Geração solar pode triplicar de tamanho, investindo R$ 123,6 bilhões

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em: 29 de outubro de 2021

Há apenas cinco anos, o mercado de energia solar no Brasil era ainda embrionário, com uma capacidade instalada de apenas 93megawatts na geração distribuída e simplesmente zero no mercado centralizado. O primeiro leilão de venda de energia dedicado ao setor havia sido realizado apenas em 2014, relembra o presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Rodrigo Sauaia, e os primeiros projetos começaram a surgir a partir de 2017, quando grandes usinas, contratadas nos leilões realizados entre 2014 e 2015,entraram em operação. A geração centralizada registrava, então, 968 MW de potência, respondendo por apenas 0,6% da matriz elétrica.

A geração distribuída saiu de 93 para 192 MW de capacidade na passagem de 2016 para 2017 e, nos anos seguintes, multiplicou a potência instalada em quase 35,6 vezes, para 7.018 MW no dado atualizado até o começo de outubro pela Absolar. “Este deverá ser o segundo ano de liderança da distribuída, que desbancou a geração centralizada desde 2020”, comenta Sauaia. Ainda em 2021, a capacidade de produção de energia solar em grandes plantas, que operam no mercado centralizado, chegou a 3.841 MW, crescendo praticamente quatro vezes desde 2017. Mas sua participação na potência total do setor fotovoltaico encolheu de 83% para 35%, com a distribuída assumindo uma fatia de 65% – o que se compara com apenas 17% em 2017.

Em conjunto, as duas categorias assumiram uma capacidade instalada de 10.859 MW, diante de somente 1.160 MW em 2017, num salto de 836%. E essa capacidade deverá pelo menos triplicar nos próximos anos, passando para 32.415 MW ao se considerar a potência já outorgada no mercado regulado, sustenta Sauaia. “Se o governo precisa de novos projetos, o setor está pleno de apetite para ofertar esses projetos”, reforça ele. Para colocar de pé todos os empreendimentos com construção já iniciada ou ainda em fase de projeto,serão exigidos investimentos de R$ 123,64 bilhões na estimativa de Sauaia, mais do que o dobro do total investido entre 2012 e setembro deste ano, ao redor de R$ 54,0 bilhões.

Investimento em Goiás

O Sudeste concentra 37,3% da geração distribuída, seguido pelo Sul, com 21,1% da potência instalada, e pelo Nordeste, com 19%. Para Goiás, sexto maior parque fotovoltaico no País, com potência instalada de 368,5 MW na geração distribuída, representando perto de 5,3% do total, encontravam-se outorgados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em torno de 400 MW adicionais. Numa estimativa aproximada, a instalação de toda aquela capacidade necessitará de investimentos próximos a R$ 1,53 bilhão.

Balanço

  • A redução nos custos da geração solar tem sido um fator de peso a atrair investidores e interessados em instalar placas fotovoltaicas. Medido em dólares por megawatt/hora, entre 2013 e o mais recente leilão de energia nova A-5, realizado no final de setembro deste ano, o custo desabou 70%, saindo de US$ 103,00 para US$ 30,90 – algo em torno de R$ 166,90 por MWh, a segunda mais barata, atrás apenas da energia solar, que registrou preço médio de R$ 160,40.Os resultados do leilão, no entanto, foram extremamente modestos, com a contratação de 20 entre 248 projetos habilitados e venda de 236,4 MW ou 2,5% dentre 9.382 MW ofertados.
  • As decisões envolvendo a contratação de energia nova tomam como base declarações das distribuidoras indicando qual volume de energia será necessário para atender ao mercado nos próximos anos. Aquelas declarações, por sua vez, consideram as garantias físicas de energia firmadas em contratos de longo prazo com as geradoras e homologadas pelos órgãos reguladores do setor. Sauaia defende a revisão das garantias físicas, que hoje já não representam a capacidade real de produção de energia do sistema, como “parte fundamental para equilibrar o setor e abrir espaço para novas contratações”.
  • A medida, adicionalmente, poderia reduzir os preços finais da energia, acrescenta Sauaia, lembrando que a importação de energia do Uruguai e da Argentina e a contratação de termelétricas implicam custos entre nove e até 13 vezes mais altos do que os da energia solar. “O setor tem potencial para 28.500 GW, ou praticamente 160 vezes toda a matriz elétrica do país, considerando as melhores áreas para a geração fotovoltaica, numa projeção da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Só nos telhados das residências temos potencial para 164 GW, quase toda a matriz elétrica brasileira hoje, mas é preciso não ter barreiras para que o investimento ocorra”, sustenta.
  • Um avanço na direção defendida pela Absolar, consideraPaulo Henrique Spirandeli Dantas, sócio do escritório Castro Barros Advogados, foi a aprovação em agosto pela Câmara do projeto de lei 5829/2019, que institui o marco legal da geração distribuída e permite que consumidores produzam a própria energia a partir de fontes renováveis. A proposta encontra-se em tramitação no Senado. Em conjunto com o projeto 414/2021, que regula o acesso ao mercado livre de energia, já aprovado pela casa e agora sob escrutínio da Câmara, analisa Dantas, os dois projetos tendem a criar as condições para uma “expansão rápida do setor de energia solar, criando um mercado bastante robusto”.
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