domingo, 27 de setembro de 2026

Serviços desaceleram em Goiás, na contramão do restante do País

Lauro Veiga Filhopor em
Serviços desaceleram em Goiás, na contramão do restante do País
Serviços desaceleram em Goiás, na contramão do restante do País

A indústria de serviços instalada em Goiás não conseguiu acompanhar o desempenho expresso pelo setor no restante do País, considerando o comportamento médio observado no primeiro mês deste ano. Na verdade, esse descasamento entre os resultados do setor no Estado e nas demais regiões acompanhadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pela pesquisa mensal de serviços, tem sido observado ao longo de quase toda a segunda metade do ano passado e repetiu-se neste início de ano. Na sequência mensal, comparado ao mês imediatamente anterior, o volume de serviços vem caindo em Goiás desde agosto, chegando a janeiro ao sexto mês consecutivo de perdas. Na média do País, o setor apresentou números positivos em novembro, dezembro e janeiro, mas na sequência de três meses de baixa.

Entre julho do ano passado, quando os serviços registraram em Goiás seu nível mais elevado em toda a série histórica, e janeiro deste ano, o setor acumulou retração de 11,3%. A despeito das diferenças de desempenho nos três meses mais recentes, a atividade no setor de serviços praticamente não saiu do lugar no mesmo intervalo na média brasileira, com leve avanço de quase 0,2%. O resultado reflete a redução de 1,7% registrada entre julho e outubro do ano passado, seguido por um avanço de 1,5% a partir de setembro e até janeiro deste ano.

O volume de serviços caiu 1,7% na saída de outubro para novembro, recuou 0,3% em dezembro, diante do mês anterior, e sofreu baixa de 1,3% em janeiro, comparado ao último mês de 2023 em Goiás. Em todo o País, considerando os mesmos períodos, o setor avançou 0,5%, 0,7% e novamente 0,7% em janeiro último. Na comparação com igual período do ano anterior, o setor avançou 4,4% em novembro e passou a experimentar desaceleração nos dois meses seguintes, com o crescimento limitando-se a 1,9% em dezembro e apenas 0,1% em janeiro.

Desaquecimento

O avanço acumulado em 12 meses manteve-se mais vigoroso em Goiás, por conta de taxas mais favoráveis registradas entre fevereiro e julho do ano passado, com alta de 6,2%. Para colocar o dado em perspectiva, deve-se considerar que a taxa acumulada em 12 meses havia atingido 7,0% em novembro passado. A desaceleração ocorre igualmente no restante do País, ainda que de forma mais suave, saindo de uma taxa de 3,1% nos 12 meses encerrados em novembro para 2,4% em janeiro (o mesmo índice anotado em dezembro). Retomando o dado mensal, a variação modestíssima de 0,1% em Goiás no primeiro mês de 2024 foi resultado da combinação de uma redução de 4,5% dos serviços prestados às famílias goianas na comparação com janeiro do ano passado e de um salto de 11,7% nos serviços de informação e comunicação.

Balanço

  • Os serviços às famílias no Estado, num reverso do que ocorre nas demais regiões do País quando olhadas em conjunto, passaram a recuar 0,9% em 12 meses até janeiro, diante de um salto de 12,0% em igual intervalo para o setor de informações e comunicação, em tese áreas que demandam mão de obra mais qualificada e especializada.
  • Os demais grandes setores dos serviços, ainda em Goiás, ficaram igualmente em terreno negativo na comparação entre janeiro deste ano e idêntico período de 2023. O segmento de serviços profissionais, administrativos e complementares, que inclui os serviços prestados por técnicos, aluguéis não imobiliários (máquinas, equipamentos e outros bens e ativos não imobiliários, por exemplo), serviços de apoio a atividades empresariais, devolveu em janeiro todo o avanço anotado em dezembro, saindo de um avanço de 7,4% para uma redução de 7,5%. O segmento acumula redução de 1,7% nos 12 meses finalizados em janeiro de 2024.
  • No caso de transportes, serviços auxiliares ao transporte e correio, foram dois meses de redução em sequência, com recuos de 1,5% e de 0,6% em dezembro e janeiro. A variação acumulada em 12 meses manteve-se relativamente forte, com alta de 8,8% em janeiro, mas abaixo do crescimento de 11,3% alcançado entre outubro de 2022 e novembro de 2023, na comparação com os 12 meses imediatamente anteriores.
  • O grupo “outros serviços”, contemplando as áreas de coleta e tratamento de esgotos, gestão de resíduos, recuperação e descontaminação de materiais, atividades de apoio a serviços financeiros, atividade imobiliárias e outros, já havia despencado 7,3% em dezembro para recuar 0,5% em janeiro. Novamente, o avanço em 12 meses vem sendo declinante, baixando de 5,4% até novembro para 1,5% em janeiro.
  • A variação de 0,7% alcançada pelos serviços em todo o País na passagem de dezembro de 2023 para janeiro deste ano esteve associado principalmente à alta de 1,5% registrada no setor de informação e comunicação, ao avanço de 1,1% para serviços profissionais, administrativos e complementares e de 0,7% no setor de transportes, principalmente com os avanços de 2,9% e de 0,6% nos segmentos de passageiros e de cargas, respectivamente. Os serviços prestados às famílias, numa sinalização de menor disposição para o consumo nesta área, sofreram baixa de 2,7% (diante de altas de 3,0% e de 4,3% em novembro e dezembro).
  • A virada de sinal entre dezembro, quando os serviços encolheram 1,9% frente ao mesmo mês de 2022, e janeiro, com alta de 4,5% frente ao mês inicial de 2023, foi determinado pelo incremento de 3,9% nos serviços prestados às famílias (que haviam crescido 8,0% em dezembro); pelos saltos de 6,8% e de 5,0% nas áreas de informação e comunicação e de serviços profissionais e administrativos. Transportes e outros serviços cresceram ambos a uma taxa anual de 3,1%.

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