Mensagens revelam encontros de Vorcaro com Hugo Motta
Conversas obtidas em quebra de sigilo indicam encontro do ex-presidente do Banco Master com o presidente da Câmara na residência oficial e citam proximidade com o senador Ciro Nogueira;
Mensagens obtidas em investigação da Polícia Federal revelam que o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-presidente do Banco Master, afirmou ter participado de um jantar com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), na residência oficial do parlamentar em Brasília, em 26 de fevereiro de 2025. O encontro ocorreu semanas após a eleição de Motta para o comando da Casa. As conversas constam na quebra de sigilo telefônico autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e fazem parte das apurações que levaram à prisão preventiva de Vorcaro na Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF na quarta-feira (4).
Nas mensagens trocadas com a namorada, a influenciadora Martha Graeff, o banqueiro relata estar em Brasília para compromissos de trabalho e menciona o jantar com o presidente da Câmara e um grupo de empresários. Em um dos diálogos, Vorcaro afirma que não conseguiu atender uma ligação da companheira porque participava de um encontro na residência oficial do parlamentar.
As conversas analisadas pelos investigadores também indicam que o empresário mantinha interlocução frequente com figuras relevantes da política nacional. Em outros trechos das mensagens, Vorcaro menciona encontros que teriam reunido Hugo Motta e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas, a quem o banqueiro descreve como um de seus “grandes amigos de vida”.
Em um diálogo datado de março de 2024, Vorcaro relata à namorada que Motta e Nogueira haviam chegado a uma reunião para conversar com um interlocutor identificado apenas como “Alexandre”. O banqueiro afirma que o encontro não demoraria e que entraria em contato após o término da conversa.
As mensagens também registram comentários de Vorcaro sobre a atuação de Ciro Nogueira no Congresso. Em agosto de 2024, ele afirmou que um projeto apresentado pelo senador provocou forte reação no mercado financeiro por favorecer bancos médios e reduzir a influência das grandes instituições. A proposta mencionada trata de alterações na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 65, que discute a autonomia financeira do Banco Central e sugere ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para até R$ 1 milhão por CPF.
A iniciativa gerou críticas de agentes do setor bancário, especialmente em um momento em que já havia desconfiança sobre a rápida expansão do Banco Master e sua capacidade de honrar os rendimentos prometidos a investidores.
As investigações também apontam que, antes de ser alvo da operação policial, Vorcaro buscou estreitar relações com autoridades e lideranças políticas. Documentos obtidos na apuração indicam ainda que o Banco Master contratou o escritório de advocacia ligado a familiares do ministro Alexandre de Moraes, do STF, com honorários mensais de R$ 3,6 milhões para atuar na defesa de interesses da instituição.
Daniel Vorcaro voltou a ser preso preventivamente pela Polícia Federal sob suspeita de comandar um esquema envolvendo fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, corrupção e intimidação de críticos. A Operação Compliance Zero investiga uma suposta organização criminosa que teria movimentado valores bilionários por meio de operações irregulares no sistema financeiro.