Quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

A visão de um investidor anjo frente ao cenário dos negócios

Ricardo Voltan é investidor anjo, empreendedor, mentor, consultor e conselheiro de negócios

Postado em: 02-11-2022 às 09h45
Por: Redação
Ricardo Voltan é investidor anjo, empreendedor, mentor, consultor e conselheiro de negócios

Por Ricardo Voltan

Começamos 2022 com um cenário macroeconômico muito complexo e repleto de incertezas. As repercussões da guerra já estão refletindo fortemente na Europa e na Ásia Central. Entre vários pontos de retração, vamos ver a produção se contrair acentuadamente. 

Algumas medidas de contenção já estão sendo adotadas para reduzir os impactos da queda das atividades econômicas em vários países da Europa que anunciaram pacotes de estímulo como injeção direta de dinheiro, linhas de crédito, isenções de impostos e até proteção ao emprego. 

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A partir deste cenário, aumenta a tendência de recuo de investimento vindos de fundos e/ou investidores em países como o Brasil. O momento agora é de resiliência para passar por este momento de baixa.

Embora os investimentos em ativos alternativos e startups de base tecnológica tenham uma das melhores teses de investimento, esta crise macroeconômica poderá impactar esse modelo de negócio também. 

Será que isso realmente acontecerá, já que são negócios de baixo custo, tomada de decisão rápida e ajustável às diversidades do mercado?

Investir em negócios com soluções inovadoras tem suas vantagens, principalmente em momentos de crise, pois são operações acíclicas de longo prazo e resolvem problemas da economia real, além de serem operações de baixo custo e alta rentabilidade. 

Além destas vantagens, o mercado brasileiro de investimento em startups tem passado, desde o início de 2022, por transformações. A principal delas está ligada ao valuation dessas empresas no momento pré-money. Esse é o ponto chave de análise de cada negócio. Depois que alguns desses ativos alternativos foram valorados na casa de bilhão, essa premissa mudou de posição e as mais analisadas hoje são: burn rate, fluxo de caixa, mercado endereçado, equipe e, na sequência, o valuation. 

Agora é o momento dos gestores mostrarem aos investidores que o empreendimento é sustentável a longo prazo, com perspectivas promissoras de geração de caixa, e mostrar como é levar uma solução inovadora e disruptiva à transformar e melhorar a sociedade, gerando impacto positivo e significativo dentro da economia real.

O Brasil continua em alta no que diz respeito a investimento em ativos alternativos em startups. O volume de investimento aplicado nessas operações ultrapassou US$ 9 bilhões em 2021. Esse valor é 15% maior do que a soma dos últimos três anos em investimento.

O gatilho desse crescimento foi a necessidade de digitalização dos serviços devido ao home office implementado pelas empresas e o cenário global de juros baixos. Mesmo com esta turbulência macroeconômica, é possível analisar o potencial do mercado brasileiro para startups a partir dos índices da população economicamente ativa/população em idade de atividade (PEA/PI) do País, que passaram dos 60% da população em janeiro de 2022.

Junta-se a esses dados uma análise de potencialidade dos mercados por segmento e é possível ver as perspectivas de crescimento e possibilidade de oferta ainda a serem exploradas no nosso País.

A análise descrita apresentou que existe um novo investidor entrante a este mercado, que são aqueles atuantes no mercado de ações e gestores de fundos que estão começando a olhar esse novo tipo de ativo para investimento. As startups, por serem de um mercado mais estruturado, tendem a analisar esses ativos alternativos pela mesma ótica do mercado de ações. É aí que a discussão começa.      

O legado positivo gerado dos últimos anos de investimento em ativos alternativos se manterá, mas serão necessárias várias correções de rota para esses negócios. 

O momento é de segurar o caixa, mostrar solidez e resiliência para passar por essas situações, o que reflete muito sobre o propósito desses negócios e como eles irão se manter sustentáveis no médio e longo prazo até atingir o patamar desejado de faturamento anual.

Aos gestores desses ativos, caberá demonstrar a capacidade de gestão, perseverança e implementação de uma governança eficaz, pois serão testados a toda prova por esses novos investidores e pelo próprio mercado endereçado.

Quem chegará até o grande ponto do cume desta jornada? 

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