Segunda-feira, 15 de julho de 2024

Varejo restrito atinge recorde em fevereiro, depois de avançar 1,0%

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em: 12 de abril de 2024

Os números do varejo em fevereiro vieram acima do esperado pelos mercados e, embora tenham demonstrado alguma perda de velocidade em relação a janeiro, foram suficientes para que o comércio varejista tradicional elevasse suas vendas para o nível mais elevado na série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), segundo a pesquisa mensal do comércio divulgada ontem. Na comparação mês a mês, que utiliza dados dessazonalizados, as vendas do varejo restrito avançaram 1,0% em fevereiro diante de janeiro, quando o setor havia registrado alta de 2,8%. O resultado contrariou fortemente as previsões de queda de 1,5% alimentadas pelos mercados para o segundo mês do ano, na comparação com janeiro.

O varejo ampliado, que inclui concessionárias de veículos e motos, lojas de autopeças e o “atacarejo” de materiais de construção e de alimentos, bebidas e fumo, cresceu 1,2% na passagem de janeiro para fevereiro, depois de avançar também 2,8% em janeiro. As previsões mais constantes no mercado financeiro apostavam em um recuo de 0,8% para as vendas do comércio varejista ampliado em fevereiro. Nas duas áreas, foi o segundo mês consecutivo de aumento nas vendas, o que não ocorria desde agosto e setembro do ano passado, de acordo com o IBGE, com altas respectivamente de 0,5% e de 0,7% em relação aos meses imediatamente anteriores. 

Se o varejo “puro” conseguiu bater recorde, o comércio varejista amplo mantinha-se em torno de 0,8% abaixo do seu melhor momento na série histórica, alcançado em agosto de 2012 – em grande parte por conta das perdas acumuladas nos últimos anos pelo setor de veículos, dado o encarecimento do crédito num setor em que as vendas dependem fundamentalmente de financiamento.

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Crescimento zero

Os dados da pesquisa do IBGE para Goiás mostram uma estagnação das vendas no varejo restrito na saída de janeiro para fevereiro, com o setor virtualmente repetindo os volumes vendidos no primeiro mês deste ano, interrompendo uma sequência de oito meses consecutivos de taxas positivas. Em dezembro do ano passado e em janeiro deste ano, tomado novembro e o mesmo dezembro como base para comparação, respectivamente, as vendas do varejo goiano tradicional haviam crescido 3,2% e 2,2%. A reação mais recente das vendas nesta área representou de fato alguma melhora no cenário, mas os volumes vendidos nas lojas e magazines exclusivamente varejistas mantinham-se perto de 0,5% abaixo dos níveis observados em fevereiro de 2020 e nada menos 28,2% inferiores a fevereiro de 2014, mês em que o varejo convencional havia produzido em Goiás seus melhores resultados na série do IBGE.

Balanço

  • No varejo ampliado, ainda considerando os dados do instituto para Goiás, as vendas seguem ritmo mais firme e crescente, com altas mensais de 0,9%, 2,3% e 3,5% em dezembro, janeiro e fevereiro, pela ordem, na comparação com o mês imediatamente anterior. Diante desse desempenho, o segmento passou a registrar elevação de 5,5% na comparação com fevereiro de 2020, embora registre ainda recuo próximo de 0,4% quando comparado a agosto de 2013, que continua a sustentar o recorde de vendas para o varejo em seu conceito mais amplo.
  • As comparações com os mesmos meses de 2023, em parte por conta dos números bem menos promissores registrados no ano passado, foram fortemente positivos tanto janeiro quanto em fevereiro. Na média do País, o varejo restrito havia vendido 4,0% a mais em janeiro, comparado ao mesmo mês do ano passado, e mais do que dobrou aquele índice, passando a avançar 8,2% em fevereiro. Perto de dois terços desse incremento deveu-se à alta de 9,6% observada para as vendas de hipermercados e supermercados.
  • Proporcionalmente, o segmento de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria anotou o melhor desempenho, com alta de 18,5% em relação ao segundo mês do ano passado, respondendo por pouco mais de um quinto do crescimento registrado pelo varejo restrito.
  • As vendas no varejo ampliado, que já haviam crescido 6,8% em janeiro, aumentaram 9,7% em fevereiro, acumulando no bimestre um salto de 8,2% – o que se compara com o aumento de 2,1% registrado no último bimestre do ano passado. As vendas de veículos, motos e autopeças, na mesma comparação, saltaram 16,6% (muito embora acumulem perdas de 15,6% em relação a agosto de 2012, pico de atividade nesta área, o que apenas reforça o tamanho do retrocesso registrado pelas lojas do setor nos últimos tempos). Ainda no varejo mais amplo, as vendas de materiais de construção e do atacarejo de alimentos, bebidas e fumo, pela ordem, aumentaram 5,0% e 10,1% em fevereiro.
  • O desempenho do varejo em geral neste começo de ano tem sido associado a taxas de inflação proporcionalmente mais baixas do que em 2023, a alguma melhoria no mercado de crédito, embora os juros continuem na estratosfera, mas principalmente ao avanço das políticas de transferência de renda, ao pagamento de precatórios que haviam sido sofrido calote no governo passado e à retomada da política de valorização do salário mínimo, reajustado em 6,97% desde janeiro deste ano. Nos cálculos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o reajuste do mínimo tenderá a injetar na economia uma renda extra de R$ 69,903 bilhões neste ano, beneficiando 59,320 milhões de pessoas, incluindo 26,249 milhões de pensionistas e beneficiários da Previdência.
  • Em Goiás, as vendas do varejo restrito e ampliado cresceram, respectivamente, 7,0% e 12,9% em fevereiro, comparadas ao mesmo mês do ano passado, acumulando no primeiro bimestre deste ano altas de 5,4% e de 9,2% na mesma ordem. Houve altas de 12,3% para hiper e supermercados, com salto de 29,2% para farmácias e perfumarias, de 20,6% para veículos, motos e autopeças e de 16,4% nas lojas de materiais de construção, com avanço de 16,1% no atacarejo de alimentos e bebidas. Os priores resultados vieram de combustíveis e lubrificantes, em baixa de 12,1% (e perdas acumuladas de 10,6% no bimestre), e para equipamentos e materiais de escritório, informática e comunicação, num tombo de 28,1% (devolvendo o salto de 28,3% registrado em janeiro).