Após relatar ao OCDE compromissos ambientais e fim da pobreza, especialistas contradizem falas de Bolsonaro

Postado em: 27-01-2022 às 11h01
Por: Alexandre Paes
Estudiosos apontaram a histórica desigualdade social, a volta ao mapa da fome e a educação precária só descaíram desde o inicio do governo Bolsonaro | Foto: Reprodução/Internet

O presidente Jair Bolsonaro (PL) agradeceu à OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), pela abertura de discussões com o Brasil sobre a acessão do país à entidade. O comunicado foi por meio de uma carta divulgada na última quarta-feira (26/1). No entanto especialistas dizem que o governo atual só deteriorou a situação econômica e social.

Endereçado ao secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, o documento diz que o Brasil apoia o crescimento econômico sustentável e digital, o fim da pobreza e que possui práticas relacionadas à preservação da área ambiental do país.

“Sem qualquer hesitação, posso garantir que o Brasil está pronto para iniciar o processo de acessão à OCDE, conforme solicitado em abril de 2017”, disse Bolsonaro na carta. “Não resta dúvida de que o Brasil compartilha o objetivo de apoiar o crescimento econômico sustentável, acabar com a pobreza e não deixar ninguém para trás, bem como proteger nosso meio ambiente e melhorar a vida e as perspectivas de todos”, informou.

Contraditoriamente a isso, especialistas apontaram a histórica desigualdade social, a volta ao mapa da fome e a educação precária como pilares fundamentais que precisam ser atacados com políticas públicas e propostas sérias, e que de acordo com eles esses pilares só descaíram desde o inicio do governo Bolsonaro.

“O maior problema do Brasil hoje é o aumento exponencial de pessoas passando fome e de pessoas em situação de insegurança alimentar”, afirma a cientista política Camila Rocha. “Isso ocorreu por uma combinação da retração econômica, junto ao aumento dos preços de alimentos básicos e gás de cozinha, com a inabilidade de combater a pandemia entre pessoas em situação de vulnerabilidade social”, disse.

O presidente destacou as reformas econômicas e o investimento em infraestrutura, e declarou que o país está próximo de cumprir as regras para liberalização de capital que a entidade internacional exige. “Já aderimos a 103 dos 251 instrumentos da OCDE, realizamos inúmeras revisões por pares e estamos próximos da conclusão do processo de adesão aos Códigos de Liberalização” argumentou.

Ele citou um trecho da Declaração dos Líderes de Glasgow sobre Florestas e Uso da Terra, que reforça a necessidade de “trabalhar coletivamente para deter e reverter a perda florestal e a degradação da terra até 2030, entregando desenvolvimento e promoção de uma transformação rural inclusiva”.

O texto assinado pelo presidente brasileiro também ressalta o respeito ao Estado de Direito, aos direitos humanos e evidencia o livro comércio como questões de convergência mútua entre o Brasil e a OCDE.

O jornalista, economista e cientista político Bruno Paes Manso vê a “questão social de pobreza e crescimento da fome” dentro de um contexto de de crise política e descrença nas instituições. “Isso dá margem a uma série de violências e também a discursos populistas, e 2022 vai ser decisivo porque veremos como vamos lidar com isso. A população vai votar com todos esses riscos institucionais que Bolsonaro representa. Vamos ver se a escolha será pela civilidade ou pela barbárie”, finalizou.

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