Sem agronegócio, déficit na balança comercial saltou 143,4% em 2021

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em: 18 de janeiro de 2022

As exportações realizadas pelo agronegócio goiano no ano passado bateram mais uma recorde, o segundo consecutivo, saindo de US$ 6,353 bilhões em 2020 para US$ 7,162 bilhões no ano seguinte. Puxadas pelos embarques de soja em grão, as vendas externas do setor cresceram 12,74% entre um ano e o seguinte, numa variação ligeiramente abaixo do aumento de 14,1% registrado pelas exportações totais realizadas em 2021 a partir de Goiás. As importações nesta área sofreram baixa de 19,17%, caindo de US$ 149,985 milhões para US$ 12,204 milhões, o que levou a um incremento de 13,49% para o superávit setorial, saindo de US$ 6,203 bilhões para quase US$ 7,040 bilhões.

Esses números vieram na contramão dos resultados apresentados pelo saldo total da balança comercial estadual, que, como já se sabe, mostraram redução de praticamente 24,0% no saldo final em 2021. Na verdade, sem o agronegócio, aqueles números seriam bem mais negativos. Os demais setores da economia goiana registraram variação de 19,15% em suas exportações, que avançaram de US$ 1,781 bilhão para US$ 2,122 bilhões, em números aproximados. Os embarques de ferroligas, minérios de cobre e ouro dominaram as vendas, somando exportações de US$ 1,813 bilhão no ano passado frente a US$ 1,526 bilhão em 2020, num avanço de 18,8%.

Mas as importações dispararam, num salto de 73,60% em função da compra de energia de outros países, principalmente da Argentina e do Uruguai.O restante da economia, ainda com exclusão do agronegócio, importou US$ 5,502 bilhões no passado, frente a US$ 3,169 bilhões em 2020. O comportamento das compras externas fez com que o déficit comercial naqueles setores mais do que dobrasse entre os dois anos analisados, passando de pouco mais do que US$ 1,388 bilhão para um recorde de aproximadamente US$ 3,380 bilhões – uma alta de 143,4%.

Destino chinês

A China continuou sendo o principal destino das exportações do agronegócio goiano no ano passado, concentrando pouco mais de metade das vendas (mais precisamente, 50,3% diante de uma participação de 48,55% em 2020). Em valores, as vendas externas saíram de pouco menos do que US$ 3,085 bilhões em 2020 para quase US$ 3,603 bilhões um ano depois, crescendo 16,80%. O mercado chinês, adicionalmente, contribuiu em mais de dois terços para o aumento das vendas externas totais do agronegócio estadual entre aqueles dois períodos e respondeu por 54,46% das vendas goianas de carne bovina e por 81,55% das exportações de soja em grão. A dependência chinesa agravou-se no ano passado, já que o país asiático passou a representar 81,43% do superávit acumulado pela balança comercial goiana, com saldo de US$ 2,980 bilhões (o superávit total do Estado em 2021 atingiu US$ 3,660 bilhões).

Balanço

  • O complexo soja, que considera soja em grão, óleo e farelo, passou a representar quase 60% de tudo o que o agronegócio exportou em 2021, com vendas externas de US$ 4,282 bilhões em números aproximados. Na comparação com os US$ 3,296 bilhões exportados pela indústria, tradings, cooperativas e produtores no ano anterior, o complexo vendeu 29,91% a mais. O desempenho do setor explica todo o avanço acumulado pelas exportações do agronegócio goiano, com contribuições positivas ainda das carnes e do açúcar.
  • As exportações de carne bovina apresentaram variação de 12,03%, avançando de US$ 1,214 bilhão para aproximadamente US$ 1,360 bilhão. As vendas de carne de frango cresceram 18,76%, de US$ 338,646 milhões para US$ 402,178 milhões. Na soma geral, a indústria de carnes exportou US$ 1,804 bilhão no ano passado, o que representou alta de 13,56% diante de US$ 1,589 bilhão exportados em 2020.
  • Os embarques de açúcar resultaram em uma receita cambial de US$ 360,242 milhões, numa variação de 6,41% frente a 2020, quando as usinas chegaram a exportar US$ 338,533 milhões. O milho surge como exceção, já que as exportações nesta área despencaram 70,52% em valor, desabando de US$ 663,060 milhões para US$ 195,421 milhões. A queda não foi mais severa em função de uma alta de 18,34% nos preços médios do grão exportado pelo Estado, pois os volumes embarcados encolheram 75,09% (de 3,966 milhões para 987,625 mil toneladas).
  • O milho foi o principal responsável pela queda de 19,17% nos volumes totais exportados pelo agronegócio no ano passado, para algo em torno de 12,425 milhões de toneladas (diante de 15,371 milhões de toneladas em 2020). O crescimento das exportações do setor deveu-se exclusivamente à tendência de valorização das commodities agrícolas desde a segunda metade de 2020.
  • No caso de Goiás, os valores médios de cada tonelada exportada pelo agronegócio registraram variação de 39,47%. No lado das importações, os preços médios anotaram variação de 16,72%, o que trouxe uma melhora nos chamados “termos de troca”, o que significa dizer que o setor teve que fazer um esforço proporcionalmente menor para compensar os custos das importações. Dito de outra forma, o custo dos bens importados ficou mais baixo quando comparado ao valor recebido por tonelada exportada, correspondendo a uma transferência de renda do exterior para o Estado. Em termos relativos, os termos de troca do setor registraram elevação de 19,5% no ano passado, correspondendo a um “barateamento” equivalente das importações.
  • Nos demais setores da economia, os dados da balança comercial goiana mostram uma perda nos termos de troca, já que o preço médio das exportações subiu 22,47% diante de um salto de 48,16% no valor médio de cada tonelada importada. Isso fez com que os termos de troca sofressem baixa de aproximadamente 17,3%.
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