Volta às aulas: retorno das atividades presenciais traz novas demandas emocionais

Retomar a convivência com os amigos e educadores pode gerar estresse e ansiedade nas crianças

Postado em: 24-01-2022 às 07h46
Por: Augusto Sobrinho
Retomar a convivência com os amigos e educadores pode gerar estresse e ansiedade nas crianças | Foto: Reprodução

Todo início de ano escolar gera expectativas nos alunos quanto aos novos desafios que eles encontrarão pela frente. E neste ano, em especial, diante da pandemia de Covid-19 essa readaptação pode se tornar ainda mais difícil, principalmente para as crianças que passaram por momentos desafiadores durante o isolamento social e para aquelas que têm mais dificuldade em retomar a rotina e cumprir os horários e compromissos da escola.

Por mais que as mudanças sejam positivas, sabe-se o quão benéfico é poder retomar a convivência com os amigos e educadores, mas podem gerar estresse e ansiedade nas crianças, afinal elas terão que se readaptar às rotinas e conhecer novos hábitos, como: medidas de isolamento, esquemas híbridos de aulas, entre outros. É comum que nesse período haja sintomas de ansiedade e alterações de sono e comportamento das crianças e adolescentes.

Dados preliminares de pesquisa global liderada pela Universidade Estadual de Ohio (EUA) apontam que o Brasil é líder em índices de ansiedade e depressão na pandemia quando comparado a outras dez nações. O estudo entrevistou 13 mil pessoas de países que lidam de maneiras diferentes com a crise sanitária e mostrou que no caso brasileiro, que teve cerca de 1.500 respondentes maiores de 18 anos, 63% apresentaram relatos de ansiedade e 59%, sintomas de depressão.

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As transformações bruscas desencadeadas pelo ensino remoto, bem como a retomada das aulas presenciais ainda em um cenário pandêmico vão exigir dos alunos e professores estratégias para que possam desenvolver, em grande velocidade, capacidade e habilidade que não possuíam antes.  É possível que diante das condições que foram expostos nos últimos dois anos haverá uma lacuna entre o que deveria ter sido aprendido pelos alunos e o que de fato foi assimilado.

Muitos conteúdos precisarão ser retomados, metodologias revistas e novas demandas e exigências serão impostas com as quais irá se deparar, isso poderá trazer prejuízos significativos ao seu emocional. Tudo o que a educação vivenciou nesse período serviu para reforçar que a internet não substitui o trabalho de um professor. A escola continua carecendo de bons professores, capazes de desenvolver bons materiais e boas estratégias de ensino e, para isso, cuidar da saúde mental desses profissionais é indispensável.

Atitudes que contribuem para que as crianças superem a ansiedade

  • Tenha mais apoio e menos cobrança, afinal o retorno presencial é uma mudança de rotina;
  • Seja sempre sensível com as dificuldades dos alunos;
  • Mantenha sempre o diálogo, pois através dele é possível entender e resolver os problemas;
  • Esteja por dentro do calendário de atividades e ofereça suporte à criança;
  • Frente a birras, ajuda na identificação de sentimentos;
  • Assegure a prática de atividades físicas;
  • Busque sempre momentos livres para que a criança possa brincar e descansar.

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