Na terra da informalidade, massa de renda atinge menor nível em 5 anos

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em: 25 de fevereiro de 2022

Na média do ano passado, as famílias de trabalhadores receberam em torno de R$ 230,6 bilhões mensalmente, na soma de todos os rendimentos e considerando todas as formas de emprego. Em termos reais, conforme apura a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aquele valor só foi maior do que aquele recebido em 2016, quando a massa de rendimentos do trabalho havia alcançado perto de R$ 226,6 bilhões. Houve queda de 2,4% frente a 2020, quando a massa de renda já havia perda de aproximadamente 4,0% na comparação com o ano anterior, sacrificada pela pandemia de Covid-19.

Claramente, a renda das famílias, mais precisamente, a soma de todos os rendimentos do trabalho não conseguiu recompor as perdas causadas pela pandemia e ainda encerrou o ano passado em baixa de 6,0% frente a 2019, quando havia alcançado o maior valor da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012, chegando a R$ 245,2 bilhões. Desde 2019, portanto, os trabalhadores sofreram perdas de R$ 14,6 bilhões em grandes números. A redução foi causada principalmente pelo achatamento do rendimento real médio recebido e pela redução do total de ocupados naquele período, considerando o fechamento de cada ano e os valores médios capturados pela PNADC.

O número de pessoas ocupadas baixou de 94,258 milhões em 2019 para 91,297milhões em 2021, recuando 3,1% com encerramento de 2,961 milhões de empregos. Os números só apresentam alguma melhoria quando comparados aos níveis muito reduzidos de 2020, quando a ocupação registrou os números mais baixos desde que a pesquisa começou a ser realizada no formato atual, com 86,958 milhões de pessoas ocupadas em todos os setores da economia. Mesmo assim, o impulso veio em grande parte de atividades informais, numa “conquista” a ser debitada na conta da reforma trabalhista, que reduziu direitos trabalhistas a pretexto de baixar custos para as empresas e facilitar, ora vejam só, o aumento das contratações.

Sem direitos

Entre 2020 e 2021, o número de ocupados registrou acréscimo de quase 5,0%, refletindo a abertura de 4,339 milhões de novos empregos. No entanto, perto de 76,3% (ou quase 80 em cada 100 novas ocupações abertas na economia) dos novos empregos eram informais. Mais precisamente, o total de trabalhadores informais subiu de 33,307 milhões em 2020 para 36,617 milhões no ano seguinte, avançando quase 10,0%, o que representou a geração de 3,310 milhões de ocupações – sem direito a férias, 13º salário, seguro desemprego e sem acesso à Previdência. Num contraponto, o total de trabalhadores em ocupações formais, numa estimativa da coluna, teria avançado apenas 1,9% naquela comparação, passando de 53,651 milhões para 54,680 milhões (ou seja, mais 1,029 milhão de empregos, apenas 23,7% de todas as ocupações criadas entre 2020 e 2021). Da mesma forma, em relação a 2019, o emprego formal caiu 2,2%, com fechamento de 1,243 milhão de vagas (frente a um total de 55,923 milhões de trabalhadores formais naquele ano).

Balanço

  • Considerando os dados do quarto trimestre de 2021, o emprego não se moveu frente ao mesmo período de 2019, crescendo apenas (e mais uma vez) frente aos números de 2020, devidamente achatados pelos primeiros meses de pandemia, quando as medidas de restrição ao deslocamento e aglomeração de pessoas foram mais rígidas. Sempre no trimestre final de cada ano, o total de ocupados saiu de 95,515 milhões em 2019 para 87,225 milhões em 2020, elevando-se para 95,747 milhões no ano passado – o que é considerado como estabilidade se comparado a dois anos antes.
  • Entre o quarto trimestre de 2020 e o mesmo período de 2021, a ocupação avançou 9,8% com abertura de 8,522 milhões de vagas, das quais 4,892 milhões (57,4%) vieram da informalidade, com a ocupação formal respondendo pela geração de 3,630 milhões de empregos (42,6%). A informalidade cresceu 14,4% em um ano, o que se compara com a variação de 6,8% no setor formal.
  • O número de informais atingiu 38,944 milhões, o mais alto da série, um recorde, portanto, diante de 56,803 milhões no setor formal. A taxa de informalidade avançou de 39,0% para 40,7%. Esse comportamento explica, parcialmente, a queda da taxa de desemprego, que saiu de 14,2% no final de 2020 para 11,1%. Na média anual, o desemprego passou de 13,8% para 13,2% diante de 12,0% em 2019.
  • Para Goiás, as tendências são semelhantes, com participação igualmente destacada da informalidade. O emprego total baixou de 3,431 milhões no quarto trimestre de 2019 para 3,125 milhões no mesmo período de 2020, subindo para 3,460 milhões no trimestre final do ano passado (quer dizer, apenas 29,0 mil a mais do que em 2019, numa variação de 0,85%). Em relação a 2020, a ocupação variou 10,72%, com abertura de 335 mil vagas, das quais 186,0 mil informais (55,5%) e 149,0 mil formais (44,48%).
  • A taxa de desemprego baixou de 12,7% em 2019 para 10,0% em 2020 e daí para 8,7% em 2021, sempre no quarto trimestre de cada exercício. Na média anual, de acordo com a PNADC, a taxa saiu de 12,7% para 11,3% entre 2020 e 2021, ainda acima do desemprego registrado em 2019 (10,7%). Ao contrário do restante do País, a massa de rendimentos cresceu 7,2% entre o último trimestre de 2020 para igual período do ano passado, subindo de R$ 7,660 bilhões para R$ 8,210 bilhões.
  • A taxa de subutilização dos trabalhadores em Goiás anotou baixa, mas continua elevada, com o indicador saindo de 20,9% para 19,3% no quarto trimestre de 2019 e 2020, chegando a 17,3% no mesmo período de 2021, o que significa que se encontravam desocupados ou subocupados por insuficiência de horas trabalhadas ou fora do mercado, mas dispostos a trabalhar, perto de 692,0 mil trabalhadores.
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