Projeto de ressocialização já recebeu mais de 550 reeducandos

Sócia- fundadora de empresa idealizadora afirma que o projeto é um investimento

Postado em: 26-07-2022 às 07h49
Por: Maria Paula Borges
“Ganhamos não só credibilidade, mas somos exemplos que oportunidade e capacitação são os melhores caminhos”, diz reeducando | Foto: Fernando Leite

Em parceria com a Secretaria de Segurança do Estado, por meio da Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP), o Grupo Sallo, uma das maiores confecções de moda do país, idealizou o Projeto Heliponto. O objetivo é auxiliar na ressocialização de reeducandos do Complexo Penitenciário Odenir Guimarães, em Aparecida de Goiânia, atuando também juntamente com os menores infratores no Centro de Atendimento Socioeducativo de Anápolis.

Segundo Maria Fernanda Bessa Matos, sócia-fundadora do Grupo, a iniciativa cria a oportunidade de emprego para os reeducandos sejam reintegrados à sociedade. “Sem dúvida, essa parceria com o Governo do estado de Goiás através da DGAP é um exemplo a ser seguido em nosso país. Acreditamos nesse tipo de ação e somos exemplo de como pode gerar bons frutos, já que temos em nossa fábrica reeducandos que participaram do projeto no presídio”, afirma.

Além de ser um auxílio no processo de ressocialização, o projeto é visto como algo importante no que diz respeito à mão de obra. De acordo com Maria Fernanda, é necessário que haja investimento em capacitação, e que o projeto seja visto como um investimento, uma vez que os reeducandos podem ser contratados para trabalhar na fábrica após o período.

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A empresa faz a montagem da infraestrutura necessária para o trabalho dos presidiários como o módulo de respeito, maquinários e formam os reeducandos. “Em pouco tempo, eles já começam a entregar peças dentro do padrão da nossa indústria. Recebem por isso, ganham o respeito da família e saem do Presídio com uma nova formação. Muitos são absorvidos como mão de obra na nossa fábrica. Ou seja, é bom para o nosso negócio”, ressalta. 

Vida transformada

Um exemplo da eficácia do investimento é Luiz Fernando Pereira de Alcantara Cardoso, que participa do projeto Heliponto há 3 anos. Segundo ele, a iniciativa transformou a vida dele. “Quando conto minha história estou dando voz a muitas outras, de muitos reeducandos que tiveram suas vidas transformadas pelo projeto. Ganhamos não só credibilidade, mas somos exemplos que oportunidade e capacitação são os melhores caminhos para que histórias sejam reescritas com dignidade, proporcionando uma verdadeira ressocialização e reinserção”, afirma.

Com expectativa de atingir 200 reeducandos, ao todo, o grupo tem 76, no presídio localizado em Aparecida de Goiânia. Para comportar as estimativas do projeto, foram construídas mais 120 vagas de Módulo de Respeito, espaço reservado no complexo criminal para aqueles que preferem trabalhar em troca de redução de pena. Desde 2017, o Grupo Sallo já recebeu 552 reeducandos.

De acordo com Maria Fernanda, no início do projeto o grupo se sentiu inseguro em relação ao investimento, mas que, quando começaram a ter contato direto com eles, perceberam a oportunidade de ajudá-los. “No começo, ficamos inseguros se seria um bom investimento. O preconceito, medo, foram naturais. No entanto, a partir do momento que passamos a ter contato direto com eles, vimos que queriam uma oportunidade para reescrever suas histórias. Tanto que a integração do nosso time com quem está no Presídio é a mesma da fábrica, e quando eles chegam para trabalhar na nossa indústria, são recebidos com o mesmo carinho e cuidado que qualquer colaborador”, conta.

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