sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Com corte de despesas correntes, superávit triplica no 1º bimestre

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em
Com corte de despesas correntes, superávit triplica no 1º bimestre

Os resultados de um único bimestre podem não dizer muito sobre como deverá ser o restante do ano fiscal, mas podem sugerir os caminhos que a administração estadual planejou seguir daqui até o final de 2024, com eleições municipais adiante e uma campanha presidencial já antecipadamente deflagrada. Um roteiro que poderá ainda sofrer alterações, caso sobrevenham surpresas maiores – como uma indesejável desaceleração das receitas, a exemplo do cenário observado em março último.

Segundo a edição mais recente do relatório resumido da execução orçamentária estadual, já disponível no portal Goiás Transparente, o governo optou, nos dois primeiros meses deste ano, por aplicar um arrocho nas despesas correntes, excluídos gastos com a folha de pessoal, e acelerar fortemente o investimento, mais do que triplicando, ao mesmo tempo, o chamado superávit primário – a diferença entre receitas e despesas, sem incluir gastos com juros e amortizações.

O desempenho das receitas primárias, turbinadas pelas transferências correntes, pela arrecadação própria de impostos e contribuições e por receitas do regime próprio da Previdência Social (RPPS, o sistema previdenciário dos servidores estaduais), favoreceu os resultados positivos acumulados no primeiro bimestre. Na soma total, o Estado registrou a entrada de praticamente R$ 6,834 bilhões no primeiro bimestre deste ano, diante de uma receita primária próxima a R$ 6,041 bilhões nos mesmos dois meses de 2023, resultando em um ganho de R$ 792,300 milhões em valores arredondados, com alta nominal de 13,11% no período (sem descontar a inflação).

Despesa estagnada

As despesas primárias totais pagas, incluindo restos a pagar processados e não processados também pagos e excluídos juros e amortizações, virtualmente não saíram do lugar, flutuando de R$ 5,753 bilhões para R$ 5,756 bilhões entre os dois meses iniciais do ano passado e igual intervalo deste ano. Apenas para dar números mais detalhados, a variação ficou limitada a 0,05%, correspondendo a um acréscimo modestíssimo de R$ 2,701 milhões. Como mostram os dados, as receitas superaram as despesas, sempre no conceito primário, por uma diferença muito próxima a R$ 1,078 bilhão em apenas dois meses (lembrando que o resultado primário acumulado nos 12 meses do ano passado havia se aproximado de R$ 1,830 bilhão). Na comparação com os dois primeiros meses de 2023, quando o superávit primário havia atingido R$ 287,939 milhões – o que significa dizer que o saldo aumento nada menos do que 274,22% neste ano.

Balanço

  • O comportamento das despesas primárias foi determinado por um corte de R$ 402,011 milhões nos demais gastos correntes, que caíram de R$ 2,076 bilhões para R$ 1,674 bilhão, numa baixa de 19,36% ainda em valores nominais. A folha de pessoal exigiu o desembolso de R$ 3,328 bilhões em janeiro e fevereiro deste ano, partindo de R$ 3,101 bilhões nos mesmos dois meses de 2023, correspondendo a um incremento nominal de 7,31% (ou seja, em torno de R$ 226,707 milhões a mais).
  • No total, as despesas primárias correntes registraram baixa de 3,41% no mesmo intervalo, recuando de R$ 5,178 bilhões para pouco mais de R$ 5,001 bilhões, correspondendo a uma redução de R$ 176,305 milhões. Os gastos primários associados ao regime próprio da Previdência, por sua vez, cresceram 19,61%, passando de R$ 385,687 milhões para R$ 416,308 milhões (igualmente considerando gastos pagos efetivamente e restos a pagar processados e não processados).
  • O aperto nas demais despesas correntes trouxe folga para um aumento mais do que proporcional dos investimentos, que registraram salto de 47,61% entre o primeiro bimestre do ano passado e os valores acumulados nos dois meses iniciais deste ano, avançando de R$ 186,645 milhões, em números aproximados, para R$ 275,503 milhões.
  • O crescimento aparentemente vigoroso dos investimentos estaduais está diretamente relacionado aos números historicamente muito baixos nesta área. Comparado à receita corrente líquida, o investimento passou a corresponder a 4,28% considerando os dados do primeiro bimestre deste ano, diante de 3,21% nos dois meses iniciais de 2023.
  • Gastos com juros e amortizações voltaram a crescer depois do fim do “congelamento” virtual determinado por decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), mantendo-se ainda abaixo dos valores históricos em função da adesão do Estado ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF). Juros e encargos consumiram R$ 89,255 milhões no primeiro bimestre deste ano, crescendo 39,63% na comparação com R$ 63,923 milhões desembolsados no mesmo período do ano passado. As amortizações pagas saltaram 61,66% em igual período, saindo de R$ 39,379 milhões para R$ 63,659 milhões.
  • No lado das receitas, a arrecadação de impostos, taxas e contribuições registrou alta de 15,04%, saindo de R$ 3,351 bilhões para R$ 3,855 bilhões, com altas de 15,83% para o Imposto sobre a Comercialização de Mercadorias e Serviços (ICMS), de R$ 2,267 bilhões para R$ 2,626 bilhões, e de 34,09% para o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), que teve sua arrecadação elevada de R$ 160,256 milhões para R$ 214,882 milhões.
  • As transferências correntes aumentaram 20,17% naquela mesma comparação, elevando-se de R$ 1,479 bilhão para quase R$ 1,778 bilhão, correspondendo a um acréscimo de R$ 298,333 milhões. Embora tenham respondido por 28,49% das receitas primárias correntes, excluídas as receitas associados ao regime próprio da Previdência, a contribuição das transferências para o aumento daquelas receitas atingiu praticamente 48,0%.

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