Coluna

Gastos do País com serviços tecnológicos atinge US$ 92 bilhões entre 2015 e 2019

Publicado por: Sheyla Sousa | Postado em: 06 de fevereiro de 2020

Nos
últimos cinco anos, os gastos do Brasil com serviços especializados e de maior
conteúdo tecnológico no exterior somaram US$ 91,913 bilhões, concentrados em
grande parte no aluguel de equipamentos, item que inclui plataformas para
exploração de petróleo em alto mar. Mas seu crescimento em relação aos valores
remetidos para fora do País nos cinco anos anteriores esteve associado
majoritariamente à retração das receitas obtidas pelo Brasil com a venda de
serviços de arquitetura e engenharia a outros países, segmento afetado
duramente nos últimos anos e literalmente lançado fora do mercado internacional
de serviços altamente especializados.

Os
dados do Banco Central (BC) mostram que as despesas com serviços mais
sofisticados saíram de US$ 81,588 bilhões entre 2010 e 2014 para US$ 91,913
bilhões nos cinco anos seguintes, num acréscimo de US$ 10,325 bilhões em
grandes números (ou seja, uma alta de 12,66% no período). Na comparação entre
2010/2014 e 2015/2019, os ganhos líquidos com a exportação de serviços de
engenharia (já descontada a despesa nesta mesma área) caíram 14,77%, saindo de
US$ 46,151 bilhões para US$ 39,333 bilhões, numa perda equivalente a US$ 6,818
bilhões, contribuindo com 95,1% para o aumento experimentado pelo País nos
gastos totais com serviços mais sofisticados. Observado ano a ano, as receitas
com a venda de serviços de engenharia no exterior despencaram 54,0% entre 2014
e 2019, encolhendo de US$ 12,651 bilhões para US$ 5,820 bilhões – o resultado
mais baixo desde 2006, quando haviam alcançado US$ 4,790 bilhões.

O
aluguel de equipamentos, possivelmente em função da crise e das mudanças na
legislação tributária aplicada às transações envolvendo plataformas de
petróleo, exigiu menores desembolsos do País, mas continuou sendo o principal
item entre os gastos com serviços. Nos cinco anos terminados em 2019, o Brasil
desembolsou US$ 89,543 bilhões para alugar equipamentos importados, levemente
abaixo dos US$ 90,822 bilhões gastos entre 2010 e 2014. No caso, a “economia”
chegou a US$ 1,279 bilhão, ajudando a aliviar as despesas nesta área.

Tecnologia
importada

Os
gastos a título de propriedade intelectual, envolvendo licenças e royalties
pela utilização de tecnologias importadas, num exemplo, foram o segundo foco de
pressão entre os dois períodos analisados aqui, apresentando um avanço de
13,75% e uma despesa adicional de US$ 2,770 bilhões. As receitas geradas pela
tecnologia brasileira usada no exterior mais do que dobraram no período,
saltando de US$ 1,510 bilhão (2010/2014) para US$ 3,341 bilhões (2015/2019), o
que significou a entrada de US$ 1,831 bilhão adicionais. Historicamente muito
mais elevadas, as despesas avançaram 21,24% no período analisado, elevando-se
de US$ 21,661 bilhões para US$ 26,262 bilhões, gerando despesas extras de US$
4,601 bilhões. A base elevada, ainda que sob uma variação proporcionalmente
menor, gerou um gasto relevante e ajudou a elevar o saldo negativo nessa conta.

Balanço

·  
Numa
avaliação de mais longo prazo, a sinalização é menos positiva. Os serviços de
propriedade intelectual, em geral associados a transferências de tecnologia e
mesmo à venda de programas de computador e games, produziram uma receita para o
País de apenas US$ 433,808 milhões em 2009, valor elevado em quase 48% até
2019, quando renderam US$ 641,114 milhões.

·  
Mas
despesas foram mais do que dobradas, subindo 112,75% entre 2009 e o ano passado
e avançando de US$ 2,512 bilhões para 5,344 bilhões. Isso fez igualmente mais
do que duplicar igualmente o saldo negativo nesta área, de US$ 2,078 bilhões
para US$ 4,703 bilhões (126,3% a mais).

·  
De
volta ao período 2015/2019, o avanço no rombo da conta de serviços mais
sofisticados foi influenciado de forma igualmente importante pela mudança de
sinais no segmento de serviços de saúde e de educação. O Brasil havia
conseguido um superávit de US$ 9,813 bilhões nesta área, acumulado entre 2010 e
2014.

·  
Nos
cinco anos seguintes, registrou um déficit de US$ 2,129 bilhões (o que, por óbvio,
significa dizer que o País voltou a gastar mais do que recebeu com a venda de
serviços de saúde e de educação). No caso, a troca de sinais no saldo do setor
representou a saída de US$ 11,942 bilhões.

·  
Na
área de serviços governamentais, ao contrário, a contribuição para os números
da conta de serviços foi positiva, já que o déficit entre entradas e saídas de
dólares ficou 7,74% mais baixo. Na passagem de um período para o outro, o rombo
baixou de US$ 7,188 bilhões para US$ 6,632 bilhões.

·  
O
resultado de exportações e importações de serviços de telecomunicações,
computação e dados, da mesma foram, registraram sensível melhora. O déficit da
conta desabou 42,38% entre 2010/2014, quando havia acumulado um total de US$
17,627 bilhões, e 2015/2019, período em que passou a somar US$ 10,157 bilhões
(ou seja, ficou US$ 7,470 bilhões mais baixo). Ponta a ponta, no entanto, ou
seja, entre 2014 e 2019, o déficit nesta área cresceu 33,7%, avançando de US$
2,224 bilhões para US$ 2,973 bilhões.

 

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