Coluna

Emprego cai, desemprego cresce e subutilização bate recorde em Goiás

Publicado por: Sheyla Sousa | Postado em: 16 de maio de 2020

Lauro Veiga Filho

Em
mais uma semana complicada, na economia, na política e na saúde, os primeiros
números do mercado de trabalho na pandemia mostram um cenário pouco animador
também em Goiás. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua
(PNADC), divulgada na sexta-feira, 15, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), mostra fechamento de empregos, forte aumento no número de
desocupados e novo recorde no total de pessoas subutilizadas no primeiro
trimestre deste ano, já refletindo os primeiros efeitos da crise sanitária. A
categoria dos subutilizados contempla aqueles que perderam o emprego na semana da
pesquisa, as pessoas subocupadas por trabalharem menos horas do que o desejado
ou que desejariam trabalhar, mas, por qualquer razão (incluindo a falta de
vagas) não conseguiram colocação.

Ressalte-se
que a pesquisa capturou apenas duas semanas de isolamento social. O desempenho
do mercado de trabalho daqui em diante dependerá da evolução da pandemia no
Estado, o que parece muito óbvio (mas não para todos), e ainda da capacidade de
o governo escolher e adotar políticas adequadas para enfrentar a crise. A
experiência de outros países tem demonstrado que a adoção de medidas mais duras
de afastamento social no início pode contribuir para desacelerar o avanço do
novo Coronavírus, permitindo a liberação mais cedo das atividades econômicas,
sob critérios, com planejamento e organização – faculdades ausentes a esta
altura, tanto no setor privado quanto na área pública. Por aqui, num País já
conturbado, açoitado pela mais grave crise sanitária desde o século passado, o
governo tem se especializado em gerar turbulências e atropelar o bom-senso e a
ciência, dia sim e outro também, enquanto as mortes se avolumam. O vírus e o
presidente não dão folga.

Menos pessoas
ocupadas

De
volta aos números, a pesquisa do IBGE já havia mostrado um mercado em
estagnação virtual no último trimestre do ano passado em Goiás. O número de
pessoas ocupadas, que havia parado de crescer àquela altura, sofreu baixa de
2,8% no primeiro trimestre, na comparação com o trimestre imediatamente
anterior, e recuou 0,5% frente aos primeiros três meses de 2019. Em números,
esse contingente havia saído de 3,327 milhões para 3,407 milhões entre o
primeiro e o terceiro trimestres de 2019, recuando levemente para 3,406 milhões
nos últimos três meses daquele ano. No primeiro trimestre deste ano, o número
de ocupados no Estado baixou para 3,311 milhões, retornando aos níveis do
quarto trimestre de 2017. A taxa subutilização foi recorde, subindo para 19,6%
e atingindo 768,0 mil pessoas, num avanço de 16,5% frente ao quarto trimestre
de 2019. O número de pessoas desalentadas saltou 40,2%, para 90,0 mil.

Balanço

·  
O
número de desocupados,que havia caído 4,2% no quarto trimestre, para 396,0 mil,
aumentou para 423,0 mil no trimestre seguinte, crescendo 6,8%, o que elevou a
taxa de desemprego de 10,4% para 11,3%. Nos dois casos, foi o pior resultado
desde o primeiro trimestre de 2017, quando 452,0 mil trabalhadores goianos
estavam sem emprego e a taxa de desocupação atingia 12,7%.

·  
O
desempenho, na verdade, poderia ter sido ainda pior se for considerado que 90,0
mil pessoas desistiram de buscar emprego, seja por falta de ofertas, seja
porque foram impedidas de procurar colocação como resultado das medidas de
isolamento social. Não fosse isso, a taxa de desocupação poderia ter se
aproximado de 13,7% (um recorde na série histórica do IBGE, iniciada em 2012).

·  
Os
modelos estatísticos aceitos internacionalmente, neste caso, classificam como
desempregados apenas as pessoas que buscaram e não conseguiram alguma vaga no
período da pesquisa. No caso atual, as medidas de distanciamento social podem
ter interferido nessa dinâmica, causando o afastamento mesmo de pessoas que
ainda tinham planos de procurar alguma forma de colocação.

·  
Esse
efeito pode explicar, em parte, a queda no total de pessoas na informalidade,
principal fator a explicar a queda na ocupação no primeiro trimestre. Na
comparação com o trimestre final de 2019, o número somado de pessoas sem carteira
assinada, sem registro no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) ou
ocupadas em ajudar a família em ocupações não remuneradas caiu quase 5,0%,
baixando de 1,494 milhão (43,86% do total de ocupados) para 1,420 milhão
(42,89% do total). A queda, correspondente a 74,0 mil, explica praticamente 78%
do número de ocupações fechadas no período.

·  
Os
cortes atingiram mais aqueles trabalhadores sem registro em carteira, que
caíram de 727,0 mil para 688,0 mil (39,0 mil a menos, numa queda de 5,4%). O
número de ocupados sem CNPJ (incluindo empregadores e trabalhadores por conta
própria) caiu quase 4,0% (de 732,0 mil para 703,0 mil). O comportamento,
aparentemente, estaria relacionado à parada súbita da economia em função da
quarentena.

·  
O
fechamento de vagas foi mais intenso entre serviços não especializados
(comércio, oficinas, bares, restaurantes, hotéis, transporte, serviços
domésticos e outros). Nessa categoria, a queda chegou a 5,8% com afastamento de
88,0 mil pessoas, para 1,434 milhão (43,31% do total de ocupados). A
contribuição do segmento para a perda geral de empregos aproximou-se de 93,0%.

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Num
comportamento de certa forma surpreendente, o número de ocupados na indústria
em geral cresceu 9,0% (de 419,0 mil para 457,0 mil).


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