Quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

Produção industrial e vendas avançam, sustentadas pelo setor de alimentação

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em: 09 de novembro de 2023

Se o desempenho recente da indústria goiana vem sendo liderado principalmente pelo processamento de commodities de base agropecuária, destinadas à produção de alimentos, o avanço recente das vendas no comércio tem sido determinado em grande medida pelo comportamento do consumo de bens oferecidos por hipermercados e supermercados, largamente influenciado pelas vendas de alimentos – cereais, carnes, leite, ovos, frutas, verduras e legumes, além de processados em geral. Não seria surpreendente que um dos lados venha influenciando o desempenho do outro.

A produção industrial no Estado, segundo a pesquisa mensal sobre o setor realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem se mantido em terreno positivo desde maio, ou seja, há cinco meses consecutivos, com algumas ressalvas – em maio e julho, praticamente não houve crescimento, com variações de 0,4% na comparação com abril e zero na saída de junho para julho, nos dados ajustados sazonalmente, excluídos fatores e eventos que se repetem sempre nas mesmas épocas a cada ano. Entre agosto e setembro, houver certa acomodação ou mesmo alguma perda de fôlego, com a taxa de crescimento passando de 1,5% para 1,2% sempre na comparação com o mês imediatamente anterior.

A comparação com igual mês do ano passado mostra tendência semelhante, com cinco meses consecutivos de números positivos – incluindo altas de 0,4%, 6,0%, 5,3%, 6,6% e 6,7% respectivamente em maio, junho, julho, agosto e setembro. As quedas observadas entre fevereiro e abril e o avanço irrelevante anotado em maio, no entanto, ainda puxam para baixo o resultado acumulado ao longo do ano pelo setor industrial goiano. Entre janeiro e setembro, comparado aos mesmos nove meses do ano passado, a produção registrou avanço de 2,7%, num ganho de 2,4% nos 12 meses finalizados em setembro passado.

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A comparação trimestral torna mais nítido os movimentos recentes na indústria instalada em Goiás. Na comparação com igual trimestre de 2022, a produção havia anotado baixa de 1,8% no primeiro trimestre deste ano, compensando a queda com elevação de 1,8% no segundo trimestre. Os dados do terceiro trimestre mostram alta de 6,2%. Para comparar, a indústria brasileira como um todo não avançou um milímetro no terceiro trimestre, depois de um recuo de 0,1% no segundo.

Contribuição elevada

Em setembro deste ano, comparado a igual mês de 2022, a indústria goiana ficou dividida, com baixas em sete setores e alta em outros sete, com destaque positivo para os saltos de 45,6% na fabricação de produtos químicos e de 42,4% na produção de veículos, que vinha despencando, influenciados respectivamente pelo avanço nos segmentos de fertilizantes, sabões e detergentes, de um lado, e de automóveis no segundo caso. As confecções, com alta na produção de camisas, camisetas e calças, registraram crescimento de 15,2% depois de baixas retumbantes nos últimos meses. A produção de alimentos cresceu 12,8% nessa comparação, com ganhos para as indústrias de carnes (bovina e de aves), açúcar e farelo de soja. Na métrica do IBGE, a indústria de bens alimentícios contribuiu com 4,58 pontos para o crescimento geral de 6,7%. Vale dizer, o setor de alimentos foi responsável por 72,4% do avanço registrado pelo agregado da indústria goiana.

Balanço

  • Na avaliação do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), diante do crescimento de 6,0% apresentado pela indústria de alimentos em todo o País no terceiro trimestre deste ano, “não surpreende o maior dinamismo dos parques onde este setor é sobrerepresentado. São os casos dos Estados de Goiás (+6,2% ante o terceiro trimestre de 2022) e Mato Grosso (+8,2%), onde o ramo alimentício representa mais de 40% de suas indústrias, as maiores participações entre os parques regionais da pesquisa do IBGE”.
  • Mas a pesquisa industrial registra também perdas para setores estratégicos em Goiás, com tombos de 39,3% na produção de máquinas e equipamentos e de 30,5% no setor farmacêutico frente a setembro do ano passado.
  • Ao analisar o desempenho do varejo em geral, o Iedi observa um crescimento ainda baixo e pouco espraiado, atingindo apenas três entre a dezena de setores acompanhados pelo IBGE. “Ainda assim, não se sai mal em comparação com o ano passado, graças à redução da inflação e à melhoria do emprego, bem como ao programa de redução de impostos de veículos, que têm dinamizado atividades de peso para o varejo”.
  • Na média do País, as vendas do varejo restrito tiveram variação de apenas 0,6% em setembro, diante de agosto, quando havia sido anotado um recuo de 0,1%. Na comparação com setembro do ano passado, o varejo mais tradicional avançou 3,3% na quarta elevação mensal em sequência. Com um detalhe relevante: todo o crescimento pode ser explicado pela elevação de 7,5% no setor de hiper e supermercados, que teve contribuição de 4,1 pontos para um crescimento geral, como visto de 3,3%. Ou seja, excluído aquele setor, todo o restante do varejo restrito teria recuado 0,8%.
  • No conceito mais amplo de varejo, as vendas saíram de uma variação de 0,6% em agosto para apenas 0,2% em setembro (diante do mês imediatamente anterior), com baixas de 0,9% e de 2,0% para as vendas de veículos e de materiais de construção. Diante de setembro do ano passado, registrou-se elevação de 2,9% (menor do que os 3,7% anotados em agosto).
  • Para Goiás, o varejo convencional apresentou alta de 1,5% em setembro sobre agosto, quando havia recuado 0,5%, com ganho de 3,9% em relação a setembro do ano passado e uma variação muito tímida de 0,6% em nove meses. Hipermercados e supermercados tiveram crescimento de 12,9% frente a setembro de 2022, mas acumulam variação de 1,6% em nove meses.
  • No varejo mais amplo, os estímulos fiscais ao setor de veículos ajudaram a empurrar as vendas, que avançaram 1,1% de agosto para setembro e 2,7% diante de setembro do ano passado. Mesmo assim, o resultado acumulado nos primeiros noves meses deste ano em relação a idêntico período do ano passado continuava negativo, em baixa de 1,1% – resultado influenciado pelas quedas de 2,5% e de 23,1% nos segmentos de materiais de construção e no “atacarejo” de alimentos, bebidas e fumo.