Mulheres conquistam cada vez mais força no agronegócio brasileiro

Pesquisa feita pelo Agroligadas aponta que 79% das mulheres entrevistadas avaliam que a participação feminina no agronegócio melhorou nos últimos 10 anos

Postado em: 10-08-2022 às 18h10
Por: Ícaro Gonçalves
Pesquisa feita pelo Agroligadas aponta que 79% das mulheres entrevistadas avaliam que a participação feminina no agronegócio melhorou nos últimos 10 anos | Foto: Reprodução

O papel das mulheres na gestão das empresas e à frente do empreendedorismo vem ganhando cada vez mais destaque no mercado brasileiro. Um dos setores que vem sendo transformado é o agronegócio brasileiro e as mulheres assumem um papel fundamental para garantir um mercado cada vez mais produtivo e diversificado.

Pesquisa feita em outubro do ano passado pelo Agroligadas, com o apoio da Corteva Agriscience, Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e Sicredi aponta que 79% das mulheres entrevistadas avaliam que a participação feminina no agronegócio atualmente é consideravelmente melhor que há 10 anos. O estudo entrevistou quase 410 mulheres e apontou que 69% delas são empreendedoras, ou seja, proprietárias ou arrendatárias da propriedade rural.

Na mesma pesquisa, 93% das entrevistadas disseram ter orgulho do que fazem na condução dos negócios em suas propriedades rurais. Apesar disso 64% indicaram que ainda percebem a desigualdade de gênero bastante presente em todo o setor.

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São muitas as mulheres ocupando cada vez mais espaço no mercado de trabalho e assumindo o protagonismo de suas carreiras. Para garantir a representatividade delas em suas fazendas, o Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, maior evento de mulheres do agronegócio da América Latina, elegeu embaixadoras com a missão de alavancar a participação de empreendedoras de todas as regiões do País.

Na região Centro-Oeste, a goiana Sônia Bonato foi eleita embaixadora. Produtora de soja, milho e pecuarista, Sônia é diretora da Associação dos Produtores de Soja, Milho e outros grãos agrícolas do estado de Goiás (Aprosoja/GO), e membro-fundadora da Liga do Agro.

De empregada doméstica a empresária de sucesso no agronegócio

Até os seis anos de idade, Sônia acompanhava todos os dias os pais até a lavoura de algodão, na cidade de São Joaquim da Barra (SP). Assim que completou 8 anos, viu a necessidade de ajudar no sustento da família. Foi então que começou a trabalhar na casa de uma das suas professoras, onde permanecia na cozinha lavando louça.

Entre um trabalho e outro, ela precisou abandonar tudo para cuidar de sua mãe, que adoeceu e precisou ficar internada por mais de 20 dias antes de vir a falecer. Sua trajetória conta ainda com trabalhos que começou a desempenhar como vendedora.

Já com sua família constituída, o marido de Sônia recebeu como herança uma fazenda no interior do estado de São Paulo. Sônia não teve dúvidas e viu naquele imóvel uma oportunidade de mudarem de vida. O casal então vendeu a propriedade e adquiriu uma outra fazenda no município de Ipameri (GO).

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Assim que se estabeleceram por lá compraram alguns equipamentos agrícolas e doze cabeças de gado. Aos poucos os negócios foram prosperando e hoje eles plantam soja e milho na propriedade para a produção de silagem, além de criarem sessenta cabeças de gado Nelore.

Com uma história de vida bastante sacrificante, hoje Sônia faz toda a gestão de sua propriedade e se destaca cada vez mais no setor do agronegócio com sua força de vontade e perseverança. Sua representatividade no mercado é enorme, conquistando feitos que fazem a diferença, como ser a primeira mulher a integrar comissões no Sindicato Rural de Ipameri (GO) e uma das primeiras a assumir uma diretoria dentro da Aprosoja (GO).

No Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, Sônia foi escolhida embaixadora para representar toda a região Centro-Oeste do Brasil.

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