Políticos e lideranças negras reagem ao vídeo onde médico de Goiás acorrenta funcionário negro

Nas cenas bárbaras, é possível ver o funcionário acorrentado pelas mãos, pés e uma argola no pescoço, enquanto o médico ri e ironiza.

Postado em: 17-02-2022 às 09h35
Por: Ícaro Gonçalves
Nas cenas bárbaras, é possível ver o funcionário acorrentado pelas mãos, pés e uma argola no pescoço, enquanto o médico ri e ironiza | Foto: Reprodução

O vídeo em que o médico Márcio Antônio Souza Junior, da Cidade de Goiás, acorrenta e ironiza um funcionário negro em sua fazenda causou espanto e indignação em políticos e lideranças negras de diferentes estados do Brasil. As imagens foram divulgadas em primeira mão pelo jornal O Hoje, na manhã da última quarta-feira (16/2).

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Segundo fontes ouvidas pela reportagem, as imagens foram divulgadas pelo próprio médico em seu perfil no Instagram, mas removidas logo em seguida. Nas cenas bárbaras, é possível ver o funcionário acorrentado pelas mãos, pés e uma argola no pescoço, enquanto o médico ri e ironiza, “falei para estudar, mas ele não quer. Então vai ficar na minha senzala”.

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Em suas redes sociais, a diretora executiva da Anistia Internacional Brasil e ativista do movimento brasileiro de mulheres negras, Jurema Werneck, republicou a reportagem de O Hoje e destacou a necessidade de se lutar contra o racismo.

A deputada estadual por Goiás, Delegada Adriana Accorsi (PT), afirmou que as cenas mostram um “ato terrível de racismo praticado por médico de família tradicional aqui na Cidade de Goiás. Exigimos punição exemplar e todo rigor da lei!”.

Já a vereadora de Goiânia Aava Santiago (PSDB) destacou o contexto histórico da cidade de Goiás, onde muitas famílias aristocratas fizeram fortuna com a escravidão no período imperial. “A cidade de Goiás é patrimônio histórico; foi construída por escravizados. Daí vem a fortuna das famílias tradicionais, de onde surgiu o tal médico”, afirmou a vereadora.

Investigação

Após a reportagem de O Hoje, a Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE/GO), por intermédio de seu Núcleo Especializado de Direitos Humanos (NUDH) oficializou o Procurador-Chefe do Ministério Público em Goiás, Alpiniano do Prado Lopes, para que investigue o caso do trabalhador acorrentado. A Defensoria quer saber a relação de trabalho entre o médico e fazendeiro com o funcionário.

Leia também: Defensoria Pública do Estado de Goiás solicita que MPT investigue caso de trabalhador acorrentado

O homem que aparece acorrentado nas imagens se chama Ernando Correa, de 37 anos. Em depoimento à polícia na tarde de ontem, Correa diz que presta serviços na fazendo do médico há três meses e que partiu dele o que classificou como “brincadeira”. O delegado Gustavo Cabral vê o caso como uma questão social. “As pessoas não devem aceitar isso. É repugnante. Não é aceitável”.

O caso segue sendo apurado pelo Polícia Civil de Goiás (PCGO).

Com colaboração de Felipe Cardoso e Yago Sales

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