sábado, 10 de outubro de 2026

Vendas do varejo amplo avançam pelo oitavo mês consecutivo em Goiás

Lauro Veiga Filhopor em
Vendas do varejo amplo avançam pelo oitavo mês consecutivo em Goiás
Vendas do varejo amplo avançam pelo oitavo mês consecutivo em Goiás

Puxadas pelos supermercados e concessionárias de veículos e motos, as vendas do varejo ampliado registraram em janeiro o oitavo resultado mensal positivo na pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No dado dessazonalizado, que exclui fatores e eventos que sempre ocorrem na mesma época todos os anos e podem comprometer a comparação, as vendas do comércio naquele conceito mais amplo, que inclui veículos, material de construção e o chamado atacarejo de alimentos, bebidas e cigarros, acumularam alta de quase 11,0% na comparação entre janeiro deste ano e maio do ano passado, depois de avançarem 2,3% na passagem de dezembro para o primeiro mês de 2024.

A taxa foi duas vezes mais intensa do que a variação acumulada em igual intervalo pelo varejo restrito, que demonstrou evolução levemente inferior a 5,0%. Nessa classificação, que considera estabelecimentos que operam exclusivamente no segmento varejista, o desempenho tem apresentado maiores oscilações entre quedas e altas. Para comprovação, o volume de vendas nesta área havia sofrido baixa de 4,5% em novembro, frente a outubro, quando havia variado apenas 0,2%. Em novembro e dezembro, considerando os meses imediatamente anteriores, o varejo restrito apresentou variação de 0,5% (a taxa se repetiu nos dois meses), atingindo incremento de 2,2% em janeiro.

Ainda em janeiro, mas em relação ao mesmo mês do ano passado, as vendas do varejo restrito cresceram 4,0%, com alta de 6,0% para o setor varejista ampliado. No primeiro caso, foi o segundo resultado mensal positivo em sequência, saindo de uma redução de 1,5% em novembro. O varejo amplo anotou o quinto mês de crescimento nesse tipo de comparação, agora num ritmo mais acelerado, depois de variações de 2,3% em novembro e de 2,1% em dezembro. Em ambos os casos, o setor em Goiás segue a tendência maior registrada no restante do País, com aceleração no ritmo mensal das vendas, na sequência dos ganhos de renda dos trabalhadores e do reforço às políticas de transferência de renda para famílias menos favorecidas.

Média nacional

Na média do comércio em todo o País, as vendas haviam recuado 1,4% no varejo mais restrito e 1,5% no segmento mais amplo em dezembro, na comparação com novembro, e passaram a crescer, respectivamente, 2,5% e 2,4% em janeiro. Na comparação com igual mês do ano anterior, o ritmo de crescimento igualmente ganhou fôlego, com a taxa de crescimento saindo de 1,2% e 0,1% respectivamente no varejo restrito e no comércio varejista ampliado em dezembro para, na mesma ordem, 4,1% e 6,8%. “O comércio varejista, para além de oscilações pontuais, passou por um período de baixa atividade nos últimos meses de 2023. Agora em janeiro de 2024, as vendas reais do setor voltaram a se expandir mais fortemente”, anota o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

Balanço

  • Os dados regionais sobre o varejo não trazem a abertura por segmento quando se trata da comparação mês a mês, o que dificulta uma avaliação mais detalhada da estatística dessazonalizada. Essa abertura, no entanto, está disponível quando a comparação ocorre com igual período do ano anterior. Neste caso, o que se pode observar, em Goiás, é um desempenho vigoroso das vendas nos supermercados e, num aparente paradoxo, também no setor de veículos, motos e autopeças.
  • O volume de vendas de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo chegou a janeiro deste ano ao sétimo mês consecutivo de crescimento, com altas, num período mais recente, de 8,4% em novembro, de 15,7% em dezembro do ano passado e de 10,7% em janeiro deste ano. As vendas no setor haviam crescido 3,5% nos 12 meses de 2023 e passou a acumular incremento de 4,6% até janeiro, igualmente em 12 meses. Para recordar, até novembro do ano passado, a alta em 12 meses havia sido de 1,1%.
  • As concessionárias de veículos e motos e revendas de autopeças, por sua vez, têm conseguido elevar suas vendas há seis meses e registraram elevações de dois dígitos durante todo aquele período. Nos últimos três meses, de toda forma, a despeito do avanço vigoroso, houve certa perda de ritmo, com as altas saindo de 25,9% para 19,2% entre novembro e dezembro, chegando a um incremento de 10,1% em janeiro. No acumulado em 12 meses, o setor cresceu 12,0% até o primeiro mês deste ano.
  • O desempenho tem sido mais desigual nos demais setores, com destaque negativo para o setor de combustíveis e lubrificantes, que caem há sete meses. Considerando igual período do ano anterior, os volumes vendidos pelo segmento despencaram 12,0% em novembro, mais 19,7% em dezembro e 9,0% em janeiro (sugerindo alguma acomodação na intensidade das perdas, que ocorrem, de toda forma, sobre bases já muito reduzidas).
  • As lojas de tecido, vestuário e calçados registraram em janeiro deste ano a primeira alta desde agosto do ano passado, mas numa variação modestíssima de 0,6% em janeiro. Em 12 meses, o setor amarga perda de 2,4%. As vendas de móveis e eletrodomésticos, que dependem mais do crediário, caíram pelo terceiro mês em seguida, com perdas de 7,0%, de 6,1% e de 7,4% em novembro, dezembro e janeiro, respectivamente.
  • O setor de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação vinha caindo desde agosto e emplacou o primeiro avanço em janeiro, com salto de 28,4% (ainda insuficiente para compensar as perdas acumuladas em 12 meses, que chegaram a 2,4% até janeiro).
  • As vendas de materiais de construção estão em baixa desde novembro, enquanto o atacarejo de alimentos, bebidas e fumo avançou 8,4% em janeiro, no primeiro resultado positivo desde janeiro do ano passado.
  • No cenário nacional, observa o Iedi, “a trajetória hesitante do varejo, tomado em seu conceito ampliado, marcou o último quadrimestre do ano passado: +0,3% em setembro; -0,2% em outubro; +1,5% em novembro e -1,5% em dezembro, sempre com ajuste sazonal. A alta de 2,4% em janeiro de 2024 abre a perspectiva de mais vigor”.

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