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quarta-feira, 4 de março de 2026
NEGÓCIOS

Piscicultura cresce no Centro-Oeste e aposta em tecnologia contra calor

Exportações de tilápia somaram cerca de US$ 60 milhões em 2025, enquanto Goiás amplia produção e busca eficiência para manter competitividade

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 3 de março de 2026
Piscicultura Itapua Foto Irene Mendes
Foto: Divulgação

 A piscicultura brasileira vive um momento histórico. Em 2025, o país ultrapassou pela primeira vez a marca de 1 milhão de toneladas de peixes cultivados, consolidando uma década de crescimento contínuo no setor e projetando um papel mais estratégico no agronegócio nacional.

Mesmo assim, produtores enfrentam um novo inimigo: o calor intenso, que coloca sob pressão a sanidade das tilápias – principal espécie cultivada – e exige ajustes em práticas de manejo para preservar produtividade e lucratividade.

Expansão em números e mercado aquecido na piscicultura

Os dados do Anuário Brasileiro da Piscicultura 2026 apontam que a produção brasileira de peixes cultivados atingiu 1,012 milhão de toneladas em 2025, um crescimento de 4,4% em relação ao ano anterior. A tilápia representou cerca de 70% desse total, chegando a mais de 707 mil toneladas produzidas.

Esse avanço ocorre em um cenário de mercado interno aquecido e de retomada de preços ao produtor nas principais praças de comercialização, segundo analistas do setor. Em 2026, o consumo doméstico segue firme, impulsionado pela busca por proteínas mais acessíveis e saudáveis.

Segundo projeções de mercado, o valor da indústria de pesca e aquicultura no Brasil deve continuar crescendo em 2026, com estimativas de expansão no faturamento total do setor, impulsionadas por aumento de consumo, melhor infraestrutura e maior participação no comércio exterior.

Piscicultura
Foto: Divulgação

Goiás e o potencial do Centro-Oeste

No Centro-Oeste, o estado de Goiás tem buscado ganhar relevância na cadeia produtiva. Segundo dados do IBGE (PPM 2023), a produção goiana de tilápia atingiu 12,5 mil toneladas, um incremento de 3,4% em relação a 2022, com forte presença em mais de 176 municípios.

A inclusão da tilápia no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) pelo governo estadual veio como incentivo para fortalecer produtores familiares e ampliar os canais de escoamento. Isso traz perspectivas de ampliação do mercado institucional e integração com programas de segurança alimentar no estado.

No Centro-Oeste como um todo, a piscicultura responde por uma parcela menor da produção nacional em comparação com regiões como Sul e Sudeste, mas cresce em importância graças a oportunidades de uso de reservatórios hídricos e maior tecnificação das fazendas de água doce.

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Exportações e presença global

Apesar de o consumo interno liderar o desempenho do setor, as exportações de pescado brasileiro também ganham impulso. Dados recentes mostram que o Brasil registrou cerca de US$ 60 milhões em exportações de tilápia em 2025, com destaque para mercados norte-americanos.

Esse movimento fortalece a presença brasileira no comércio internacional de proteína aquícola e coloca o país entre os maiores exportadores de tilápia fresca e congelada, competindo com outras potências produtoras do continente.

Exportadores e associações do setor destacam a importância de políticas públicas que reduzam barreiras comerciais e incentivem a certificação sanitária para ampliar ainda mais o alcance global dos produtos brasileiros.

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Foto: Divulgação

Calor intenso e desafios sanitários

O crescimento do setor, no entanto, também esbarra em desafios climáticos e sanitários. Períodos de temperatura da água acima de 30 °C, comuns em regiões tropicais e no Centro-Oeste em meses de verão, impactam diretamente o metabolismo da tilápia, reduzem a oxigenação e podem levar a quadros de estresse térmico, queda de apetite e aumento de doenças, como infecções por Streptococcus. (conforme artigo de Juliano Kubitza)

Esse contexto exige adaptações nos manejos diários: redução da densidade de estocagem, sistemas de aeração mais eficientes, monitoramento contínuo da qualidade da água e ajustes na alimentação, tudo para mitigar os efeitos negativos do calor sobre os peixes.

Especialistas alertam que, com a tendência de aumento da frequência de ondas de calor em função das mudanças climáticas, tais desafios sanitários devem ganhar ainda mais relevância, pressionando custos de produção e exigindo soluções inovadoras.

Para analistas de mercado, a piscicultura brasileira tem potencial para se consolidar ainda mais como um segmento competitivo no agronegócio global, especialmente se conquistas como maior governança sanitária, adoção de tecnologia e políticas públicas de incentivo avançarem rapidamente.

 

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