Análise mostra que 40% do álcool em gel vendido está fora do padrão

Seis fabricantes de álcool em gel foram notificadas

Postado em: 26-08-2021 às 08h53
Por: Daniell Alves
Seis fabricantes de álcool em gel foram notificadas | Foto: Reprodução

Sem o índice de álcool recomendado no produto, seis empresas de Goiás fabricantes de álcool em gel foram notificadas por não atenderem o índice mínimo permitido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Uma análise dos produtos dessas empresas mostrou que 40% das amostras avaliadas em Goiás não tinham a composição que é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para proteger da Covid-19.

A constatação de irregularidades dos produtos foi feita pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Um mestrando do curso de Química desenvolveu um método para testar a qualidade e eficácia dos produtos.

Do total das 29 empresas analisadas no Brasil, 16 estão no estado de São Paulo, seis em Goiás, uma no Espírito Santo, uma no Rio de Janeiro, uma no Ceará, uma na Paraíba, uma no Paraná, uma em Minas Gerais e uma no Rio Grande do Norte. Para conter a disseminação da Covid-19, já se sabe sobre a importância fundamental de seguir os protocolos sanitários como o uso da máscara e do álcool em gel, além do distanciamento social. 

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De acordo com o superintendente do Procon Goiás, Alex Vaz, a intenção do Procon Goiás é assegurar a proteção efetiva dos consumidores, já que o consumo de produtos com concentração de álcool inferior ao recomendado pode causar a contaminação pela Covid, que pode levar à morte ou trazer sequelas.

Conforme a Resolução de Diretoria Colegiada (RDC nº 422, de 2020) da Anvisa, o álcool em gel deve apresentar concentração entre 63% e 77%. Já a OMS considera a margem de 60% a 80% eficaz no combate à Covid-19. As empresas a serem notificadas declaram no rótulo composição de 70% de álcool em gel, mas os testes feitos pela UFG identificaram teor inferior a 63%.

As empresas terão até 10 dias, após receberem a notificação, para prestarem os esclarecimentos solicitados à Gerência de Fiscalização do órgão. Caso não formalizem uma resposta, elas poderão ser autuadas por desobediência. Essas empresas também estão sujeitas à autuação pela prática de publicidade enganosa, já que não seguem o padrão divulgado no rótulo do produto (concentração de 70%).

O químico Leonardo Alves Carvalho Rodrigues começou a pesquisa no último ano como tema de mestrado da Universidade. “A gente criou, desenvolveu e validou a metodologia para análise do álcool em gel que nos dá com bastante precisão a quantidade que tem realmente dentro de um álcool”, diz.

Método

O método desenvolvido pela UFG testa se o álcool gel 70% tem a qualidade oferecida na embalagem. Foram testadas 70 amostras de marcas variadas de álcool gel vendidas em Goiânia, Aparecida de Goiânia e Senador Canedo. A análise mostrou que 28 estavam fora do padrão da OMS, que exige uma concentração de álcool entre 60% a 80% para ser eficiente na desinfecção.

Segundo o professor e coordenador-geral do Lames/UFG, Nelson Roberto Antoniosi Filho, existem normas de controle de qualidade para se produzir álcool 70% em sua forma líquida. Trata-se da mistura do etanol com água, porém ainda não havia nenhum procedimento de controle de qualidade para o álcool gel, que é o etanol misturado com água, seguido da adição do espessante. “Se 40% dos produtos vendidos estão com conteúdo inadequado de etanol, isso significa que boa parte do nosso mercado está fornecendo à população um produto que não tem eficácia adequada para o combate à Covid”, explicou.

Vencidos

No início deste ano, 82 frascos de álcool em gel vencidos em um supermercado localizado no município de Indiara, a 90 quilômetros de Goiânia, foram recolhidos.  Os produtos estavam expostos nas gôndolas do estabelecimento. O Procon Goiás recomenda que os consumidores se atentem para o prazo de validade desses produtos, que são indispensáveis para impedir a contaminação pelo coronavírus. O estabelecimento foi autuado. (Especial para O Hoje)

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