Terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

Médico que acorrentou caseiro em Goiás diz que ato foi uma “brincadeira errada”

O crime aconteceu no dia 15 de fevereiro de 2022, na Fazenda Jatobá, na Cidade de Goiás, antiga capital do estado

Postado em: 29-11-2023 às 09h17
Por: Rondineli Alves de Brito
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O crime aconteceu no dia 15 de fevereiro de 2022, na Fazenda Jatobá, na Cidade de Goiás, antiga capital do estado | Foto: Reprodução

O médico Márcio Antônio Souza Júnior, condenado por crime de racismo ao filmar e divulgar vídeos de seu caseiro negro acorrentado, justificou à juíza Erika Barbosa Gomes Cavalcante que se tratou de uma “brincadeira errada”. Ele foi condenado a 2 anos e 6 meses de prisão.

O crime aconteceu no dia 15 de fevereiro de 2022, na Fazenda Jatobá, na Cidade de Goiás, antiga capital do estado. Na ocasião o médio filma um homem negro, que era seu caseiro, com as mãos, pés e pescoço acorrentados, simulando o período escrevocata e diz: “Aí, ó, falei para ele estudar, mas ele não quer. Então, vai ficar na minha senzala”.

Após repercussão do vídeo, foi iniciado um inquérito na delegacia local no qual remetido ao Grupo Especializado no Atendimento às Vítimas de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Geacri), em Goiânia.

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Além da prisão, a juíza Erika Barbosa Gomes Cavalcante, da Vara Criminal da comarca de Goiás, também condenou o médico a pagar  R$300 mil a título de indenização, por danos morais coletivos, cujo valor será dividido entre a Associação Quilombo Alto Santana e a Associação Mulheres Coralinas.

“[O funcionário disse] que não teve nenhuma vontade de gravar os vídeos e não vê a situação como uma brincadeira, pois se fosse, estariam todos iguais no vídeo, esclarecendo, por fim, que não são amigos”, destaca a sentença da Justiça.

A defesa do médico afirma que ele é inocente e que recorrerá da condenação. “Reitera ser inocente e que não teve qualquer intenção de ofender, menosprezar, discriminar qualquer pessoa ou promover esse tipo de atitude, inaceitável em nossa sociedade. Recorrerá contra essa injusta condenação ao Tribunal de Justiça”, alegou em nota.

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