Coluna

Custo do transporte de cargas sobe 31,5% em cinco anos, chegando a 7,3% do PIB

Publicado por: Sheyla Sousa | Postado em: 20 de julho de 2019

A
baixa produtividade em todos os setores da economia guarda estreita relação com
a retração e o baixo investimento na área de infraestrutura, o que tem gerado
distorções em cadeia, agravadas ainda pela decisão de tabelas os preços do
frete, o que tem resultado em custos mais altos de logística e redução da
competitividade. Um dos reflexos mais nítidos desse conjunto de problemas,
observa Maurício Lima, sócio-diretor do Instituto de Logística e Supply Chain
(Ilos), tem sido o encarecimento acelerado dos custos de transporte de cargas
no Brasil.

Nos
últimos cinco anos, segundo dados atualizados recentemente pelo instituto,
aqueles custos subiram 31,5%, saindo de R$ 378,0 bilhões em 2014 para R$ 497
bilhões no ano passado, avançando de 6,5% para 7,3% do Produto Interno Bruto
(PIB), em valores aproximados. Entre 2017, quando o gasto total havia somado R$
457,0 bilhões, e o ano seguinte, registrou-se elevação nominal de 8,75%. O
avanço foi influenciado principalmente pelo encarecimento do transporte
rodoviário de carga, que subiu praticamente na mesma proporção em relação a
2014, saindo de R$ 335,0 bilhões para R$ 440,0 bilhões (mais 31,3%). No ano
passado, no entanto, o custo do transporte de cargas por caminhões apresentou
maior elevação, com alta de 10,8% diante de 2017.

A
participação do transporte rodoviário no custo total de transporte, já era
elevado, tem avançado mais recentemente, respondendo ao acúmulo de deficiências
causadas pelo baixo investimento, com deterioração das estradas em todo o País.
Em 2004, o modal rodoviário respondia por 80,9% de todo o custo de transporte,
atingindo 88,6% em 2014. Houve ligeiro recuo para 86,9% nos três anos seguintes
e, no ano passado, as rodovias passaram a representar 88,5% daquele custo, o
segundo percentual mais elevado da série do Ilos.

Na
média, registra ainda Lima, os custos de transporte rodoviário no País
correspondem a 11,5% do valor das cargas geradas pelo agronegócio. Se estivesse
plenamente em vigor, o frete tabelado significaria um impacto médio de 35%
sobre os preços de mercado, “o que é bastante substancial”, diz ele. Os dados
de mercado, conforme detalhado ontem neste espaço, mostram preços de frete
inferiores aos valores tabelados, demonstrando que transportadoras e
embarcadores não vinham cumprindo o tabelamento.

Bilhões de
dólares no ralo

O
peso elevado dos gastos logísticos, avalia Sérgio Mendes, diretor geral da Associação
Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec),impõe um custo adicional entre US$
30 a US$ 40 por tonelada de grão exportada pelo País na comparação com a
despesa média enfrentada pelo setor nos Estados Unidos, por exemplo. “Jogamos
pelo ralo entre US$ 5,0 bilhões a US$ 6,0 bilhões por ano, o que permitiria
construir uma hidrovia a cada ano no Brasil”, declara Mendes.

Balanço

·  
Na
média, conforme estatísticas da Inter.B Consultoria Internacional de Negócios,
o País investiu em infraestrutura o equivalente a 2,03% do PIB de 2001 a 2016,
recuando um pouco mais nos dois anos seguintes diante da virtual paralisia do
governo nesta área.

·  
Seria
preciso dobrar esse investimento nos próximos anos, para 4,15% do PIB ao ano,
apenas para atualizar e modernizar a infraestrutura, corrigindo o atraso gerado
pelo baixo investimento das últimas três décadas.

·  
Os
cortes resultaram num drástico encolhimento do estoque de capital estacionado
no setor de infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, aeroportos, plantas
de energia, linhas de transmissão e distribuição de eletricidade, saneamento e
suas estações e redes de águas e esgoto, armazéns e outros equipamentos e
instalações).

·  
Em
1983, aquele estoque representava 58,2% do PIB, mas despencou para apenas 35,9%
em 2017. Quer dizer, a infraestrutura do País perdeu algo como 22,3% do PIB em
quase três décadas e meia, num tombo de 38%.

·  
O
investimento em transporte desabou de 0,87% do PIB na média de 2001 a 2016, o
que já era um desempenho pífio, para 0,61% em 2018, recuando quase 30%.

·  
Não
por coincidência, a fatia do setor público no investimento em infraestrutura
ficou reduzido a pouco menos de 40% na estimativa mais recente para 2018,
diante de 55,8% em 2009.

Em busca de alternativas mais baratas, o
agronegócio passou a utilizar mais os portos do chamado Arco Norte. Entre 2009
e 2018, a saída Norte elevou sua participação nas exportações daqueles de milho
e soja de 16% para 26,2% (de 7,0 milhões para 32,5 milhões de toneladas). 

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