Coluna

A edição do Big Brother que causou revolta no Oriente Médio

Publicado por: Marcelo Mariano | Postado em: 03 de maio de 2021
Baseado em uma ilha do Bahrein, o programa durou apenas 11 dias e foi alvo de protestos de políticos e religiosos | Foto: Reprodução

Marcelo Mariano*

Não há teoria de relações internacionais que explique como Fiuk chegou à final do Big Brother Brasil 21, marcada para esta terça-feira, 4 de maio. Mas há um pouco de relações internacionais em uma edição de reality show que causou revolta no Oriente Médio.

O termo Big Brother, cuja origem está no livro “1984”, de George Orwell, diz respeito a uma sociedade constantemente vigiada pelas autoridades, e foi popularizado por meio do programa criado na Holanda.

O formato do reality show se espalhou pelo mundo e, em alguns casos, teve participantes de diferentes países. A própria versão brasileira já contou com a argentina Antonela Avellaneda e o sírio Kaysar Dadour.

Nada que se compare ao Big Brother Sérvia (Velik Brat), que teve participantes de Croácia, Montenegro, Macedônia do Norte e Bósnia e Herzegovina, países com tensões políticas e sociais entre si.

Mais do que isso, só a versão do Oriente Médio, oficialmente chamada de “Big Brother: The Boss”, de 2004, com integrantes de Arábia Saudita, Bahrein, Egito, Iraque, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã, Síria, Somália e Tunísia.

Baseado em uma ilha do Bahrein, o programa durou apenas 11 dias. Alguns políticos, religiosos e telespectadores condenaram certas liberdades praticadas, que, segundo eles, não estavam de acordo com o islã.

Uma reportagem do jornal “Folha de S. Paulo”, de 2 de março de 2004, cita um protesto de aproximadamente mil pessoas contra o reality show. “Não ao Sin Brother”, diziam os manifestantes, em referência à palavra “sin”, que, em inglês, significa “pecado”.

A edição desse Big Brother também foi pauta de um debate no Parlamento do Bahrein. “Somos um país islâmico, com nossas próprias tradições. Esse programa contamina a moral de nossas crianças”, afirmou o parlamentar Jasim al Saeedi.

Desde o início, a produção buscou não contrariar os mais conservadores. Por exemplo, criou uma sala exclusiva para orações e proibiu homens e mulheres de frequentarem os mesmos quartos, mas não adiantou.

E ainda há quem acredite que a versão brasileira do Big Brother é a que mais causa polêmica.

*Assessor internacional da Prefeitura de Goiânia e vice-presidente do Instituto Goiano de Relações Internacionais (Gori). Escreve sobre política internacional às segundas-feiras.

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