Segunda-feira, 15 de julho de 2024

Coluna

Exportações caem (com “ajuda” da China) e superávit comercial de Goiás desaba 28%

Publicado por: Sheyla Sousa | Postado em: 09 de julho de 2019

A
febre suína africana, que dizimou pouco mais de um quinto do plantel de
matrizes na China (quase três vezes o tamanho de todo o rebanho brasileiro de
matrizes suínas, na estimativa do Rabobank), contribuiu para derrubar a demanda
chinesa por soja, afetando diretamente as exportações goianas e também o
resultado da balança comercial na primeira metade do ano. Segundo dados da Secretaria
de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços
(Secex/Mdic), o superávit comercial de Goiás com o restante do mundo desabou
28,2% no acumulado ao longo dos primeiros seis meses deste ano em relação a
igual período de 2018, encolhendo de US$ 2,031 bilhões para pouco menos de US$
1,459 bilhão (numa perda de US$ 572,06 milhões).

A
retração foi determinada por uma queda de 16,25% nas exportações, que baixaram
de US$ 3,791 bilhões para quase US$ 3,175 bilhões entre o primeiro semestre de
2018 e igual intervalo deste ano, o que representou uma redução equivalente a
US$ 615,933 milhões. Sozinha, a soja em grão respondeu por praticamente 90%
dessa queda, já que as vendas da oleaginosa despencaram quase 36% no primeiro
semestre, mergulhando de US$ 1,542 bilhão para US$ 987,591 milhões (ou seja,
US$ 554,424 milhões a menos). Em torno de 75% da retração observada para as
exportações do grão devem ser debitados na conta da China, que reduz suas
compras de US$ 1,284 bilhão nos seis primeiros meses de 2018 para US$ 868,770
milhões, numa retração de 32,4%.

Como
se observa, o mercado chinês foi o destino de quase 88% das exportações goianas
de soja (diante de 83,3% em igual período do ano passado), tomadas em dólar. Em
volume, a dependência foi praticamente mesma, saindo de 83,4% para pouco mais
de 88%. A redução, neste caso, ficou “limitada” a 23%, pois os volumes
embarcados rumo à China a partir do Estado caíram de 3,215 milhões para 2,474
milhões de toneladas (740,421 mil toneladas a menos). Goiás embarcou 2,809
milhões de toneladas de soja no total do semestre, num tombo de 27% frente ao
mesmo intervalo de 2018 (3,853 milhões de toneladas). Os preços médios de venda
igualmente não ajudaram, caindo 12%, num reflexo das cotações relativamente
mais baixas no começo do ano.

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Dependência
chinesa

O
mercado chinês continua desempenhando papel relevante na balança comercial de
Goiás, a despeito da redução das vendas para aquele país. As exportações totais
do Estado para a China, sob influência da soja em grão, baixaram 19% no
primeiro semestre deste ano, passando de US$ 1,593 bilhão (42% do total
exportado por Goiás) para menos de US$ 1,290 bilhão (com a participação
recuando para 40,6%). Como as importações de produtos chineses são
relativamente reduzidas, o superávit bilateral manteve-se elevado, embora
igualmente em queda. A China sozinha respondeu por 75% de todo o superávit
acumulado pela balança comercial goiana (exportações menos importações). Essa
participação havia sido de 72,3% no primeiro semestre de 2018.

Balanço

·  
Enquanto
Goiás exporta para os chineses majoritariamente soja em grão, as importações
goianas de produtos chineses concentram-se em setores de maior valor agregado e
nível tecnológico mais intensivo. Para comparar, em torno de 74,6% das compras
goianas no mercado chinês ficaram concentradas nos setores de produtos químicos
orgânicos, veículos, adubos, máquinas e aparelhos elétricos e caldeiras,
máquinas e aparelhos mecânicos.

·  
Na
soma total, as importações da China saltaram 58,2% no primeiro semestre,
subindo de US$ 123,984 milhões para US$ 196,106 milhões (11,4% do total
importado pelo Estado). O saldo comercial entre Goiás e a China desabou 25,53%
nos primeiros seis meses deste ano, baixando de US$ 1,469 bilhão para US$ 1,094
bilhão. A redução, no entanto, deveu-se muito mais à queda das exportações
goianas para o país asiático.

·  
Para
completar essa relação de dependência, essa redução de US$ 374,959 milhões no
saldo goiano com a China correspondeu a 65,55% da redução registrada por todo o
superávit acumulado pelo Estado na primeira metade do ano.

·  
As
importações goianas recuaram 2,49% no mesmo período, comparado aos mesmos seis
meses de 2018, encolhendo de US$ 1,760 bilhão, em valores aproximados, para US$
1,716 bilhão. O desempenho negativo foi influenciado principalmente pela
redução de quase 17% nas compras de produtos farmacêuticos lá fora, que recuaram
de US$ 639,221 milhões para US$ 531,283 milhões.

A baixa nas importações de maior valor agregado
contribuiu para a redução de 17,4% nos preços médios dos produtos importados,
diante de recuo de 2,45% nos preços de exportação.