UFG teme corte de R$ 1 bilhão no orçamento das Federais em 2021

Postado em: 14-08-2020 às 16h19
Previsão é que seja reduzido 18,2% das 69 universidades brasileiras; UFG deve perder R$ 16,5 milhões do orçamento anual | Foto: Reprodução.

Nielton Soares

Os reitores de universidades
federais estão apreensivos com o corte no orçamento de 18,2%, algo em torno de
R$ 1 bilhão, cogitado pelo Governo Federal para o próximo ano. O assunto foi
tratado durante coletiva por videoconferência, na quarta-feira (12), o
presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de
Ensino Superior (Andifes), Edward Madureira Brasil

A proposta de redução no
orçamento foi feita pelos ministérios da Educação e da Fazenda, o que deve suspender
também a realização de concursos públicos para preenchimento de vagas já
existentes.

A proposta orçamentária precisa
ser encaminhada ao Congresso Nacional, mas se os cortes forem mantidos, a UFG
perderá 16,5 milhões de seu orçamento anual.

As instituições estimam que o
corte atingiram as 69 universidades federais brasileiras. Os dirigentes da
Andifes explicaram que será impossível que essas instituições absorvam a falta
desse montante.

Para eles, o impacto será sofrido
em todos os níveis de administração e manutenção das instituições, sobretudo
nas políticas assistenciais, como o fornecimento do auxílio estudantil por meio
de bolsas para moradia, refeições e permanência. Os dirigentes calculam que
cerca de 25% dos estudantes das universidades públicas brasileiras têm renda
familiar de menos de meio salário mínimo per capita.

O problema se agrava se for
considerado que nos últimos três anos o orçamentos das IFES tem sido
nominalmente congelado, embora serviços sejam reajustados todos os anos. Ou
seja, o orçamento é o mesmo, mas os gastos com o consumo de água, energia,
pessoal terceirizado das áreas de segurança e limpeza são reajustados conforme
os índices do mercado.

O reitor Edward Madureira Brasil
afirma que a economia de pelo menos 320 localidades onde há campi de
universidades federais também será duramente afetada, sobretudo nos menores
municípios, onde a atividade econômica é menos diversificada. “Não só as universidades
são impactadas com essas medidas, além do futuro da ciência brasileira, teremos
o impacto no futuro de uma geração de estudantes e na economia de muitas
cidades,” afirmou.

Pandemia

Com o fim da pandemia, a Andifes
prevê que os gastos das instituições aumentarão consideravelmente com a
retomada das aulas presenciais, pois haverá a necessidade de adequação de
espaços de aula e laboratoriais, limpeza e higienização sistemática de
ambientes e ampliação de estruturas físicas, além de ações que já estão sendo
realizadas, como a aquisição de equipamentos de informática e pacotes de dados
para que estudantes sem condições financeiras consigam realizar as atividades
acadêmicas.

Participaram do encontro virtual os
reitores Marcus Vinicius David (UFJF), Luís Eduardo Bovolato (UFT), Joana
Angélica Guimarães (UFSB) e Paulo Afonso Burmann (UFSM).

 

Por: Nielton Soares
Compartilhe: