao Executivo estadual. São eles o vereador licenciado Edward Madureira, o ex-deputado estadual Luis César Bueno, o advogado Valério Luiz Filho e o jornalista Cláudio Curado.

Em meio à indefinição do PT, Cíntia Dias, presidente do PSOL goiano, lançou sua pré-candidatura ao Governo de Goiás. O nome de Cíntia é discutido pelas federações PSOL-Rede e Brasil da Esperança, que é composta pelo PT, PCdoB e PV, para ser o nome da bancada de Lula na disputa pelo Palácio das Esmeraldas.
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“O PT e o PSOL já fizeram parceria antes, propus ao PT a mesma dobradinha e senti que houve um acolhimento para participarmos, juntos, do debate sobre as estratégias e ações concretas para derrotar a extrema direita e fortalecer o caminho para a reeleição do presidente Lula em 2026”, afirmou a presidente goiana do PSOL.

Apoio de Boulos
A psolista aproveitou a vinda do ministro para tentar conseguir o apoio de Boulos à sua pré-candidatura. Justamente porque o PT goiano ainda não definiu quem vai competir ao Governo de Goiás. O momento de indefinição ocorre porque há o receio de perder o nome do vereador de Goiânia Edward Madureira (PT) na disputa à Câmara dos Deputados. O vereador licenciado por Goiânia é considerado por parte da direção do PT como uma peça fundamental na chapa de deputados federais.
Atualmente, a avaliação do petista é de que a legenda tem condições de fazer três vagas na Câmara dos Deputados pela primeira vez, já que Adriana e o deputado federal Rubens Otoni vão tentar a reeleição. “Nós estamos trabalhando com o objetivo de avançar no rumo de um consenso o mais breve possível. A partir da definição interna, nós também vamos apresentar o nosso nome à frente progressista e receber os nomes que estão sendo sugeridos para compor a chapa”, diz Adriana.

União de partidos
Segundo a presidente do PT goiano, todos os partidos da frente progressista vão apresentar seus nomes ao governo, o que inclui o PCdoB, PV, Cidadania, Rede e PSOL. De acordo com aliados de Cíntia, a pré-candidatura da dirigente psolista surge como alternativa e oportunidade à ausência de confirmação do PT goiano para encabeçar a chapa em Goiás que vai garantir palanque a Lula na corrida ao Palácio das Esmeraldas.
Diante deste cenário, Cíntia, que é do mesmo partido de Boulos, aposta na parceria entre o seu partido e o PT. Porém, o petista Valério Luiz, um dos cotados para disputar o Palácio das Esmeraldas, reitera que não é contra alianças, desde que o partido aliado esteja de acordo com o projeto do PT para disputar o Governo de Goiás.
A afirmação de Valério, em entrevista ao O HOJE, veio diante do questionamento sobre a possibilidade de uma aliança eleitoral entre o PT e o PSDB em Goiás, em eventual apoio à pré-candidatura do ex-governador Marconi Perillo. O tucano, inclusive, já disse que não pretende dar apoio a Lula nas eleições de outubro.
Em entrevista ao O HOJE, a vereadora Kátia Maria (PT) reforça que o foco de seu partido é a disputa por mais espaço na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) e na Câmara dos Deputados, mas que a escolha de um pré-candidato ao Executivo estadual não ficou de lado.

Cooperação com Lula
“Nós estamos discutindo junto com os partidos que compõem esse campo progressista para que a gente possa ter um palanque que debata Goiás, que dispute o projeto para governar o nosso Estado e que fortaleça a campanha do presidente Lula também, fazendo uma espécie de casadinha onde o governo Lula nos fortaleça e nós possamos fortalecer o presidente Lula”, afirmou Kátia.
Quanto à decisão de um nome como pré-candidato ao Governo Estadual, a previsão é de que haja uma reunião no decorrer desta semana para discutir a questão e tornar público a escolha de um membro da legenda para assumir a disputa contra o vice-governador Daniel Vilela (MDB), o senador Wilder Morais (PL) e Marconi, todos pré-candidatos ao governo. (Especial para O HOJE)