Área consumida por incêndios na Chapada dos Veadeiros equivale ao tamanho de cidade goiana; veja qual

Queimadas no Cerrado tiveram aumento de 12% neste ano; fogo que teve início há doze dias na Chapada já queimou cerca de 36 mil hectares, segundo o ICMBio

Postado em: 24-09-2021 às 15h51
Por: Giovana Andrade
Queimadas no Cerrado tiveram aumento de 12% neste ano; fogo que teve início há doze dias na Chapada já queimou cerca de 36 mil hectares, segundo o ICMBio. | Foto: Reprodução

O incêndio que teve início na Chapada dos Veadeiros há 12 dias já queimou cerca de 36 mil hectares de vegetação até esta sexta-feira (24/09), conforme dados do Instituto Chico Mendes de Preservação da Biodiversidade (ICMBio). O número equivale a 360 km², o que corresponde a uma área maior que o tamanho da cidade de Aparecida de Goiânia, que tem quase 300 km² segundo o Intituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Dos 36 mil hectares destruídos, metade está dentro do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, que é considerado Patrimônio Mundial Natural pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e foi atingido na segunda-feira (20/09). O local, que tem várias cachoeiras e trilhas e recebe pessoas de todo o país, continua funcionando apesar do fogo, porque os focos de incêndio estão a cerca de 40 km das atrações turísticas, conforme explica o capitão do Corpo de Bombeiros e coordenador da força-tarefa que combate as chamas, Luiz Antônio Dias Araújo.

O coordenador de prevenção e combate a incêndios do Instituto Chico Mendes de Preservação da Biodiversidade, João Morita, reforça que as chamas chegaram à área do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros por dois pontos específicos, mas não apresentam risco para os locais de visitação e aos turistas.

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De acordo com o Corpo de Bombeiros de Goiás (CBMGO), 170 pessoas trabalham para conter o fogo na Chapada dos Veadeiros. Voluntários de organizações como WWF-Brasil, Brigada Voluntária Ambiental de Cavalcante e Rede Contra Fogo auxiliam na tarefa.

Nesta sexta (24), o CBMGO informou que chuvas isoladas ajudaram no combate ao incêndio na noite de quinta-feira (23/09). No entanto, as equipes ainda trabalham contra dois focos que resistem, um na região de Cavalcante e outro na área conhecida como Encontro das Águas.

Cerrado em chamas

Segundo dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), as queimadas no Cerrado tiveram um aumento de 12% em 2021. De janeiro a setembro, foram 48.029 focos de incêndio, contra 46.007 focos no mesmo período de 2020.

O valor deste ano é o terceiro maior desde 2010, quando foram registrados 60.325 focos. Em segundo lugar está 2012, com 40.567 focos. Só em agosto foram 15.043 focos de calor, representando um crescimento de 48% em relação ao mesmo mês do ano passado. O registro foi o maior valor do mesmo período desde 2014 (15.525 focos).

Na onda de incêndios atual, que já dura doze dias, as condições climáticas – tempo seco e baixa umidade do ar – têm piorado a situação, e a velocidade do vento dificulta o controle das chamas. Para combater o avanço do fogo, os bombeiros contam com auxílio de aeronaves para o lançamento de água. 

Origem dos incêndios

A Polícia Civil de Goiás, que está na Chapada dos Veadeiros mapeando a área para investigar se os incêndios são criminosos, instaurou nesta sexta-feira (24/09) cinco inquéritos policiais para apurar a origem e as causas das chamas. Em três deles, a investigação já identificou os suspeitos de terem iniciado o fogo.

O principal é relativo ao foco de incêndio que atingiu uma fazenda, onde foi realizada perícia. O fazendeiro estava desmatando o local e ateou fogo a restos de vegetais, o que acabou saindo do controle. Os policiais civis conseguiram flagrar alguns focos de incêndio iniciados pelo fazendeiro, com as chamas ainda vivas, que se espalçharam até uma mata nativa e queimaram cerca de 10 mil hectares. O fazendeiro será indiciado por crime contra o bem-estar público e crime ambiental.

Outro foco de incêndio foi causado por um jovem que ateou fogo em um lixão no Distrito de São Jorge. Testemunhas presenciaram a ação e foram ouvidas. Neste caso, o incêndio foi controlado, mas o jovem também será indiciado. O terceiro caso foi de uma pessoa que estava cortando um material e uma fagulha deu início ao fogo, de forma culposa.

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